Central Única de Trabalhadores

Trabalho nos frigoríficos causa dor, adoece e mutila, alerta MPT

29 setembro, terça-feira, 2015 às 12:26 pm

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Fabiano

O procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho no RS, Fabiano Holz Beserra, alerta que “pesquisas com os empregados de frigoríficos revelam que mais de 85% deles sentem dor por causa do trabalho”. Segundo ele, “a atividade frigorífica é a que mais causa adoecimentos, segundo o INSS. Uma das que mais incapacitam e mutilam”. Os dados constam em artigo publicado na edição desta terça-feira (29) do jornal Zero Hora.

Beserra observa que o risco de adoecimento é hoje muito maior nos frigoríficos em comparação com outros setores. “Doenças nervosas acometem 43 trabalhadores em cada 100 mil. Esse número sobe para 320 quando analisados só os empregados de frigoríficos. Nas dorsopatias, os frigoríficos adoecem 1.095 empregados a cada 100 mil, contra 483 de todas as atividades econômicas. Nas doenças dos tecidos moles, lesões por esforço repetitivo, os frigoríficos dão de goleada: 1.621 A 321!”.

Leia a íntegra do artigo do procurador do MPT:

O MPT e o setor frigorífico

No Brasil ocorrem, anualmente, cerca de 750 mil acidentes de trabalho, gerando mais de 80 mil inválidos e 3 mil mortes. Por esse motivo, o Ministério Público do Trabalho (MPT) se dedica à defesa da saúde e à segurança, visando a garantir ao trabalhador o direito de retornar a sua família vivo e saudável ao fim de cada jornada. Em todo o país, centenas de milhares de inquéritos civis investigam todas as empresas contra as quais se fizeram denúncias ou em cujos estabelecimentos foram encontrados indícios de problemas.

De acordo com a natureza da economia regional, a atuação se concentra nessa ou naquela atividade econômica. Por exemplo, no Mato Grosso do Sul, a ênfase da atividade do MPT recai sobre o trabalho indígena no campo, em lavoura de cana, na produção de carvão. No Piauí, as salinas nos ocupam.

No Rio Grande do Sul, Estado agroindustrial, o ambiente de trabalho é nossa preocupação central. E, como somos o terceiro maior produtor de proteína animal do país e onde se localiza um parque de abate e processamento de carne de mais de uma centena de fábricas, uma de nossas prioridades tem sido a saúde e segurança no trabalho nos frigoríficos.

Mas a atuação do MPT também é atraída pela qualidade, além da quantidade. A atividade frigorífica é a que mais causa adoecimentos, segundo o INSS. Uma das que mais incapacitam e mutilam. Para cada 100 mil brasileiros, 225 sofrem de algum tipo de transtorno psicológico relacionado ao trabalho, como depressão, síndrome de burnout e síndrome do pânico. No universo dos 750 mil empregados de frigoríficos brasileiros, de cada 100 mil, 890 sofrem de transtorno psicológico.

Doenças nervosas acometem 43 trabalhadores em cada 100 mil. Esse número sobe para 320 quando analisados só os empregados de frigoríficos. Nas dorsopatias, os frigoríficos adoecem 1.095 empregados a cada 100 mil, contra 483 de todas as atividades econômicas. Nas doenças dos tecidos moles, lesões por esforço repetitivo, os frigoríficos dão de goleada: 1.621 A 321!

Pesquisas com os empregados de frigoríficos revelam que mais de 85% deles sentem dor por causa do trabalho. Mesmo trabalhadores entre 20 e 25 anos, com menor suscetibilidade, têm exigido tratamento médico. Em cada fábrica, 20% dos empregados estão afastados por doenças ocupacionais, em média. E 50% já se afastaram, em algum momento, por esse motivo. É a atividade com maior índice de faltas ao trabalho e de rotatividade no emprego. Supera, de longe, todas as outras.

Nesse contexto, é natural que o MPT tenha voltado esforços, nos últimos anos, ao trabalho realizado em frigoríficos.

É resposta às demandas sociais por um ambiente adequado ao labor humano. Trata-se da defesa de uma atividade econômica segura e saudável, para que essa importante indústria seja uma fonte de receita e de empregos, de desenvolvimento e de progresso.

Fabiano Holz Beserra
Procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho no RS

 

Fonte: CUT-RS com ZH