Central Única de Trabalhadores

Seminário de Comunicação repudia prisão e indiciamento do jornalista Matheus Chaparini

5 dezembro, segunda-feira, 2016 às 8:45 pm

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Chaparini recebe apoio

Chaparini recebe apoio

Por aclamação, os participantes do Seminário Estadual “Comunicação, Democracia e Resistência”, realizado nos dis 1º e 2 de dezembro, no auditório da Fetrafi-RS, em Porto Alegre, aprovaram uma moção de repúdio ao governo do Estado contra a prisão e o indiciamento do jornalista Matheus Chaparini, do Jornal Já.

O texto foi apresentado pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS (Sindjors), Milton Simas, durante a mesa temática “Mídia Alternativa e Ativismo Digital”. Chaparini foi preso em pleno exercício da profissão na desocupação de estudantes secundaristas no prédio da Secretaria da Fazenda, no último dia 15 de junho. O documento cobra o arquivamento do caso e um pedido de desculpas formal do governador Sartori.

Desde o inicio da operação deflagrada pela Brigada Militar, o repórter se identificou e, mesmo assim, foi preso juntamente com os estudantes e com o cinegrafista independente Kevin D’Arc, de São Paulo, e responde na Justiça por quatro crimes. O ptocesso tramita na 9ª Vara Criminal do Foro Central de Porto Alegre.

“Este tipo de manifestação é bem importante, pois é uma batalha que é policial, mas também é política”, ressaltou Chaparini, que estava presente no seminário e emendou: “Não é um ataque a uma pessoa, mas a uma categoria inteira”.

Ataque à liberdade de expressão

Apesar das manifestações do Jornal Já, do Sindicato dos Jornalistas, da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e de outras entidades da sociedade civil, que atestaram que o repórter estava no exercício de sua profissão, o boletim de ocorrência feito pela Brigada Militar enquadrou Chaparini como manifestante. O delegado que fez o inquérito manteve esse entendimento, assim como o promotor e a juíza Cláudia Junqueira Sulzbach, que acolheu a denúncia contra Chaparini.

“O que está acontecendo no Rio Grande do Sul é um ataque à liberdade de expressão e de imprensa. As autoridades seguem negando o erro que cometeram, uma vez que Chaparini estava no pleno exercício da função e se identificou. O governador José Ivo Sartori, que é pai de jornalista, deve um pedido de desculpas aos jornalistas gaúchos e brasileiros. Vamos nos manter atentos”, disse Milton Simas.

Para o secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, “a prisão e o indiciamento de Chaparini são uma tentativa descabida de criminalização dos jornalistas e dos movimentos sociais, o que fere o estado democrático de direito e revela que estamos vivendo infelizmente um estado de exceção”.

Chaparini

Leia a íntegra da moção de repúdio:

Moção de repúdio

Nós, participantes do Seminário Estadual “Comunicação, Democracia e Resistência”, reunidos em Porto Alegre nos dias 1º e 2 de dezembro de 2016, repudiamos de forma veemente a violência cometida pelo Estado do Rio Grande do Sul, por ocasião da prisão e do indiciamento do jornalista Matheus Chaparini.

Desde o inicio da operação deflagrada pela Brigada Militar, no dia 15 de junho, para desocupar o prédio da Secretaria da Fazenda, onde se encontravam estudantes secundaristas, o profissional se identificou como repórter e, mesmo assim, foi preso juntamente com os estudantes e com o cinegrafista independente Kevin D’Arc. Eles foram liberados mais de 14 horas após o início da ação e respondem ao processo em liberdade.

Chaparini foi indiciado por quatro crimes: dano qualificado ao patrimônio, resistência, associação criminosa e obstrução do trabalho.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS está acompanhando o caso em diversas frentes, pois entende que as prisões do jornalista e do cinegrafista são um ataque direto à liberdade de imprensa.Assim, manifestamos o nosso repúdio à posição do governador José Ivo Sartori, que, na condição de comandante em chefe da BM, autorizou a ação e não se sensibilizou, mesmo após a divulgação dos vídeos que mostram as arbitrariedades cometidas pela polícia. Cobramos, portanto, o arquivamento do caso e um pedido de desculpas formal do governo do Estado.

Porto Alegre, 2 de dezembro de 2016.

 

 

Fonte: CUT-RS com Sindjors