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Sem capacidade, Hospital Moinhos de Vento aluga contêiner para acomodar pacientes mortos

2 março, terça-feira, 2021 às 5:10 pm

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Moinhos5

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A direção do Hospital Moinhos de Vento, o maior da rede privada de Porto Alegre, decidiu alugar um contêiner refrigerado para colocar os pacientes mortos por Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, após o esgotamento do necrotério do local.

A instituição está com índice de internação superior à capacidade de leitos de UTI, registrando 114,9% de ocupação no início da tarde desta terça-feira (2). 

"A nossa lista do morgue (necrotério), ontem (segunda-feira), ultrapassou a capacidade de acomodar as pessoas que faleceram dentro do hospital. Estamos contratando um contêiner para poder colocar as vítimas", disse, em entrevista à GloboNews, o superintendente médico do hospital, Luiz Antonio Nasi.

Outras medidas emergenciais já foram tomadas, como a transformação do centro cirúrgico e salas de recuperação em alas para receber doentes com covid-19  relatou.

"Campo de guerra"

Nasi classificou a situação como “caótica”, relatando um cenário de "guerra" nas alas da instituição. “É um campo de guerra. Todo mundo sendo mobilizado no hospital, médicos, anestesistas, enfermeiros de todas as áreas. Nós estamos, realmente, com uma situação calamitosa”, disse.

O superintendente citou que o hospital atendeu mais de 7 mil pessoas com covid-19 ao longo do último ano e que há a percepção de que a situação no momento é diferente da encontrada até então no combate à doença.

Ele acredita que a piora dos índices de internação e de óbitos tem relação com a disseminação da variação P1 do coronavírus no Estado, defendendo a maior restrição no trânsito de pessoas. 

"Apogeu da gravidade"

"Atingimos o apogeu da gravidade. Os pacientes, além de serem mais jovens, estão muito mais graves. O tempo de permanência na UTI e os recursos dispensados para melhorar a oxigenação dos pacientes foram multiplicados. Isso determinou uma quebra da nossa rotina", destacou

Para atuar frente ao aumento de pacientes e da gravidade dos internados, médicos, anestesistas e enfermeiros de todas as áreas estão sendo requisitados para atuar na área covid.

Confira a íntegra da nota divulgada pelo hospital

O Hospital Moinhos de Vento iniciou, esta semana, a execução de mais uma etapa do seu Plano de Gestão de Crise — elaborado pelo Comitê de Enfrentamento da COVID-19, criado no começo do ano passado. O momento atual registra os índices mais altos de internações e agravamento dos casos, gerando potencial crescimento no número de óbitos.

Diante desse cenário, o hospital colocou em prática a expansão programada em plano da estrutura do morgue (necrotério). Mesmo que não venha a ser utilizada, trata-se de uma medida preventiva que se faz necessária dentro dos padrões de qualidade assistencial e médica da instituição. 

A partir desta terça-feira (2), será instalado provisoriamente um contêiner refrigerado anexo ao hospital. Será utilizado somente em caso de real necessidade, considerando a possibilidade de atrasos na retirada dos óbitos por parte das funerárias, realidade essa percebida em outras cidades do Brasil e do mundo. A estrutura atual comporta até três óbitos e está adequada às normas, condições de normalidade e porte do Hospital Moinhos de Vento.

Há um ano, a instituição aplica medidas e adapta suas rotinas, buscando garantir a qualidade do atendimento e a segurança às equipes e pacientes. Abriu leitos de terapia intensiva de retaguarda e fechou a tenda de atendimento a pacientes com suspeita de COVID-19, direcionando para o atendimento da Emergência, que só recebe casos classificados como vermelho e laranja. Também, limitou a transferência de pacientes que necessitam de leitos no Centro de Terapia Intensiva. Os esforços são voltados a proporcionar o suporte necessário para ocasionar os melhores desfechos possíveis.

O Hospital Moinhos de Vento está com mais de 100% de ocupação dos leitos de terapia intensiva. Pessoas com menos de 60 anos de idade correspondem a 35% dos pacientes internados, o que enseja um sinal de alerta para que a população mais jovem redobre os cuidados

A instituição reforça o apelo à comunidade para que atente às normas de proteção. É fundamental que todos sigam as orientações das autoridades sanitárias, utilizando máscara em todos os momentos e higienizando as mãos e os ambientes de contato. E recomenda, ainda, que evitem ao máximo aglomerações e circulações desnecessárias, mantendo sempre o distanciamento social, principalmente neste momento crítico.

 

Foto: GZH

 

Fonte: CUT-RS com informações de GZH e do Brasil 247