Central Única dos Trabalhadores

Sem propostas para questões de saúde e segurança, Banrisul frustra negociação

18 setembro, sexta-feira, 2015 às 10:04 pm

Comentários    Print Friendly and PDF

Banrisul negocia 1709

Após quatro horas de debates na sede da Fundação Banrisul de Seguridade Social, (FBSS), no Centro de Porto Alegre, a segunda mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Banrisulenses e representantes da diretoria do banco terminou nesta quinta-feira, dia 17, sem avanços. Os temas abordados foram saúde e segurança.  A próxima reunião será na próxima quarta-feira, dia 23, às 14h, na Casa dos Bancários. Os banrisulenses devem ficar atentos ao tema. Estarão em debate a valorização profissional, a democratização das relações de trabalho e os prêmios e auxílios.

Logo na abertura da rodada, o superintendente de Gestão de Pessoas do Banrisul, Gaspar Saikoski, focou a conjuntura econômica. Ele mencionou o retorno da CPMF, a Contribuição sobre Movimentação Financeira, de 0,2%, e o impacto que teria para os bancos. Os membros do Comando dos Banrisulenses rejeitaram novamente esse argumento, destacando que a volta do imposto não afetará em nada a lucratividade do setor financeiro, que cresceu muito no primeiro semestre de 2015.

Após ouvir o relato do presidente do SindBancários, Everton Gimenis,  sobre os debates na mesa de negociação nacional e ser informado de que a Fenaban havia finalmente reconhecido o volume muito grande de bancários adoecidos, o banco fez o mesmo. No entanto, a proposta para combater o adoecimento foi a retomada da Comissão de Saúde. Ficou acertado que 20 dias após a assinatura do aditivo deste ano começarão as reuniões do fórum, que é formado por representantes do banco e dos banrisulenses.

Em relação à segurança, a estratégia dos representantes do Banrisul foi a mesma. Repassar os debates para a Comissão de Segurança. Os negociadores do Banco anunciaram investimentos em inteligência, mais equipamentos, mas não assumiram nenhum compromisso com a pauta dos banrisulenses. Os dirigentes sindicais  demonstraram que os investimentos se concentram na defesa do patrimônio em detrimento da proteção à vida de trabalhadores e clientes.

“Os banqueiros reconheceram que os bancários estão adoecendo, mas demoraram muito tempo. O adoecimento dos bancários teve que virar uma epidemia para eles assumirem isto. Estamos propondo uma forma de resolver aqui na mesa de negociação, melhorando as condições de trabalho para os colegas”, disse o diretor da Fetrafi-RS, Carlos Augusto Rocha.

Gimenis reagiu à tentativa dos representantes do banco de relativizar os dados da Pesquisa Trabalho e Saúde Mental da Categoria Bancária do Rio Grande do Sul, realizada pelo SindBancários em parceria com a Fetrafi-RS e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

“Não houve avanços na mesa de negociação. De toda a nossa pauta de saúde, propor a retomada da Comissão de Saúde é muito pouco. Prevenção é investimento, não é custo”, avaliou Gimenis.

Os dados da pesquisa das entidades sindicais indicam que 46,9% dos banrisulenses, que responderam aos questionários, admitem uso de remédios e que 21,7% usam medicação controlada devido ao trabalho. Outro dado mostra que 45,4% dos participantes da pesquisa sofrem de depressão e ansiedade.

 

Fonte: CUT-RS com SindBancários e Fetrafi-RS