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Sul21 – Antonio Escosteguy Castro: A crônica do (quase) nada

9 julho, terça-feira, 2019 às 5:48 pm

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Leite discursando1

Leite discursando1

Sul21 - A recente aprovação pela Assembleia Legislativa da venda da CEEE, Sulgás e CRM levantou duras críticas da sociedade e da imprensa independente, para além da privatização em si, sobre a ausência de projetos de Governo Estadual para aplicação dos valores que serão arrecadados e da inércia do Piratini em tomar medidas que impulsionem o crescimento de nossa economia.

Se vamos vender patrimônio público, que pelo menos se empregue o dinheiro obtido em medidas que alavanquem o desenvolvimento do Estado e não se desperdice pagando contas atrasadas. Aliás, o Governador Eduardo Leite, em sua campanha eleitoral, tinha prometido exatamente isto. Agora, parece ter mudado de idéia…

As críticas atingiram o alvo e nesta segunda-feira, 8 de julho, a Zero Hora, uma espécie de diário oficioso do Governo Eduardo Leite , estampa duas páginas nobres sobre um Plano de Parcerias com que o Governo Estadual buscaria “driblar a crise financeira e a baixa capacidade de investimento do Estado”.

Esforço de propaganda à parte, a leitura atenta da matéria é decepcionante. São pouco mais de meia dúzia de projetos, de baixíssimo impacto no desenvolvimento do Estado, na criação de empregos e no alavancamento econômico. E os poucos que têm alguma possibilidade de influência real na economia são projetos de longa maturação, como as PPPs envolvendo hidrovias. Há quanto tempo se espera que as PPPs da CORSAN saiam do papel? Os próprios “especialistas” entrevistados para elogiar o Governo consideraram o Plano pouco ousado…

A falta de ousadia na verdade significa falta de norte, de visão de desenvolvimento do Estado. A concessão de rodovias, já se viu no Governo Brito, tem como única consequência enriquecer as concessionárias para manter as faixas de trânsito pintadas e alguns veículos de socorro em troca de pedágios caríssimos. Aeroportos regionais têm baixo impacto nos negócios, nestes tempos da internet. E o resto são concessões de parques e do Tudo Fácil, que provavelmente reduzirão o emprego nestas unidades.

O Governo Eduardo Leite claramente não tem um diagnóstico da economia do Rio Grande e não sabe que medidas tomar para fazer seus setores mais dinâmicos  puxarem o desenvolvimento do Estado como um todo. Agravada a situação com uma depressão econômica causada pela receita ultra-liberal de Bolsonaro e Paulo Guedes, as autoridades gaúchas  optaram por uma ofensiva de propaganda onde o cunho ideológico (enaltecer a parceria com o setor privado) em muito supera a utilidade real destas medidas em minorar ,pelo menos, a grave crise por que passamos.

O Governo do Estado, assim como o Governo Bolsonaro, vive na ilusão de que alguns determinados fatos teriam, por si sós, a capacidade de recuperar a confiança de empresários e consumidores e lançar o país em novo ciclo de crescimento. Já foi o impeachment de Dilma, a PEC do Teto de Gastos, a Reforma Trabalhista e agora é a Reforma da Previdência (recomenda-se a leitura da coluna de Flávio Fingelspan, Eles estão chegando, aqui no Sul21 sobre este tema).

A realidade, porém, tem se negado a dar razão a estas ilusões. Derrubou-se Dilma, aprovou-se a PEC, fez-se a Reforma Trabalhista e a economia só piorou. Com a Reforma da Previdência acontecerá a mesma coisa.

A retomada do crescimento da economia depende em muito da capacidade e da qualidade do investimento do Estado. E quanto a isto , o tímido Plano de Parcerias anunciado é pouco, muito pouco, mais que nada. Eduardo Leite, na melhor das hipóteses, vai nos legar uma época de crescimento zero. Pobre Rio Grande.

 

 

Antonio Escosteguy Castro é advogado.

 

 

Fonte: Sul21