Central Única de Trabalhadores

Sob pressão da CUT-RS, metade dos deputados que votaram a favor da reforma trabalhista não se reelegeu

9 outubro, terça-feira, 2018 às 10:21 pm

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Urnas

 Urnas

As urnas deram o seu recado e 7 dos 14 dos deputados federais gaúchos, que votaram a favor da reforma trabalhista do governo ilegítimo de Michel Temer (MDB), não se reelegeram no último domingo (7) para novos mandatos no Congresso Nacional.

Darcísio Perondi (MDB), Ronaldo Nogueira (PTB), Yeda Crusius (PSDB), Renato Molling (PP), Jones Martins (MDB), Mauro Pereira (MDB) e Cajar Nardes (Podemos) não voltarão para a Câmara em 2019, assim como a senadora Ana Amélia Lemos (PP), que concorreu à vice na chapa derrotada do candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB).

“Os trabalhadores e as trabalhadoras do Rio Grande do Sul deram uma boa resposta a esses golpistas que votaram pela retirada dos direitos trabalhistas. Acreditavam que o povo iria se esquecer, mesmo escondendo durante a campanha como tinham votado, mas não adiantou e agora ficarão quatro anos sem mandato na Câmara para alívio da classe trabalhadora”, comemora o vice-presidente da CUT-RS, Marizar de Melo.

Os que foram infelizmente reeleitos são os deputados Alceu Moreira (MDB), Danrlei (PSD), Covatti Filho (PP), Jerônimo Goergen (PP), Onix Lorenzoni (DEM) e Carlos Gomes (PRB). Luiz Carlos Heinze (PP) foi eleito senador.

Ministro

Empossado no Ministério do Trabalho, em maio de 2016, logo após o golpe que derrubou a presidenta Dilma, o deputado Ronaldo Nogueira apresentou o projeto que chamou de “modernização” das leis trabalhistas.

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Ele chegou a afirmar que a medida permitiria a criação de 2 milhões de postos de trabalho nos dois anos seguintes, o que não se concretizou. Licenciou-se do cargo para votar a favor no plenário da Câmara. Nogueira deixou a pasta no final de 2017, quando o Brasil registrava mais de 13 milhões de desempregados.

Durante a campanha, o deputado fez uma jornada com os empresários em hotéis de luxo de várias cidades gaúchas para “comemorar” o primeiro aniversário do desmonte da CLT. Em Porto Alegre, a CUT-RS promoveu um ato de protesto, no Hotel Sheraton. Não adiantou, pois não foi reeleito.

Tropa de choque

O deputado Darcísio Perondi, integrante da tropa de choque de Temer, votou a favor da reforma trabalhista e igualmente não foi reeleito. Ele se notabilizou pela defesa do presidente golpista em meio à crise política desencadeada pela delação da JBS.

Perondi também votou sim para todas as medidas que prejudicaram os trabalhadores e aprovou o parecer relâmpago a favor do fim da aposentadoria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

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Censura                                         

O deputado Renato Molling (PP) é outro que terá que fazer novos planos para o ano que vem. Votou a favor da reforma trabalhista, também escondeu o fato na campanha e ficou incomodado com as postagens da CUT-RS para refrescar a memória da população.

Faltando três dias para as eleições, ele entrou com uma ação junto à Justiça Eleitoral, solicitando a exclusão de um “card” na página da CUT-RS no Facebook que mencionava o seu nome. O pedido de liminar foi negado pelo TRE-RS e a postagem não foi censurada, alcançando mais de 26 mil pessoas e obtendo cerca de 590 curtidas e 400 compartilhamentos.

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Para o secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, foi uma vitória importante na luta pelo direito à informação, pela liberdade de expressão e contra a censura. “Não podemos abrir mão do papel de comunicar como votam os representantes eleitos no parlamento”, disse. “Calar jamais”, enfatizou.

Votou, não volta!

A atuação nas redes sociais foi uma das iniciativas da CUT-RS que foram tomadas logo depois que o governo golpista encaminhou o projeto de reforma trabalhista e a proposta de reforma da Previdência para tramitação no Congresso. Milhares de jornais foram distribuídos nas bases eleitorais dos deputados, denunciando os parlamentares aliados de Temer, com as fotos, os nomes e os partidos. Houve também inúmeros protestos nos aeroportos e no Congresso.

“A campanha surtiu efeito, como comprova a não reeleição de metade dos deputados que apoiaram a reforma trabalhista. Votaram contra os direitos dos trabalhadores, não voltarão em 2019. Além disso, conseguimos barrar a votação da reforma da Previdência. Nunca podemos baixar a guarda na fiscalização dos votos dos parlamentares, mas é preciso avançar para eleger mais candidatos realmente comprometidos com os interesses da classe trabalhadora”, conclui Marizar.

Reforma trabalhista votação

 

 

Fonte: CUT-RS