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“Temos no Brasil um problema psicológico coletivo na elite brasileira”, diz Lula em entrevista a Kennedy Alencar

13 maio, segunda-feira, 2019 às 10:45 am

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Lula entrevista3

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RBA – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que o início do governo Bolsonaro é desastroso. "A impressão que eu tenho é que ele não sabe 'lé com cré'. A impressão que eu tenho é que ele não tem noção das coisas que fala", diz Lula sobre o atual presidente, na íntegra da entrevista ao jornalista Kennedy Alencar divulgada nesta segunda-feira (13) em seu blog.

Para Lula, o atual estágio político do país resulta de "um problema psicológico coletivo na elite brasileira". A psicose foi causada pela ascensão dos mais pobresdurante os governos do PT, graças aos programas sociais, valorização do salário mínimo e das políticas educacionais de inclusão, que seriam aprofundadas e aprimoradas se Lula fosse novamente eleito. "Então, eu penso que esse preconceito e essa coisa de não deixar o PT voltar para não permitir mais a continuidade da ascensão social… Eles sabiam que, comigo, a coisa iria acontecer. Eu voltaria muito mais calejado, muito mais preparado."

Sobre a política econômica do governo Bolsonaro, comandada pelo ministro Paulo Guedes, que tem como carro-chefe a chamada "reforma" da Previdência, Lula diz que é voltada exclusivamente para o mercado. "Para o Guedes, se vai ter aposentado passando fome, se vai destruir a Previdência Social, pouco interessa. Isso é dado estatístico. O que ele quer é contemplar o mercado."

Ele também criticou o alinhamento automático com os Estados Unidos na política externa do atual governo. "O Brasil precisa apenas aprender a se respeitar. O Brasil não tem que se alinhar nem a Washington, nem a Pequim, nem a Moscou, nem muito menos a Frankfurt. O Brasil tem que se apoiar na sua soberania. O Brasil é um país que tem 210 milhões de habitantes. O país tem efetivamente quase tudo que precisa. Tem um potencial intelectual extraordinário! O que o Brasil precisa é para de ser mesquinho."

Trechos da entrevista tinham ido ao ar na última sexta-feira (10) pela rede britânica BBC World NewsLula também falou da obsessão de Bolsonaro por armas, do atual estado da economia, das últimas eleições, dos acertos e erros do seu governo, de Moro e Dallagnol e da a perseguição que vem sofrendo pela Lava Jato.

Sobre as manifestações de Junho de 2013, que serviram de antessala aos protestos pelo impeachmentda ex-presidenta Dilma Rousseff, Lula diz que ali já começava um movimento articulado internacionalmente para a derrubada do PT. Ele também diz que Dilma cometeu erros na condução da política econômica do seu governo, mas as "convicções muito fortes" da ex-presidenta a impediram de corrigir os rumos, mesmo quando alertada. 

Lula lembrou dos esforços do seu governo, e também no governo Dilma, no combate à corrupção. "É importante lembrar que todos os instrumentos de combate à corrupção neste país foram feitos nos oito anos (do governo Lula) e nos quatro anos da Dilma… tudo, tudo o que nós fizemos. Até a Lei da Transparência – que você, como jornalista, deve ter ficado muito satisfeito, pois você tinha acesso a qualquer coisa – agora acabou. 

Ele também comparou a diferença de tratamento dispensada a ele e ao ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro Fabrício Queiroz, acusado de comandar esquema de desvio de salários de funcionários-laranja lotados no gabinete do filho do presidente quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro. 

"Eu nunca tinha sido convidado para prestar um depoimento. E, quando acontece com o Queiroz, ele primeiro se recusa a ir. Depois, faz por escrito um depoimento. Estou mostrando a diferença. Segundo, no meu julgamento, qual é o crime que eu cometi? É um fato indeterminado. O sr. Moro reconhece que não tem dinheiro da Petrobras, o sr. Moro reconhece que o apartamento não é meu, mas ele precisava me condenar. A mesma coisa é na acusação. O Dallagnol, depois de ele fazer uma hora e meia de hipocrisia para a mídia brasileira, fala: “Não me peçam provas, eu só tenho convicção”. E por conta disso eu estou aqui, meu filho!"

A conversa de Lula com Kennedy Alencar foi realizada no último dia 3 na Superintendência da Polícia Federal no Paraná. 

Clique aqui para ler a integra da entrevista!

Assista ao vídeo com a íntegra da entrevista!

 

 

Fonte: Rede Brasil Atual (RBA)