Central Única dos Trabalhadores

Sul21 – Miguel Rossetto: Impeachment já!

10 setembro, sexta-feira, 2021 às 6:47 pm

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Bozo no avião

Bozo no avião

Sul21 – O fato político central, gravíssimo, que ocorreu no 7 de setembro foi a afirmação de Bolsonaro, como presidente da República, de que não vai cumprir decisão judicial, não vai respeitar o STF, não reconhece as regras eleitorais definidas pelo Congresso Nacional – em especial a manutenção do voto secreto – declara que o TSE é uma fraude, e que só Deus o tira da presidência. Agora não por um tuíte ou por uma rede social, mas em uma orgia autoritária pública.

As redes bolsonaristas prepararam esta manifestação por semanas, atemorizando a sociedade com ameaças de violência e de um golpe contra a democracia e as liberdades. A sociedade atemorizada é reveladora de um Estado de Exceção já presente. A participação ativa de oficiais das polícias militares e das forças armadas revela um limite ultrapassado.

Bolsonaro provocou uma crise institucional, ameaçou a democracia e se declarou fora da Constituição. Ou Bolsonaro é derrotado já, impedido de continuar ocupando a presidência da República, ou a escalada autoritária continuará; que ninguém duvide. Não foi um rompante de arrogância, mas a continuidade de um processo político que se apresentou com a homenagem ao torturador Brilhante Ustra, em fevereiro de 2016, e iniciou quando do golpe contra Dilma Rousseff.

O projeto de poder bolsonarista é antidemocrático, autoritário. A resposta do presidente do TSE, Barroso, foi a mais clara, corajosa e objetiva, enfrentando e denunciando as várias tentativas golpistas de Bolsonaro. As respostas dos presidentes da Câmara e do Senado, diante da gravidade da crise, vergonhosas, e beiram à cumplicidade.

Como em outros momentos da nossa história vivemos uma encruzilhada; ou vence o projeto autoritário, funcional aos interesses de acumulação da riqueza e da renda nacional e de privilégios de uma elite local perversa, ou é vitoriosa a democracia, espaço de luta política vital para os interesses populares.

A acomodação política neste momento representa unicamente fôlego aos golpistas e seria um erro grave imaginar que basta empurrar a mola para dentro da caixa. Enquanto isso, o Brasil derrete; 20 milhões de desempregados, preço de alimentos em disparada, apagão de energia elétrica, quase 600 mil mortes por Covid, corrupção aberta na compra de vacinas, as privatizações continuam, o fogo segue destruindo nossas florestas, os povos indígenas ameaçados como nunca, ausência de recursos para a saúde, a educação, a ciência.

Sem perder sua identidade programática, sem parar de denunciar o desastre neoliberal para o Brasil, sem deixar de anunciar um novo projeto popular para o Brasil, fortalecendo a mobilização popular, a esquerda deve estimular uma ampla unidade política e colocar no centro da disputa o impeachment de Bolsonaro e a garantia da soberania popular, da democracia no país. Que ninguém duvide do que esta turma é capaz de fazer; já estão fazendo.

 

Miguel Rossetto foi vice-governador do Rio Grande do Sul, deputado federal pelo PT e ministro nos governos Lula e Dilma

 

Foto: Marcos Corrêa/PR

 

Fonte: Sul21