Central Única de Trabalhadores

Sem o fim dos oligopólios de mídia não pode haver democracia no Brasil, diz Franklin Martins

16 abril, segunda-feira, 2018 às 12:29 pm

Comentários    Print Friendly and PDF

Franklin fala

Franklin fala

A necessidade de se democratizar os meios de comunicação e combater os oligopólios do setor, a importância de se regular o uso de dados pessoais por empresas de internet sem desresponsabilizar o Estado e o papel estratégico da comunicação para a sociedade foram o centro do debate que abriu o ato político da Conferência Nacional #LulaLivre: Vencer a Batalha da Comunicação na última sexta-feira (13).

O jornalista e ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins, a coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Renata Mielli e a coordenadora do Intervozes, Bia Barbosa, compuseram o painel de discussão.

Franklin Martins destacou que sem o fim dos oligopólios não pode haver democracia no Brasil. Para ele, a questão da democratização dos meios de comunicação é vital para as democracias. “Se tem uma coisa que de alguma maneira pode se chamar de positiva nesse golpe, é que escancarou essa questão”, afirmou.

Para o ex-ministro, “o povo brasileiro sofreu uma grande derrota com o golpe e este é um momento de pensar. O golpe não veio pelos nossos erros. Veio pelos nossos acertos”.

“Os governos inclusivos democráticos desmontaram a ideia de que os pobres eram um peso. Ao contrário. Eles mostraram que quando se governa para todos você passa a ter no povo uma energia fundamental.”

“Estes 13 anos destruíram o discurso da direita. Foram os acertos que motivaram o golpe porque eles perceberam que não tinham como enfrentar mais no discurso. A direita não tem discurso porque não tem plano de governo.”

Mas o golpe também triunfou por causa dos nossos erros. Ele triunfou e ocupou uma cadeira vazia. Nós convivemos docemente com os oligopólios da comunicação. E foi o oligopólio que organizou e deu narrativa ao golpe. Eles suspenderam a programação para transmitir uma queda de governo˜.

Fake news

Bia Barbosa falou do debate sobre regulação de uso dos dados pessoais e liberdade de expressão na rede. Falou sobre o perigo de se combater as fake news com iniciativas que responsabilizem apenas as empresas ou que permitam a censura.

“A gente usa a internet para fazer a contra-narrativa, mas a internet como a gente conheceu está ameaçada”, destacou Bia. “Para começar, tem 40% da população pobre fora dessa ferramenta”.

Ela lembrou que “o governo Temer quer excluir o poder público da responsabilidade dos dados fornecidos na internet. Temos que lembrar que o Estado tem todos os nossos dados. Então temos que pensar o quanto é fundamental a luta para que o Estado também respeite as regras”.

“Outro ponto que a gente tem negligenciado é a liberdade de expressão nas redes. Vamos lembrar da emenda  de um deputado, que quase foi sancionada, que queria obrigar a retirada imediata de dados na internet para supostamente combater a fake news. A gente precisa enfrentar o debate das notícias falsas, mas a gente não pode entrar no discurso da direita que combate é transferir para as plataformas a responsabilidade sobre o conteúdo. A direita está dando essa alternativa fácil e a esquerda não pode cair nestas armadilhas.”

Direito

Renata Mielli destacou que falta compreensão do papel estratégico da comunicação para a sociedade, não só para os governos. “É preciso discutir a comunicação como um direito, não como um entretenimento que apenas assisto cansado após o trabalho. As pessoas não entendem que deveriam ter mecanismos de se defender de programas que atentam aos direitos humanos. É compreender a que a comunicação é disputa simbólica da sociedade que queremos construir”.

Renata Mielli e Gleisi

Segundo Mielli, “democratização da comunicação não é uma proclamação, é uma agenda política de luta”. “Não é só a questão da democratização da comunicação como um slogan a ser propagado. A democratização é disputa simbólica do que queremos construir”.

“Nós nunca fizemos a disputa simbólica do que significava as politicas sociais. As pessoas pensavam que o ProUni era coisa de Deus, depois do esforço pessoal e por último fruto de um plano de governo.”

A Conferência Nacional de Comunicação #Lulalivre teve como objetivo potencializar a comunicação em um cenário de retirada de direitos, da implantação da agenda neoliberal do golpe e de perseguição, não só de parte do Judiciário, mas também pela grande imprensa, ao ex-presidente Lula.

 

 

 

Fonte: Agência PT Notícias