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Vidas perdidas na pandemia custaram ao país R$ 3 bilhões, estima Instituto da FGV

31 outubro, sábado, 2020 às 9:20 am

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Cemitério4

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Um levantamento preliminar recém-publicado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) traça hipóteses para esmiuçar quanto o Brasil perdeu – e deixou de ganhar – com as vidas que estão se esvaindo na pandemia do novo coronavírus (Covid-19)

Pelas contas dos pesquisadores Claudio Considera e Marcel Balassiano , o país pode ter perdido R$ 3 bilhões. Eles levaram em consideração que 63,2 mil vítimas da Covid-19 estavam em idade produtiva (20 e 69 anos). Juntas seus rendimentos mensais estimados somavam, até 6 de outubro, R$ 108,6 milhões. Por ano, elas geravam em renda R$ 1,3 bilhão.

Já 72,3 mil pessoas com mais de 70 anos, que morreram até a mesma data, recebiam em média de aposentadoria R$ 1,8 mil por mês. Junto o rendimento mensal atingia R$ 138,3 milhões. Em um ano, isso equivale a R$ 1,7 bilhão. Somadas as mortes dessas 135, 5 mil pessoas e os rendimentos que deixaram de entrar na economia do país, chega-se ao prejuízo de R$ 3 bilhões ao ano.

Outra estimativa dos pesquisadores é a de que as pessoas em idade produtiva que morreram na pandemia poderiam ter gerado mais R$ 36,1 bilhões, levando em consideração a expectativa de vida do brasileiro.  

Para chegar a essas estimativas, os pesquisadores cruzaram os dados do Portal da Transparência do Registro Civil, que traz informações sobre as pessoas mortas na pandemia, com a Pesquisa Nacional Por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), de 2018, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em entrevista à BBC News Brasil, o pesquisador Claudio Considera criticou a postura de Jair Bolsonaro (ex-PSL) que ao comentar os números das vidas perdidas pela pandemia, afirmou: “ a morte é o destino de todo mundo”.

Para Considera, o presidente “ ignora a perda de habilidades que de certa forma é irreparável. Para o país, cada morte é uma perda de capital e de capacidade de gerar renda. Se uma máquina deixa de produzir, você pode rapidamente colocar outra no lugar, ela não tem que aprender nada. Uma vida não tem substituição imediata, e talvez não tenha mesmo (nunca)", respondeu o pesquisador do Ibre/FGV.

 

 

Fonte: CUT Brasil com informações da BBC News Brasil