Central Única dos Trabalhadores

Vice-presidente da CUT-RS defende reajuste de 8,12% para mínimo regional em programa na Rádio Guaíba

21 fevereiro, sexta-feira, 2020 às 12:31 pm

Comentários    Print Friendly and PDF

Gimenis no Esfera

Gimenis no Esfera

O vice-presidente da CUT-RS, Everton Gimenis, defendeu a reivindicação de 8,12% de reajuste para o salário mínimo regional em 2020, durante o programa Esfera Pública desta quinta-feira (20) na Rádio Guaíba apresentado pela jornalista Taline Oppitz. A proposta foi feita pelas centrais sindicais com base em levantamento do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese)

O governador Eduardo Leite (PSDB), no entanto, protocolou na terça-feira (18) um projeto de lei na Assembleia Legislativa com aumento de 4,5% para as cinco faixas salariais do chamado piso regional, que ficariam entre R$ R$ 1.292,82 e R$ 1.638,36. O índice é inferior ao reajuste do mínimo nacional, que subiu 4,70% ao passar para R$ 1.045,00 em 1º de fevereiro.

Mínimo regional alavanca consumo

“A proposta do governo é insuficiente e não contempla as perdas acumuladas desde a criação do piso regional, no governo Olívio, em 2001. Naquela época, ele valia 30% a mais do que o mínimo nacional. O que o governo Leite quer é meramente repor a inflação do ano passado”, afirmou Gimenis, que é também presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre.

Para o dirigente sindical, o reajuste defendido pela CUT-RS e centrais sindicais visa alavancar o consumo, reduzindo os efeitos da crise econômica que assola o Estado.  “O piso regional favorece as categorias desorganizadas, mais frágeis. Além disso, gera uma demanda agregada importante, pois esses trabalhadores não consomem fora do Rio Grande do Sul, mas aqui dentro. Isso faz a economia girar, aquece o comércio e amplia a arrecadação de impostos”, avaliou.

“Vamos procurar as bancadas de cada partido dentro da Assembleia, para que seja elaborada uma emenda ao projeto do governo, a fim de garantir aumento real para o piso regional”, anunciou Gimenis.

Reduzir desigualdades sociais

O deputado estadual Valdecy Oliveira (PT) destacou o papel fundamental do mínimo regional na redução de desigualdades sociais e lembrou que desde os governos de Getúlio Vargas a elite brasileira luta contra qualquer tipo de regra que estabeleça o mínimo de dignidade para os trabalhadores.

“Dizer que um reajuste para um salário de pouco mais mil reais pode inviabilizar a contratação de um trabalhador é algo absurdo. Estamos falando de pessoas que vivem apertadas sem saber como vão pagar a conta de luz ou o preço abusivo do gás de cozinha. Não estamos falando de um salário de mais de R$ 80 mil, como é o do presidente do Banrisul. Estamos tratando de quem miseravelmente tem apenas o direito de viver”, apontou o parlamentar.

“Nós temos pessoas ganhando R$ 400,00 no Rio Grande do Sul, vivendo de bicos, na informalidade. O aumento do piso regional não vai tirar pessoas do mercado de trabalho. Engana-se quem acha que pagar bem prejudica o empresário. Sem consumo, não há atividade empresarial que se sustente”, alertou Valdecy. Ele citou o exemplo de Santa Catarina, onde foi negociado entre trabalhadores, empresários e governo um reajuste em torno de 5%. O piso existe também no Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

O deputado estadual Sebastião Mello (MDB) disse que “o país precisa voltar a gerar oportunidades de trabalho digno”. Para ele, o emprego formal tende a acabar em decorrência das inovações tecnológicas e da automatização dos processos de produção. “Se esse país realmente fosse justo, não precisaríamos de um piso nacional, o que dirá de um regional. Então, fica o governo puxando de lado, as centrais sindicais de outro e, no final, vamos acabar decidindo isso no plenário da Assembleia”, avaliou.     

O deputado estadual Fábio Ostermann (Novo) criticou a existência do mínimo regional, alegando que “é um muro colocado entre o trabalhador e a oportunidade de emprego”. Ele anunciou que pretende apresentar uma emenda ao projeto do governo propondo o congelamento dos valores, o que significaria reajuste zero, fazendo coro com as posições atrasadas das federações empresariais do RS. 

Leia mais

Mínimo regional: governo Leite propõe reajuste de 4,5%, enquanto centrais reivindicam 8,12%

CUT-RS e centrais querem reajuste de 8,12% para salário mínimo regional do RS

Assista à íntegra do programa Esfera Pública da Rádio Guaíba

 

Fonte: CUT-RS