Central Única dos Trabalhadores

Trabalhadores da saúde pedem socorro em protesto contra precárias condições de trabalho no Postão da Cruzeiro

22 fevereiro, segunda-feira, 2021 às 9:35 pm

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Terres no ato

Terres no ato

Trabalhadores da saúde do Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS), na Vila Cruzeiro, em Porto Alegre, pediram socorro diante das precárias condições de trabalho, durante ato de protesto realizado ao meio-dia desta segunda-feira (22). Eles denunciaram a lotação do atendimento acima do dobro da capacidade e o surto de contaminação de Covid-19 entre os profissionais.

O ato foi organizado pela Comissão dos Trabalhadores do PACS, com o apoio da CUT-RS, Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Sintrajufe-RS e parlamentares de oposição.

Eles denunciaram que há pacientes com Covid-19 esperando leito hospitalar, enquanto que outros usuários, mesmo com suspeita de coronavírus, estão sendo “dispensados” pela falta de estrutura para atendimento. Os trabalhadores relataram que faltam até materiais básicos de higiene. 

Saúde pede socorro

Grave situação

“Este protesto é, na verdade, um pedido de socorro dos trabalhadores em relação à grave situação que nós estamos vivendo. Nós temos neste momento, enquanto ocorre o ato, em torno de 100 pessoas aguardando atendimento e apenas dois técnicos de enfermagem e dois médicos. Na sala vermelha (onde ficam os casos graves aguardando leitos em hospitais), temos 13 pacientes internados, um deles entubado”, denunciou o técnico de laboratório Alberto Terres, integrante da Comissão de Trabalhadores do PACS.

“De 1º de janeiro até o dia 19 de fevereiro, 22 servidores foram testados, sendo que nove positivaram para Covid-19, dois ainda não tinham recebido o resultado do teste e um se encontra internado em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI)”, ressaltou Terres ao reclamar da precarização das condições de trabalho e defender mais recursos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Cruzeiro protesta

Precisamos garantir vacinação para todos

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, afirmou que “a mídia precisa comunicar a população sobre o que está acontecendo aqui. O governo federal não está viabilizando as vacinas. Nós precisamos garantir a vacinação para todos, principalmente para os trabalhadores da saúde”.

Segundo ele, “a economia não vai voltar antes da vacinação. Aqui não tem leitos e não tem estrutura para fazer o atendimento aos pacientes. Precisamos denunciar e apontar os responsáveis por essa situação. O governador do Estado e o prefeito de Porto Alegre precisam tomar medidas, investindo dinheiro na saúde e garantindo a qualidade do atendimento”.

Amarildo na Cruzeiro1

As UTIs estão operando com quase 100% da lotação e as principais emergências da Capital já tem 150% da capacidade ocupada. Além disso, os Prontos Atendimentos (PAs) já estão com a lotação dobrada. O PACS está operando com 216,6% da capacidade, o da Bom Jesus está em 271,4% e a UPA Moacyr Scliar está em 229,4%. 

O atendimento de emergência com menos lotação é do Lomba do Pinheiro, com 133,3% da capacidade preenchida. 

Cruzeiro luta

Salvar vidas é proteger os trabalhadores

Os números de pacientes com Covid-19 nas UTIs da Capital são os maiores desde setembro de 2020. O RS tem 11 regiões do Estado estão com a bandeira preta no distanciamento controlado e registrou nesta segunda-feira mais 49 óbitos, somando 11.810 vidas perdidas e 606.414 infectados. 

“A economia, o dinheiro, precisa servir para salvar vidas. Neste momento, salvar vidas é proteger os trabalhadores da saúde, os trabalhadores das comunidades e a população mais vulnerável. Por isso, defendemos vacina já para todos e todas, auxílio emergencial para quem precisa e Fora Bolsonaro”, ressaltou Amarildo. 

A manifestação contou com a participação da deputada federal Fernanda Melchionna (PSol) e dos vereadores Jonas Reis (PT) e Karen Santos (PSol).

Eu defendo o SUS

Trabalhadores e população correm graves riscos

Leia a íntegra da nota à comunidade feita pelos profissionais do “Postão da Cruzeiro”:

Profissionais de saúde do Postão da Cruzeiro (PACS) denunciam a falta de condições de trabalho: os trabalhadores e a população correm graves riscos.

Nós, trabalhadores e trabalhadoras do Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (PACS) pedimos socorro. De primeiro de janeiro até o dia 19 de fevereiro, 22 servidores foram testados, destes, 9 positivaram para Covid e dois até o dia de hoje (21/2) ainda não têm o resultado.

Esta estatística aponta um SURTO de Covid entre os servidores do PACS e nem a Direção do Posto ou a prefeitura municipal tomaram algum tipo de providência para rastrear a porta de entrada desta contaminação e a revisão nos processos de trabalho. Por esta negligência temos uma colega Técnica de Enfermagem na UTI do Divina Providência lutando contra a Covid.

A “tenda Covid” é um local fechado e servidores e servidoras estão trabalhando sem ar condicionado em dias que a temperatura ultrapassou os 30 °C. Não é raro o fechamento da  tenda  por falta de médicos.

A abertura da “tenda Covid” ocorreu ainda no primeiro semestre de 2020, no entanto nenhum servidor foi contratado. Estamos trabalhando com um quadro reduzido de pessoal porque muitos servidores foram afastados ou porque são do grupo de risco, ou foram infectados pelo Covid. Outros ainda se aposentaram sem que fosse feita reposição sobrecarregando ainda mais os colegas que ficam.

Em função da pandemia férias e licenças prêmio foram suspensas, a sobrecarga levou mais gente a adoecer e entrar de atestado, ninguém é substituído, mais sobrecarga e descontentamento. A nossa unidade está há mais de um ano sem Diretor Geral.

Durante a pandemia suspenderam a produção de alimentos no PACS, toda alimentação vem do HPS e o serviço de nutrição também foi extinto prejudicando a alimentação de pacientes e servidores. A quantidade de alimentos para os pacientes foi reduzida e dietas especiais foram cortadas.

No refeitório faltam até copos e guardanapos de papel. No Plantão de Emergência em Saúde Mental (PESM) a sala de lanche é um poço de luz fechado com telhas transparentes, com temperatura da rua e sem ventiladores resultando em surtos de Covid e contaminação de pacientes.

No PESM as técnicas compram com o dinheiro de seus salários jogos e giz de cera para o entretenimento dos pacientes internados, assim como levam revistas e jornais de casa. Não tem lençóis pra todas as camas, faltam toalhas para o banho dos pacientes, os poucos lençóis são encardidos e manchados.

Para terem condições de trabalho e atender a população com dignidade os trabalhadores e trabalhadoras do PACS exigem:

- Reunião urgente com o Secretário de Saúde;

- A nomeação urgente de médicos, enfermeiros e técnicos;

- Ação da fiscalização da Vigilância Sanitária e Conselhos;

- Adequação dos ambientes e fornecimento adequado dos materiais;

- A indicação de um diretor geral para o PACS;

- Testagem em massa e vacinação pelo SUS para toda a população.

Por isso, realizaremos um ato de protesto em frente ao posto nesta segunda-feira, dia 22/02, ao meio dia, para que toda a comunidade saiba em que condições trabalhamos e lutamos para defender a saúde da população. Contamos com o apoio de todos.

Assista à transmissão ao vivo da CUT-RS:

 

Fonte: CUT-RS com informações do Brasil de Fato e Extra Classe