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Rompimento de barragem em Brumadinho deixa pelo menos 200 pessoas desaparecidas

25 janeiro, sexta-feira, 2019 às 5:59 pm

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O rompimento da Barragem Mina Feijão da mineradora Vale atingiu a cidade de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, nesta sexta-feira (25). De acordo com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de Minas Gerais, não há notícia de nenhuma vítima fatal até o momento, mas pelo menos 200 pessoas estão desaparecidas entre moradores da região e funcionários da empresa e quatro foram internadas no Hospital João XXIII.  

Segundo a direção da Vale, a área administrativa, onde estavam funcionários, foi atingida, assim como a comunidade da Vila Ferteco. No momento do rompimento da barragem, o refeitório da Companhia Vale do Rio Doce estava servindo o almoço. A capacidade do salão era para 2 mil pessoas. Trabalham na unidade 613 trabalhadores, em 3 turnos, mais 28 pessoas terceirizados. O refeitório foi soterrado, mas não há ainda informações sobre quantas pessoas estavam no local, de acordo com a Defesa Civil.

O acidente ocorre cerca de três anos depois da tragédia de Mariana, também em Minas Gerais, como lembrou a RBA. Naquele que é o maior acidente ambiental da história do Brasil, uma barragem da mineradora Samarco, pertencente à Vale e à BHP Billinton liberou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos, o suficiente para encher 24.800 piscinas olímpicas. Morreram 19 pessoas do distrito de Bento Rodrigues, além de a lama tóxica ter deixado um rastro de destruição pela extensão do Rio Doce até o Oceano Atlântico, com prejuízos ambientais incalculáveis.

O governo de Jair Bolsonaro enviou três ministros ao município: Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional), Ricardo Salles (Meio Ambiente) e o almirante Bento Albuquerque (Minas e Energia). O governador Romeu Zema anunciou a criação de um gabinete estadual de crise.

A Defensoria Pública também montou estrutura no local para atender a população atingida. Pode-se fazer contato com os advogados, que prestam serviço gratuitamente, pelo telefone (31) 99619-9756.

O rompimento de hoje ocorreu na Mina Feijão e avançou sobre a cidade. Segundo o vice-prefeito de Brumadinho, Leônidas Maciel, o rompimento da barragem “foi um grave acidente, o comércio da cidade foi fechado e deve haver mortos, embora não haja confirmação".

A prefeitura emitiu alerta para que a população se afaste do rio Paraopeba, para evitar contaminação por possíveis matériais tóxicos.

De acordo com o site da empresa há duas barragens com o nome Mina do Feijão, uma delas com cerca de um milhão de metros cúbicos e outra, com aproximadamente 290 mil metros cúbicos e é utilizada para a "contenção de sedimentos e clarificação do efluente final."

Também ao portal O Tempo, o promotor Guilherme Meneghin, da 1ª Promotoria de Mariana, que atuou no rompimento das barragens da Samarco, disse que o rompimento de Brumadinho é uma "tragédia anunciada" e que a Vale "tem completa noção de que todas as suas barragens de rejeitos, nessa configuração de barragens – à montante nas comunidades –, inevitavelmente em algum momento vão ser rompidas".

Meneghin disse que uma nova batalha judicial entre as vítimas e a empresa deve se iniciar nas mesmas dificuldades do que ocorreu em Mariana. "Com uma legislação fraca, que fragiliza as vítimas frente essas grandes empresas, vai ser uma verdadeira batalha judicial como estávamos enfrentando aqui para garantir a reparação das vítimas e do meio ambiente. É lamentável", finalizou o promotor.

O que diz a Vale

Segundo o jornal O Tempo, a Vale emitiu a seguinte nota:

"A Vale informa que ocorreu, no início da tarde de hoje, o rompimento de uma barragem na Mina Feijão, em Brumadinho (MG). As primeiras informações indicam que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. Ainda não há confirmação se há feridos no local.

"A Vale acionou o Corpo de Bombeiros e ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens.

"A prioridade total da Vale, neste momento, é preservar e proteger a vida de empregados e de integrantes da comunidade.

"A companhia vai continuar fornecendo informações assim que confirmadas."

 

 

Fonte: CUT Nacional