Central Única dos Trabalhadores

“Reajuste do mínimo regional não é pra gastar em Miami, mas no consumo”, afirma CUT-RS em audiência pública em Novo Hamburgo

2 dezembro, quarta-feira, 2015 às 11:30 pm

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Claudir em NH

Claudir em NH

Na segunda audiência pública regional, realizada no início da noite desta quarta-feira (2), na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, alertou que o reajuste de 11,55% do salário mínimo regional, defendido pelas centrais sindicais, “não é pra gastar em Miami ou em Paris, mas sim no consumo, nos mercados, nos botecos, para aquecer a economia e ajudar o Rio Grande a crescer”. A reunião foi presidida pelo deputado estadual Tarcísio Zimmermann (PT).

Claudir disse que estava “de saco cheio com os mitos que as federações patronais vivem espalhando na mídia”. Os patrões alegam que o reajuste do chamado piso regional causa desemprego, aumenta a informalidade e prejudica micro e pequenas empresas. O dirigente da CUT-RS apresentou dados que desmontam essas teses e comprovam a geração de empregos no Estado desde 2002, quando foi criado no governo Olívio Dutra (PT).  “Esses mitos são mentirosos”, salientou.

O presidente da CUT-RS criticou o fato de que até agora o governador não concedeu uma audiência para as centrais sindicais nem enviou um projeto de lei em regime de urgência para a Assembleia Legislativa. “O governo Sartori está nos enrolando. Já entregamos a pauta de reivindicação em 13 de setembro. Mas o governo mandou o assunto para a Casa Civil e aos secretários do Trabalho, do Planejamento e do Desenvolvimento. A gente percebe que para o governo o piso bom é o piso do Tumelero”, apontou.

Reajuste para os pobres

“Esse reajuste é para os pobres, os trabalhadores mais vulneráveis”, salientou Claudir enfatizando que atinge as categorias que recebem os menores salários e muitas ainda não possuem organização sindical e força de mobilização.

Além disso, alertou Claudir, “o governo está querendo fazer arte no final do ano”, chamando uma convocação extraordinária dos deputados “entre o Natal e o Ano Novo”. Para ele,  “tudo indica que a proposta que virá do governo será de 4%”, disse indignado com esse índice vergonhoso.

Claudir em NH 1

Fixinha age contra os trabalhadores

“Quero agradecer aos deputados que aprovaram as audiências públicas e denunciar que os deputados João Fischer e Any Ortiz se retiraram da reunião da Comissão de Economia da Assembleia Legislativa na tentativa de retirar o quórum para que não houvesse esses debates regionais. “O Fixinha se mandou para não ter número suficiente de deputados para votar, mas não conseguiu”, ressaltou Claudir.  “Aqui tem pobre? Ele pediu voto aos pobres?”, perguntou. “Vamos denunciá-lo e mostrar de que lado atua esse deputado”, propôs.

“Fixinha se elege com muitos votos em Novo Hamburgo, mas vota contra os trabalhadores na Assembleia Legislativa. Quando o mínimo regional for votado, temos que estar lá e pressionar os deputados”, disse o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo, Jorge Correa.

NH piso

Mínimo regional não reduz investimentos

Tarcísio exibiu vários gráficos e tabelas mostrando a evolução do mínimo regional ao longo dos anos. “O piso regional foi concebido para ser 30% maior do que o mínimo nacional, que era a diferença entre o PIB do Estado e o PIB do País”, explicou o deputado, que era secretário do Trabalho no governo Olívio Dutra. “Nos governos Rigotto e Yeda houve perdas e no Tarso um ganho de 20%”, salientou o parlamentar.

“O piso regional é uma referência, mas não impositiva para as negociações das categorias”, frisou. “Com esse instrumento, o RS não perdeu capacidade de atração de novos investimentos”, destacou o deputado.

NH piso 1

Sartori: cadê o projeto de reajuste?

Vários dirigentes sindicais da CUT se manifestaram,  destacando a importância do mínimo regional para os trabalhadores e cobrando providências do governo Sartori para enviar o projeto de lei aos deputados.

“O governador começou o ano aumentando o seu próprio salário e dando calote nos servidores públicos. Agora não quer receber as centrais sindicais para negociar”, criticou o secretário de Relações do Trabalho da CUT-RS, Antonio Guntzel.

“Estamos diante da maior campanha salarial no Estado, beneficiando cerca de 1,5 milhão de trabalhadores. A inflação cresceu e os preços subiram. Não se admite reajuste abaixo da inflação. O piso regional é instrumento de distribuição de renda e combate às desigualdades”, ressaltou o secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr.

“Está na hora de os empresários parar com a choradeira e pagar o reajuste de 11,55% que só vai recuperar a perda com a inflação. Precisamos nos unir e buscar o que é de direito da classe trabalhadora”, frisou a secretária de Igualdade Racial da CUT-RS, Angélica do Nascimento.

Também participaram dirigentes da CTB, Força Sindical e Nova Central, bem como o vereador Ênio Brizola (PT), de Novo Hamburgo. Ainda compareceu um representante da Federasul .

NH piso 3

Próxima audiência em Caxias do Sul

A terceira audiência pública sobre o reajuste do mínimo regional será realizada na próxima segunda-feira (8), na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul.

 

Fonte: CUT-RS