Central Única de Trabalhadores

Sul21- Antônio Castro: Sartori aproveita para pintar e bordar

21 maio, sábado, 2016 às 1:25 am

Comentários    Print Friendly and PDF

Sartori e Estado

Sartori e Estado

Não há dúvida de que José Ivo Sartori é um homem de sorte. Primeiro, entra numa eleição como o azarão e o PT comete o mesmo erro de 2002 de aprofundar o ataque no adversário errado e lhe entrega o Piratini de bandeja. Depois, sem saber o que fazer no governo, passa meses sem fazer nada, mas a profunda crise política e econômica pela qual atravessa o país leva a que ninguém preste atenção nele e em seu desgoverno.

Aproveitando que o Brasil inteiro assistia os momentos finais do impeachment no Senado, levou a Assembleia a aprovar um projeto de concessões de rodovias e pedágios que faria Antonio Britto corar de vergonha. Concessões de 30 anos, sem prévias regras de obrigações e reajuste e sem marco regulatório! As “concessões cheque em branco”. Um presente para o empresariado. Foi uma violência contra o estado e contra a população que já rejeitara os pedágios…

Mas a violência no governo Sartori agora não é uma mera figura de linguagem. A repressão da Brigada Militar aos protestos contra o golpe mancharam a história de nosso estado. Uma carga de cavalaria com sabres em punho contra um grupo de estudantes indefesos, seguida da prisão de quatro meninas adolescentes, tiveram repercussão mundial e envergonharam o Rio Grande do Sul do Alaska ao Japão.

Premido pela pressão sindical e popular que advém da manutenção e aprofundamento de uma política de recessão e arrocho que joga o peso da crise no funcionalismo público, Sartori mais uma vez aproveita a circunstância dos protestos anti-golpe para mandar um recado aos trabalhadores: vamos agir com enorme dureza e violência contra quem ousar protestar.

Mas o governador deve se dar conta que o período de conforto na obscuridade e esquecimento acabou. Agora há um governo Temer, ilegítimo e tisnado de irregularidades, que será objeto de muitos protestos. E há um governo Sartori, identificado com Temer, a quem apoiou, promotor de políticas anti-populares que, repita-se, buscam tirar o estado da crise fazendo o povo pagar a conta. Como fará Temer, aliás.

Sartori e seu desgoverno agora virão para o centro do palco. Serão vistos como uma sucursal gaúcha do governo Temer. Um laboratório de medidas anti-populares. E a reação já se mostra potente, como se vê da greve dos professores e das ocupações de escolas, em que os estudantes gaúchos já superaram seus colegas de São Paulo em ativismo.

O golpe ajudou Sartori enquanto permitiu que este se escondesse no noticiário. Mas agora, pelo contrário, aprofunda a crise do Rio Grande do Sul eis que soma, à inação do governo estadual, o peso da ilegitimidade de Temer e, principalmente, o peso de uma repressão desmedida.

Acabou a zona de conforto. Tempos duros virão. Para todos.

 

Antônio Escosteguy Castro é advogado.

 

Fonte: Sul21