Central Única de Trabalhadores do Estado do Rio Grande do Sul

Professores municipais de São Leopoldo aprovam participação na greve geral de 28 de abril

20 abril, quinta-feira, 2017 às 3:19 pm

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Os professores municipais de São Leopoldo vão aderir à Greve Geral do dia 28 de abril. A decisão de paralisar as atividades, assim como fizeram no dia 15 de março, somando-se à luta a outras categorias na luta pela permanência dos direitos trabalhistas e a aposentadoria, foi aprovada na última quinta-feira (13), durante reunião do Conselho Político do CEPROL – Sindicato.

Resgatando o histórico das mobilizações ocorridas em março, a vice-presidenta do Sindicato, Cristiane Maria Mainardi, afirmou que o desafio agora é dialogar com a sociedade. “Os sindicatos conseguiram atingir as suas respectivas bases e mostrar o que está acontecendo, agora precisamos inserir a sociedade como um todo no debate”, apontou.

Ela ressaltou que, no bojo da reforma da Previdência, vem a reforma trabalhista, as terceirizações já aprovadas, e demais perdas. “Em um ano perdemos o Ciência sem Fronteiras, tivemos o congelamento das verbas da saúde e educação por 20 anos, a redução de 61% da verba para atendimento à mulher em situação de violência, e o aparecimento do Escola sem Partido”, pontuou.

Força da Mobilização

Jader Santini, 1º tesoureiro do Sindicato, destacou o papel do discurso midiático. “Vem sendo dito na mídia que o governo recuou em alguns pontos na reforma da previdência, na prática isso não acontece (anuncio de que servidores estaduais e municipais ficarão de fora da proposta de reforma da Previdência (PEC 287)”. Ele destacou a importância de se ter maturidade para perceber a manipulação em relação a essas informações.

Angelita Lucas, 1ª secretária do Sindicato, destacou que, através das mobilizações ocorridas, a base do governo perdeu força. “Hoje o governo não tem os 308 votos para passar a reforma da Previdência. Precisamos fortalecer o dia 28 para que essas perdas de fato não ocorram”, frisou.

A presidenta do Sindicato, Andreia Nunes, ao relatar sua ida à Brasília para entregar o Manifesto, falou sobre o clima encontrado lá. De acordo com a dirigente, há um forte cerceamento a qualquer tipo de manifestação, seja portando um simples adesivo, até gravações de falas.

Para Andreia, isso também reflete o receio que o legislativo tem das manifestações. “Ano que vem tem eleição, o Temer não tem problema, não adianta mais ninguém tentar salvar ele, mas os outros sim, são candidatos”. Para ela, o dia 15 abalou, e se dia 28 for de fato maior que o dia 15, há uma grande possibilidade de se enterrar a reforma da Previdência

Contra o aniquilamento de direitos

Nó último dia 12, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) fez a leitura substitutivo ao Projeto de Lei 6.787, de reforma trabalhista. O texto mexe em 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), entre eles a flexibilização de jornada de até 12 horas diárias.

A CLT, surgida com o Decreto-Lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943, do presidente Getúlio Vagas, é resultado de anos de luta e trabalho (como a Greve Geral de 1917) e tem como papel principal a proteção dos direitos do trabalhador, a regulamentação das relações individuais e coletivas do trabalho, nela previstas.

Para o CEPROL, as reformas visam acabar com os direitos trabalhistas, com a CLT e desmontar o movimento sindical. “A palavra de ordem é resistência”, frisou Cristiane. “Precisamos seguir unidos, atentos e fortes. Essa é uma luta não só para o presente, mas em especial para as futuras gerações. Nenhum direito a menos para ninguém.”

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100 anos depois

Em 1917, a insatisfação acumulada dos operários deflagrou a primeira e maior paralisação de trabalhadores do país, também no dia 28 de abril. A Greve Geral, como foi denominada, teve origem em São Paulo e propagou-se por diversas capitais como Recife, Porto Alegre e Rio de Janeiro.

Apesar das demandas variarem regionalmente, a luta por direitos era uma pauta bastante difundida nas organizações. Na época, os grevistas pediam a regulamentação do trabalho também às mulheres e jovens, a diminuição da jornada de trabalho, que na época poderiam ser de até 16 horas, e demais garantias trabalhistas.

Hoje, 100 anos depois, impulsionados pelo desmonte do Estado de Direito, promovido pelo governo de Michel Temer (PMDB), através da reforma da previdência e trabalhista, trabalhadores de diversas categorias se mobilizam na luta pela manutenção dos direitos conquistados. Os professores e professoras de São Leopoldo farão parte dessa luta, assim como fizeram no dia 15 e 31 de março.

 

 

Fonte: CEPROL