Central Única dos Trabalhadores

Trabalhadores da saúde protestam contra Marchezan no aniversário de um ano do anúncio das demissões no IMESF

17 setembro, quinta-feira, 2020 às 6:00 pm

Comentários    Print Friendly and PDF

Imesf protesta

Imesf protesta

Na data em que completa um ano o anúncio feito pelo prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB) da demissão de mais de 1.840 trabalhadores do Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (Imesf), os trabalhadores da saúde fizeram um ato simbólico de protesto, no início da manhã desta quinta-feira (17), em frente à Prefeitura de Porto Alegre. 

A manifestação foi organizada pelo SindiSaúde-RS e Sindicato dos Enfermeiros do RS, com o apoio da CUT-RS. Também compareceram os vereadores Aldacir Oliboni (PT) e Roberto Robaina (PSOL), a deputada federal e candidata a prefeita Feranda Melchionna (PSOL), a deputada estadual Sofia Cavedon (PT) e a candidata a prefeita Manuela D’Àvila (PCdoB) e seu candidato a vice Miguel Rossetto (PT).  

Atualmente, o IMESF ainda atende, mesmo com equipes reduzidas, mais de 70 Unidades Básicas de Saúde, sobretudo na periferia da cidade.

Agentes de saúde

Fora Marchezan

Munidos de faixas e cartazes, usando máscaras de proteção e roupas brancas, cobraram o fim das privatizações e o pagamento de vale-alimentação, suspenso para todos os 1.500 profissionais que resistem e ainda trabalham no IMESF. Os manifestantes pediram também “Fora Marchezan”, simbolizado através de vaias e máscaras contendo o rosto do prefeito dentro de um limão.

O gesto foi alusivo a uma das declarações que o tucano deu à imprensa no dia que anunciou os cortes. Para Marchezan, “era preciso fazer dos limões uma limonada e que as demissões contribuiriam para tornar o sistema público de saúde de Porto Alegre mais eficiente”.

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, disse que é preciso exigir respeito para quem atua na saúde e está na linha de frente do combate à pandemia. “O prefeito fechou o IMESF há um ano e não botou nada no lugar. Não fez concurso, não reforçou o atendimento básico em saúde e ainda tentou demitir mais de 1.840 trabalhadores. Marchezan está em sintonia com a política nacional e estadual do presidente Bolsonaro (ex-PSL) e do governador Eduardo leite (PSDB). Ele corta funcionários de postos e hospitais para gastar dinheiro público com publicidade em ano eleitoral”, criticou.

“Marchezan está bebendo da limonada que disse que ia fazer. Bebeu tanto suco de limão que está tomando um impeachment e, se o processo que tramita na Câmara de Vereadores não der em nada, tomará uma bela resposta das urnas em novembro”, destacou Amarildo.

Amarildo e Alfredo1

Um ano de resistência ao desmonte da saúde pública

A presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Rio Grande do Sul, Cláudia Franco, lembrou que quem sabe fazer saúde na cidade são os trabalhadores demitidos pela prefeitura.

“Nós estamos há 365 dias resistindo e denunciando o desmonte do atendimento básico de saúde. Naquela época, nós falamos que não iriam nos tirar de dentro do IMESF e ainda defendemos isso. Quem faz e conhece a saúde de Porto Alegre são os trabalhadores e não um playboy que fica sentado atrás de uma mesa”, salientou Cláudia.

“Ele sentou em cima de um processo de inconstitucionalidade do IMESF, ignorou a proposta de incorporação dos profissionais aos quadros de servidores públicos da Capital. Marchezan não fez nada, apenas se apegou ao dinheiro da saúde para fazer caixa para a campanha eleitoral. O prefeito achou que iria fazer uma limonada, só não contava com as entidades sindicais de luta, que não se vendem por meia dúzia de trocados”, disse a dirigente sindical.

Claudia Franco fala

Demitir para privatizar a saúde pública

Para o secretário de Saúde do Trabalhador da CUT-RS, Alfredo Gonçalves, é fundamental defender os profissionais que permanecem trabalhando.

“É importante defender o IMESF, ainda mais diante da contratação de serviços terceirizados de péssima qualidade na área da Saúde. O prefeito está iludindo a população, dizendo que isto será melhor, mas fecha postos e demite trabalhadores, prejudicando sobretudo quem mora na periferia. Os moradores das comunidades já têm uma identificação com os agentes de Saúde da Família e mudar a atual configuração das coisas é piorar a qualidade de vida de quem está na ponta da pirâmide social”, enfatizou Alfredo.

“Marchezan quer promover a precarização para privatizar os serviços e entregar tudo de mão beijada para a iniciativa privada. O que o prefeito não conta para o povo é da corrupção que se esconde por trás da gestão privada da Saúde. Temos o exemplo claro do Grupo GAMP, que assumiu a administração do Hospital Universitário de Canoas e desviou milhões de reais em verbas públicas do município. Acho que é isso que o Marchezan quer para a Porto Alegre”, observou o secretário da CUT-RS.

Saúde no Paço

Segundo o presidente do SindiSaúde-RS, Júlio Jesien, as demissões ocorrem dentro de um processo de ataques às políticas públicas na área da saúde. “Estamos vivendo um verdadeiro desmonte do patrimônio público de Porto Alegre”, denunciou.

“Transformar o limão em uma limonada é entregar a gestão pública da Saúde nas mãos da iniciativa privada e dos financiadores de campanha do prefeito. Era isso que nós dizíamos que iria acontecer e já está ocorrendo, mesmo dando errado, vide a desistência do administrador do Instituto de Cardiologia da Capital de gerir a unidade hospitalar”, avaliou.

Bolo do marchezan

Aplausos para os trabalhadores, vaias para os gestores da saúde

Amarildo aproveitou para fazer o lançamento de um "manifesto ao povo gaúcho" da CUT-RS, federações e sindicatos filiados, sob o título “Aplausos para os trabalhadores, vaias para os gestores da saúde”.  O texto denuncia o descaso das entidades patronais em realizar testagem em massa dos trabalhadores e das trabalhadoras da saúde.

“Nós tivemos mais de uma audiência de mediação com eles no TRT-4 e os gestores usaram desculpas esfarrapadas e mentirosas para não testar quem está arriscando a própria pele para salvar vidas durante a pandemia. Primeiro disseram que não havia insumos, depois que não havia condições e recursos. Por fim, alegaram que não era mais necessário. Eles devem ser responsabilizados pelas mortes e contaminações dos trabalhadores da saúde”, cobrou o presidente da CUT-RS.

Acompanhe aqui a cobertura ao vivo feita pela Rede Soberania compartilhada pela CUT-RS

Assista à fala do presidente da CUT-RS

 

 

Fonte: CUT-RS