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Sem direitos e sem acordo, trabalhadores da Dataprev podem entrar em greve na próxima segunda

3 março, quarta-feira, 2021 às 10:29 am

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Dataprev

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A suspensão brusca do plano de saúde e do ticket refeição para todos os trabalhadores e trabalhadoras da Dataprev, em plena pandemia, com o crescimento de mortes e casos de Covid-19, apesar do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de 2019/2020 estar ainda vigente e mais de um ano de negociação sem que a empresa ofereça reajustes salarias indignaram a categoria, que pode entrar em greve nacional na próxima segunda-feira (8).  

A Dataprev é uma empresa pública de Tecnologia e Informações da Previdência, vinculada ao Ministério da Economia e responsável pela base de dados de toda população brasileira.

A decisão da categoria está sendo planejada de forma gradual. Nesta terça-feira (2), estão sendo feitas assembleias nos estados conforme as agendas locais para reiterar a decisão de paralisação que já vem sendo discutida entre os trabalhadores, segundo Socorro Lago, da Coordenação Nacional de Campanha Salarial da Dataprev e Secretária de Mulheres da Federação Nacional dos Trabalhadores de Empresas de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares (Fenadados).

A greve já foi aprovada no Rio Grande do Norte, na Paraíba, São Paulo, Brasília e Bahia. Em alguns estados, onde as assembleias aconteceram na semana passada, foi aprovada a luta pelo dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST) sem cruzar os braços.

A negociação da Campanha acontece desde maio do ano passado e a pauta de reivindicação da categoria foi entregue 90 dias antes da data base e foi negado pela empresa.

“A gente vem renovando o acordo em todo este período de negociação para exatamente não permitir nenhum direito a menos. E agora a empresa manda e-mail para os trabalhadores para dizer que só renovaria o Acordo Coletivo se fosse retirado duas clausulas que envolvem, entre outras coisas, o fim do plano de saúde e do ticket de refeição, como se o problema da negociação fosse os sindicatos. Isto é uma chantagem com os trabalhadores, diz Socorro Lago.   

O que diz o ACT da Dataprev

O Acordo Coletivo da categoria garante que os empregados, ativos e passivos, e seus dependentes sejam amparados pelo plano de saúde empresarial. Segundo a Dataprev, a Geap, empresa de plano de saúde da categoria, não quis manter o contrato, porém numa audiência no Tribunal Superior do Trabalho (TST) de conciliação entre a Dataprev, Geap e Fenadados a empresa não compareceu.

“É importante a aprovação da greve porque força o dissídio a acontecer o mais rápido possível. Ir para o processo de negociação na justiça sem a greve vai precisar da anuência da empresa para sair um acordo. Com a greve não, se tiver a paralisação não vamos precisar da posição da empresa”, disse Socorro.

Privatização

Há um pouco mais de um ano, a Dataprev fechou mais de 20 unidades em todo país e demitiu centenas de trabalhadores. A Fenadados e seus sindicatos conseguiram, no TST, reverter as demissões e recolocar os empregados na empresa. Isso tudo, sem contar com a luta dos trabalhadores e trabalhadoras contra os outros ataques que o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) têm feito às empresas e servidores públicos.

Para Socorro, esta truculência da empresa, que tem em seu quadro diretivo só amigos de Bolsonaro, está sendo feito de forma orquestrada para facilitar a venda da Dataprev para o mercado internacional. Segundo ela, é muito importante dizer para a sociedade para que serve a Dataprev e frisar que o prejuízo da privatização será de toda população.

“Todos os dados do povo brasileiro estão na Dataprev. É nesta empresa que passa todas as informações dos trabalhadores e das trabalhadoras brasileiras para acessar qualquer benefício previdenciário e, inclusive, o auxílio emergencial. Vender este nosso bem é vender todos os nossos dados e nossa soberania para o mercado internacional. A luta contra as privatizações também é nossa”, explicou Socorro.

Drama dos trabalhadores

A dirigente da Fenadados conta um dos trabalhadores da Dataprev  está desesperado, com medo de perder a esposa que precisa de respiradores em casa para sobreviver, e o plano de saúde mandou buscar todos os equipamentos dela devido ao fim do contrato. 

Além dele, a mãe de um dos trabalhadores que tem câncer foi fazer quimioterapia e não conseguiu atendimento. Outro foi ao hospital para  um tratamento contínuo, e acabou voltando para a casa sem fazer o procedimento médico,  e nem sabia que não tinha mais plano de saúde.

Arquivo da família

Mãe do trabalhador que ficou sem os equipamentos de saúde. Arquivo: Família.

“A gente fica assim, tentando ajudar os trabalhadores e ainda buscando alternativas para a luta pela categoria e contra este governo. A gente vai cobrar a empresa criminalmente também. Deixar a gente sem plano de saúde no meio de uma pandemia é desumano e irresponsável. O governo tirou toda possibilidade de tratamento e colocou todo mundo em risco de morte”, afirma a dirigente.

Ação antissindical

Socorro conta que na manhã desta terça os dirigentes sindicais ligados à Dataprev receberam um e-mail da empresa encerrando a liberação dos representantes dos trabalhadores e solicitando a todos e todas que voltem aos locais de trabalho no mesmo dia.

“Eles estão jogando sujo na comunicação com objetivo de colocar a culpa da intransigência deles no movimento sindical com mentiras, como Bolsonaro costuma fazer. E agora tiraram nosso direito de lutar pela categoria. A gente não pode deixar isso acontecer. Vamos reagir”, disse a dirigente.

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Fonte: Érica Aragão com edição de Rosely Rocha – CUT Brasil