Central Única dos Trabalhadores

Trabalhadores do transporte no RS se organizam para participar da greve geral

14 outubro, sexta-feira, 2016 às 2:55 pm

Comentários    Print Friendly and PDF

Reunião transporte

Reunião transporte

Em reunião ocorrida na manhã desta sexta-feira (14), na sede da CUT-RS, em Porto Alegre, sindicatos de rodoviários, aeroviários, portuários e motociclistas no Rio Grande do Sul debateram a organização e a mobilização dos trabalhadores do transporte coletivo para participar da greve geral contra a retirada de direitos, que as centrais sindicais marcaram para o próximo dia 11 de novembro.

Os dirigentes sindicais, ligados a várias centrais, se manifestaram favoráveis ao movimento, mas também defenderam a adesão das demais categorias, na medida em que os ataques aos direitos atingem toda a classe trabalhadora.

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, salientou que, a menos de um mês do dia nacional de greve, a mobilização dos trabalhadores está crescendo em todo o país, engajando diferentes ramos e categorias, e destacou a importância estratégica do setor para o sucesso do movimento. “Não tem greve geral vitoriosa, sem a participação dos trabalhadores do transporte”.

Claudir informou que já houve no último dia 7 uma plenária do setor de transportes, na sede do Dieese, em São Paulo, onde foi decidido pelo apoio da categoria à greve geral. Uma nova reunião foi convocada para a próxima terça-feira (18) para definir os detalhes da participação do setor na paralisação.

Transportes

Os sindicatos presentes combinaram fazer uma consulta nas categorias, conforme modelo elaborado pela CUT-RS, para saber a opinião dos trabalhadores se concordam com a retirada de direitos da CLT e da Previdência e se aprovam a participação na greve geral.

Desmascarar os falsos mitos

“A greve geral é fundamental para que possamos dar uma resposta para desmascarar os falsos mitos que as elites, a mídia golpista e o governo Temer vêm espalhando contra os direitos trabalhistas e previdenciários”, apontou o dirigente da CUT-RS.

Ele rebateu o mito de que “a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) gera desemprego”. Segundo Claudir, “isso é mentira, porque senão o Brasil não teria atingido recentemente, no primeiro governo Dilma, a situação de pleno emprego”. Para ele, “o que causa desemprego é, sobretudo, a falta de investimentos do governo e dos empresários e a ausência de medidas concretas para aquecer a economia, a fim de enfrentar a crise para sair da recessão”.

“A Globo fala que a CLT é velha e que precisa ser modernizada. Mas não ouve o movimento sindical e nem mostra que a CLT foi atualizada ao longo do tempo, muitas vezes contrariando interesses dos trabalhadores”, frisou o presidente da CUT-RS.

Barrar o projeto da terceirização sem limites

Claudir alertou para o perigo que representa o PLS 030/2015, oriundo do PL 4330, aprovado sob truculência do presidente cassado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Esse projeto libera a terceirização para todas as áreas das empresas, o que representa uma volta aos tempos da escravidão”, alertou.

“O PLS 030 se encontra em tramitação no Senado e só não foi votado ainda porque o relator é o senador Paulo Paim (PT-RS), que já realizou audiências públicas em todas as capitais dos estados, onde os participantes se manifestaram contra esse projeto nocivo”, enfatizou.

“Nenhum trabalhador de uma empresa quer virar um terceirizado porque sabe que vai ganhar menos, trabalhar mais e ficar mais exposto a acidentes de trabalho, além de perder os direitos previstos em convenções e acordos coletivos”, observou Claudir.

Não à reforma da Previdência

Outro mito salientado por Claudir é que “se não houver reforma, a Previdência vai quebrar”. Ele disse que “isso também é mentira, na medida em que não existe déficit da Previdência, mas sim um superávit com a utilização dos recursos do orçamento estabelecidos na Constituição de 88”.

“Eles querem implantar idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres, do campo e da cidade, independente do tempo de serviço, o que representa um retrocesso inaceitável”, afirmou Claudir.

Não podemos perder o futuro

“Vivemos um momento histórico, onde não podemos deixar de cumprir o nosso papel de dirigentes sindicais. Independente das bandeiras das centrais, estamos desafiados a fazer a greve geral para defender os direitos trabalhistas e previdenciários tão duramente conquistados pelos trabalhadores”, enfatizou o presidente da CUT-RS.

“Antes perder um dia de trabalho para fazer a greve geral do que perder direitos e ficar sem um futuro de proteção social e dignidade”, projetou Claudir.

 

Fonte: CUT-RS