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Sem ajuda da Prefeitura, desfile das escolas de samba de Porto Alegre fica para final de março

12 janeiro, sexta-feira, 2018 às 10:07 am

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Carnaval

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Sul21 – Pelo segundo ano consecutivo, os desfiles de Carnaval de Porto Alegre não terão ajuda financeira do poder público. Na tarde de quarta-feira (10), a Liga Independente das Escolas de Samba da Capital (Liespa), convocou uma coletiva de imprensa para anunciar que uma empresa privada irá assumir o orçamento de R$ 2 milhões e que o Carnaval será outra vez fora de época. A data escolhida é o último final de semana de março.

“Estamos em busca de soluções para o Carnaval não parar”, disse o presidente da Liespa, Juarez Gutierres de Souza, em entrevista ao Sul21. Segundo ele, a “força-tarefa” da Prefeitura, para apoiar o evento mesmo sem dinheiro público no ano passado, “funcionou em quase nada”. Esse ano, as escolas estão em busca de parcerias por conta própria.

Até 2016, de acordo com o presidente da Liga, a Prefeitura aportava 60% dos custos do evento. O primeiro ano de governo de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) mudou isso.

Uma das primeiras políticas de corte do prefeito, no segundo mês de mandato, foi anunciar que o Carnaval não teria dinheiro público. Ele nem analisou a proposta das escolas, para “não dar falsas esperanças”. Na época, a justificativa foi de que a situação financeira da Prefeitura era “catastrófica”.

Coletiva de apresentação do Carnaval 2018, Liespa | Foto: Fatima R Oliveira/ Liespa

“Não estamos nada satisfeitos [com essa posição]. Entendemos que o poder público tem que ajudar, por força constitucional, a cultura de maneira geral e, mais ainda, a cultura popular. Isso é um descumprimento das leis que conseguimos conquistar ao longo dos anos”, afirma Gutierres.

A Secretaria Municipal de Cultura confirma que não haverá verba orçamentária disponível para o Carnaval deste ano, mas diz que a Prefeitura estaria “construindo” soluções junto com a Liespa. Questionada pela reportagem sobre quais seriam as questões em construção, no entanto, a pasta não entrou em detalhes e disse que informaria assim que tivesse definições.

A única ação apontada foi a autorização assinada pelo vice-prefeito Gustavo Paim (Progressistas), que está substituindo o prefeito em férias, para repor a fiação que foi roubada no Complexo do Porto Seco.

Em agosto, um grupo de carnavalescos que discutia saídas para o Carnaval deste ano, na Câmara de Vereadores, acusou o prefeito de apoiar apenas “festas importadas e elitizadas”. Um deles, chegou a citar a lei municipal que prevê a destinação de 1% da arrecadação tributária de Porto Alegre para estrutura e ornamentação do Carnaval de rua. Segundo Alan Carlos Dias da Silva, da Liga Independente Das Entidades Carnavalescas do Rio Grande do Sul, ela não estaria sendo cumprida.

Com experiência em dois mandatos de vereador, Gutierres diz que cortar orçamento do Carnaval virou tática para opinião pública. Segundo ele, basta olhar a situação da saúde e educação na cidade hoje, para ver se os cortes surtiram algum efeito. Além disso, ele defende a responsabilidade social das escolas, que dura mais do que a semana de festa no início do ano.

“O poder público não reconhece a cultura popular, a sua importância, não apenas do evento ou do desfile, mas aquilo que as escolas de samba, nos seios de suas comunidades, potencializam pelo social. Por exemplo, nós contribuímos com a segurança pública preventiva, temos oficinas e implementação de trabalhos internos, envolvendo crianças e adolescentes. Isso é trabalho de responsabilidade social”, defende Gutierres.

 

 

Fonte: Sul21