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Trabalhadores se surpreendem com anúncio do fechamento da fábrica da Pirelli em Gravataí

14 maio, terça-feira, 2019 às 3:15 pm

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Pirelli

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Os 900 trabalhadores da fábrica da Pirelli, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foram surpreendidos com o anúncio de fechamento da unidade em nota divulgada nesta segunda-feira (13) a partir de Milão, na Itália. Conforme a empresa, o processo deverá ser concluído até a metade de 2021. O complexo gaúcho começou a operar em 1976.

“Fomos pegos de surpresa e estamos perplexos”, reagiu indignado o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Artefatos de Borracha de Gravataí, Flávio de Quadros, que promoveu manifestações no turno da noite e presidiu uma assembleia dos funcionários, na manhã desta terça-feira (14), para protestar contra o fechamento da fábrica.

Busca de apoio para reverter decisão

“Vamos procurar as autoridades municipais e estaduais, incluindo os poderes executivo e legislativo, para buscar apoio e soluções frente a essa decisão anunciada como irreversível pela empresa italiana”, aponta Flávio.

O vice-presidente do Sindicato, Moacir Bitencourt, não acredita que a fábrica de pneus para caminhões que opera nas mesmas instalações e pertence à Prometeon Tyre Group Brasil (também fabricante de pneus, mas de segmentos como de ônibus e caminhões) terá capacidade para absorver muitos funcionários que serão demitidos pela Pirelli.

Bitencourt adiantou que, com mais tempo para processar as informações, deverão ser organizadas novas manifestações e paralisações, além da busca de apoio político para tentar reverter o cenário adverso.  

A Pirelli afirmou que, com o objetivo de chegar a um acordo com o sindicato que representa os trabalhadores, durante o período de transferência da produção, serão tomadas medidas de mitigação para reduzir os impactos sociais na planta de Gravataí.

O secretário da Fazenda de Gravataí, Davi Severgnini, disse que a decisão da Pirelli pegou o município de surpresa. Ele aguarda que sejam aproveitadas sinergias e que parte da mão de obra que será dispensada pela empresa seja absorvida pela Prometeon.

Severgnini informa que a perspectiva de arrecadação da cidade com o ICMS a ser gerado pela Pirelli neste ano é de R$ 2 milhões, contra R$ 11 milhões da Prometeon.

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Reorganização produtiva

A Pirelli alegou que, para fortalecer a sua planta em Campinas (SP), que atualmente se concentra exclusivamente na produção de pneus para carros, irá deslocar para a cidade paulista a fabricação de pneus de moto da unidade de Gravataí.

O comunicado Pirelli, apesar de citar os impactos na unidade no Rio Grande do Sul, destaca que o grupo "confirma sua presença estratégica no Brasil por meio de uma reorganização da estrutura produtiva, que permitirá acelerar o foco nos produtos High Value (de alto valor) e melhorar a competitividade das fábricas no País, tendo em vista, inclusive, o cenário conjuntural difícil".

De acordo com a Pirelli, está previsto um plano de investimentos de € 120 milhões no período 2019-2021 para a modernização e a reconversão dos estabelecimentos produtivos de Standard a High Value e para o melhoramento do mix e da qualidade das fábricas de Campinas e Feira de Santana (BA). Esses investimentos se somam aos € 320 milhões que já foram realizados no período 2013-2018.

A reorganização envolvendo as unidades de Campinas e Gravataí, segundo a Pirelli, permitirá a criação de um polo industrial a serviço dos mercados latino-americanos, que se dedicará à produção de pneus de carro, moto e Motorsport.

Essa operação, conforme a companhia, permitirá a otimização dos processos produtivos e dos fluxos logísticos, inclusive graças à localização da fábrica de Campinas, que possui 2 mil empregados e fica mais próxima às unidades produtivas das montadoras de carro e moto, e cujo fortalecimento permitirá a contratação de cerca de 300 pessoas até 2022.

De janeiro a março, o mercado total de pneus no Brasil registrou queda de 2% ante 2018, para 14,3 milhões de unidades. Já a venda de pneu para motos cresceu 6%, para 2,46 milhões de unidades, segundo a Anip, entidade que reúne empresas do setor.

 

 

Fonte: CUT-RS com Sindicato e Jornal do Comércio