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Tarifa de ônibus subiu mais do que o dobro do reajuste dos rodoviários nos últimos 25 anos, aponta Dieese

18 fevereiro, segunda-feira, 2019 às 6:56 pm

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ônibus de Porto Alegre

ônibus de Porto Alegre
O valor da passagem do transporte coletivo de Porto Alegre aumentou 1.170,27% nos últimos 25 anos, o que significa mais do que o dobro do reajuste concedido aos rodoviários entre 1994 e 2019, que foi de 516,14%. No mesmo período, a tarifa subiu também duas vezes mais do que a inflação, que foi de 455,23%.

Os dados foram apurados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e divulgados nesta segunda-feira (18). 

O estudo vem à tona faltando pouco menos de três dias para a reunião do Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu), integrado pela CUT-RS, que se reúne nesta quinta-feira (21) para definir o novo reajuste da passagem.

EPTC quer tarifa de R$ 4,70

Na última quarta-feira (13), a Prefeitura, através da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), encaminhou ao Conselho uma proposta de tarifa de R$ 4,70, o que representaria um aumento de 9,39%, bem acima do reajuste de 3,4% concedido aos rodoviários.

“Com um aumento desses, os motoristas de aplicativos móveis vão dar risada das empresas de transporte de ônibus. O número de passageiros vem caindo a cada ano e, com essa elevação, a tendência é que diminua ainda mais”, avalia Paulo Roberto Rocha, diretor do Semapi/RS e atual representante da CUT-RS no Comtu.

Paulo Rocha

Marchezan debocha

O cálculo da EPTC foi comemorado pelo prefeito Nelson Marchezan Jr (PSDB). Ele postou em suas redes sociais que o pedido ficou aquém do que poderia ser cobrado. “Se todas as taxas fossem repassadas ao consumidor final, a tarifa seria fixada em R$ 5,15”, disse o tucano em seu perfil no Twitter.

Marchezan debocha

O argumento utilizado pelos empresários do ramo é que o custo dos insumos, as peças de reposição dos veículos e o diesel foi superior ao Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA) registrado em 2018. Além disso, não haveria outra alternativa senão repassar esse custo aos usuários de ônibus da Capital.

“Os empresários  vão ter de provar a existência real desse aumento de custo na manutenção da frota, caso contrário poderão  ver o reajuste da passagem de ônibus ser contestado na Justiça, a exemplo do que já aconteceu no passado”, avisa Rocha, que deve se reunir nesta terça-feira (19) com sindicalistas e representantes do movimento estudantil.

Modelo insustentável

Para o rodoviário e diretor da CUT-RS, Alceu Weber, o atual modelo de cálculo tarifário utilizado no transporte de passageiros está fadado ao fracasso por ser insustentável. “É uma bola de neve, pois quanto maior for o valor da tarifa, menos usuários vão pegar ônibus”.

“O passageiro se sente desconfortável em pagar uma tarifa alta e ainda por cima ter de aturar a superlotação dos carros, o abafamento, pois são poucos os veículos que têm ar condicionado, e que ainda não passa na hora”, avalia Weber.

Weber

“Se o transporte coletivo fosse bom e barato, as pessoas não iriam optar pelo Uber sem nem pensar duas vezes”, destaca o dirigente sindical, que questiona por que o a redução no valor do diesel, concedida após a greve dos caminhoneiros, em 2018, não foi levada em consideração no cálculo final da tarifa.

Lucro das empresas ainda é um mistério

Para Rocha, o que falta é transparência por parte das empresas que possuem  concessões públicas de transporte. Enquanto os custos para a operação do serviço são de conhecimento público, o lucro obtido pelas concessionárias de ônibus permanece um segredo guardado a sete chaves.

ônibus andando1

“Estamos, desde o ano passado, esperando as planilhas com o lucro líquido das empresas de ônibus, mas até agora nada nos foi enviado. Mesmo com isenção do Imposto sobre Serviços (ISS) e desoneração da folha de pagamento, o que deveria reduzir o valor da passagem, os empresários querem empurrar um aumento dessa natureza para cima dos usuários. Não está certo”, salienta o representante da CUT-RS no Comtu.

Além disso, houve ainda o fim da gratuidade da segunda passagem e o aumento da idade para isenção dos idosos, passando de 60 para 65 anos.

Confira aqui o estudo completo do DIEESE

 

Fonte: CUT-RS