Central Única dos Trabalhadores

Todo apoio da CUT-RS à greve dos educadores gaúchos em repúdio aos ataques de Sartori

13 maio, sexta-feira, 2016 às 8:52 pm

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Os professores estaduais do Rio Grande do Sul decidiram, na tarde desta sexta-feira (13), iniciar greve por período indeterminado a partir de segunda-feira (16), durante assembleia geral da categoria realizada no Gigantinho, em Porto Alegre. O encontro durou cerca de duas horas e depois os educadores se uniram aos estudantes, que realizavam sua própria assembleia no pátio, e seguiram juntos em marcha pela avenida Padre Cacique em direção ao Palácio Piratini.

Chegando lá, os professores inicialmente não foram recebidos pelo governo Sartori e, exigindo uma reunião, ocuparam a sede do Poder Executivo por cerca de 15 minutos. Em seguida, o governo marcou um encontro para a próxima terça-feira (17).

Cpers 1305

Defesa da escola pública de qualidade

O clima era de defesa da greve desde o início da assembleia. A presidente do Cpers Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, defendeu que a categoria tinha “todos os motivos para cruzar os braços”.

“No momento em que recebemos apenas 30% do nosso salário, o governo encaminha a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO a Assembleia Legislativa apontando zero de reajuste para nós, em 2017. Isso significa que podemos entrar 2017 recebendo menos de 20% do nosso piso salarial. Se não bastasse, também aponta para o reenquadramento do Difícil Acesso, ou seja, retirar mais recursos do bolso do educador. Também o governo quer cobrar mais 5% por dependente do IPE Saúde e taxa de hospitalização. E ainda desrespeita a liminar que o proíbe de parcelar nossos salários. Não permitiremos nenhum retrocesso. Agora é greve!”, afirmou Helenir.

“Estamos construindo junto com nossos estudantes e comunidade escolar uma aliança em defesa da escola pública, que vai derrotar a política neoliberal do governador Sartori. Sabemos que esse discurso de crise é para poder vender o que resta no Estado, pra precarizar o IPE, entregar escolas para organizações sociais. Mas não passarão”, destacou a presidenta do Cpers.

Greve Cpers

Todo o apoio da CUT-RS aos educadores gaúchos

A ex-presidente do Cpers e atual secretária-geral da CUT-RS, Simone Goldschmidt, manifestou todo o apoio à luta dos educadores gaúchos e salientou que a greve é o caminho para enfrentar o desmonte do estado, defender escola pública de qualidade e buscar o atendimento das reivindicações da categoria.

“O governo Sartori aplica uma política de austeridade, pois não mostra interesse em investir na educação pública, parcela salários dos educadores e funcionários, não tem feito promoções de nível e atrasa repasses para o trabalho nas escolas”, destacou Simone.

A dirigente da CUT-RS alertou que, como se isso não bastasse, “o governo planeja ainda dar um passo atrás, a exemplo de Goiás, onde escolas foram entregues para organizações sociais, o que revela que educação não é tratada como prioridade”.

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Pauta de mobilização aprovada na assembleia

1- Deflagrar a greve por tempo indeterminado;
2- Apoiar toda a forma de luta da comunidade escolar como: ocupações, assembleias, aulas cidadãs, plenárias, etc;
3- Debater com a categoria a recuperação das aulas do período de greve no ano de 2017;
4- Elaborar um calendário de implantação do Piso Nacional que está defasado em 69,44%;
5- Exigir reajuste imediato de 13,01% (2015) mais 11,36% (2016);
6- Disputar a LDO para incluir o reajuste salarial;
7- Defender a educação pública de qualidade, assegurando o efetivo repasse das verbas públicas para a manutenção das escolas e da merenda escolar;
8- Defender a manutenção dos Planos de Carreira dos Educadores;
9- Defender a manutenção do IPE Público (Previdência e Saúde) e com o Regime de Solidariedade, sem novas contribuições ou quaisquer taxas;
10- Lutar contra o reenquadramento do Difícil Acesso;
11- Cumprir a Lei do Piso – garantia da hora/atividade;
12- Dar todo o apoio à comunidade escolar que estiver em luta com a categoria;
13- Eleger o Comando Geral de Greve da Assembleia Geral;
14- Criar o Coletivo de Igualdade Racial e Combate ao Racismo do Cpers Sindicato.

Foto: Joana Berwanger/Sul21

Presidente do Cpers, Helenir defendeu greve: “temos todos os motivos” | Foto: Joana Berwanger/Sul21

Pressão arranca negociação 

Após o encerramento da assembleia, os educadores realizaram uma caminhada até o Palácio Piratini. No local, a Direção Central do Cpers e representantes do Comando de Greve da categoria foram recebidos pelo secretário da Educação em exercício, Luis Antônio Alcoba de Freitas e pelo secretário adjunto da Casa Civil, José Guilherme Kliemann, e entregaram a pauta de reivindicações da categoria.

Após pressão da Direção Central que afirmou que não sairia do Piratini sem uma resposta, ficou agendado para a próxima terça-feira, dia 17, uma reunião com o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, o chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi e o secretário de Educação em exercício, no Palácio do Piratini.

Neste dia, haverá mobilização dos educadores em frente ao Palácio. “Convocamos a todos os professores e funcionários de escola a virem, na terça-feira, para frente do Palácio e mostrar a este governo a força da nossa unidade”, conclamou Helenir.

Sartori e Temer são mesmo partido

Quase todas as pessoas que falaram, representando correntes políticas, direção e base do Cpers, defenderam a greve. Vários professores fizeram uma relação com o golpe do impeachment, em que o vice Michel Temer assumiu interinamente a presidência, enquanto a presidenta eleita Dilma Rousseff foi afastada. Foi lembrado que Temer e o governador José Ivo Sartori são do mesmo partido, o PMDB.

Os oradores alertaram que o golpe não é somente contra Dilma, mas sobretudo contra a democracia e os direitos dos trabalhadores e os mais pobres. Os donos do capital privado e internacional possuem uma agenda travada no Congresso Nacional, que jamais seria aprovada nas urnas. A Fiesp e outras federações empresariais querem fazer uma reforma trabalhista e da previdência para retirar direitos e aumentar os lucros das empresas.

Também foi mencionado que há vários projetos tramitando na Assembleia Legislativa que prejudicam os direitos da categoria. “A maioria dos núcleos tem certeza que é importante entrar em momento de paralisação. Estamos na iminência de perder direitos que foram conquistados ao longo dos anos com muita luta”, apontou um professor.

Foto: Joana Berwanger/Sul21

Em assembleia, categoria decidiu paralisar por tempo indeterminado | Foto: Joana Berwanger/Sul21

A proposta de greve por tempo indeterminado foi aprovada por ampla maioria da assembleia. Enquanto os professores comemoravam, alunos se aproximaram da porta do Gigantinho, entoando o refrão “o professor é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”. Em seguida, eles foram convidados a entrar no local e, no centro do ginásio, comemoraram com os professores.

Ocupações nas escolas

Em assembleia paralela, no pátio do Gigantinho, estudantes das escolas estaduais afirmaram que a perspectiva é de que haja ocupações em pelo menos mais seis escolas em Porto Alegre entre esta sexta e segunda-feira (16). Em Rio Grande, já estão ocupadas a E.E.E.M. Bibiano de Almeida e o I.E.E. Juvenal Miller, e em São Leopoldo ocupações também devem começar a acontecer.

Foto: Joana Berwanger/Sul21

Estudantes realizaram assembleia paralela do lado de fora do Gigantinho | Foto: Joana Berwanger/Sul21

O estudante Gabito, da Escola Estadual de Educação Básica Presidente Roosevelt, disse que o colégio recebeu apenas as verbas de fevereiro e abril este ano. “Quando o Sartori ataca nossa juventude, temos que ocupar. Hoje tem 21% da juventude desempregada em Porto Alegre e região metropolitana. Queremos um projeto democrático, que não reflita as opressões que nossa sociedade vive todos os dias”, ponderou.

Já Ana Paula, presidente do Grêmio Estudantil da Escola Protásio Alves, lembrou que em São Paulo houve repressão muito forte da Polícia Militar às ocupações estudantis. “Temos duas companheiras mulheres que apanharam e foram detidas. Sabemos o quanto nossa educação está precarizada. Na minha escola tem um andar inteiro interditado, sabemos como é ter que ter menos turmas”, destacou ela.

A segunda escola a ser ocupada, Colégio Agrônomo Pedro Pereira, tem como principal pauta a crítica ao PL 44/16, conforme afirmou o vice-presidente do Grêmio Estudantil, Antônio Henrique Fonseca Porto. “Estamos lutando contra o PL que visa privatização parcial, entregar escola na mão de empresários. Somos contra o sucateamento na educação, queremos servidores nas bibliotecas e informáticas das escolas do Estado. Vamos nos manter e continuar resistindo”, assegurou ele, relatando que a Secretaria da Educação afirmou que iria pedir a reintegração de posse do local, caso as aulas não fossem retomadas.

A Pedro Pereira foi ocupada às 22h30 de quarta-feira (11) e conta com cerca de 70 pessoas dormindo no local. A direção não ofereceu resistência e os professores apoiam a luta, segundo Antônio Henrique.

Os estudantes estão aceitando doações de alimentos e propostas de aulas públicas sobre temas diversos, como algumas que já estão previstas, entre elas a história de países da América Latina, matemática e revisão para o ENEM.

“O estudante não vai ficar sem aula, mas queremos destruir a ideia de que educação é o professor no quadro e o aluno sentado, ouvindo. Nós queremos participar, discutir”, afirmou ele, que disse que os estudantes estão sendo responsáveis pela manutenção, segurança, limpeza, organização e produção de alimentos na escola.

Foto: Joana Berwanger/Sul21

Antônio Henrique relatou que estudantes são responsáveis por manutenção na escola Pedro Pereira | Foto: Joana Berwanger/Sul21

Ao se unir com os professores, após as duas assembleias, os estudantes puxavam músicas como “mãe, pai, tô na ocupação, só pra tu saber luto pela educação”.

A presidente do Cpers afirmou que o sindicato apoia as ocupações, mas respeita a autonomia dos estudantes e não irá interferir, mas sim auxiliar como for possível.

Confira mais fotos do Sul21:

Foto: Joana Berwanger/Sul21

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13/05/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Cpers realiza Assembleia e decretam greve geral. Foto: Joana Berwanger/Sul21

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13/05/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Cpers realiza Assembleia e decretam greve geral. Foto: Joana Berwanger/Sul21

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13/05/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Cpers realiza Assembleia e decretam greve geral. Foto: Joana Berwanger/Sul21

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13/05/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Cpers realiza Assembleia e decretam greve geral. Foto: Joana Berwanger/Sul21

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13/05/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Cpers realiza Assembleia e decretam greve geral. Foto: Joana Berwanger/Sul21

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Fonte: CUT-RS com Cpers Sindicato e Débora Fogliatto – Sul21