Central Única de Trabalhadores

Verás que não fugiremos à luta – Carmen Foro

12 maio, quinta-feira, 2016 às 6:27 pm

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Carmen

Carmen

O atual cenário político de nosso país nos impulsiona, inquestionavelmente, a um futuro de muitas batalhas a enfrentar. Ao mesmo tempo em que experimentamos o amargo sabor de mais uma batalha não ganha, sentimos mais fortemente ainda que temos marcado em nosso DNA uma irremediável capacidade de luta e resistência.

Com mais esse passo dado pela direita, nosso país ingressa em uma nova fase da luta. Contudo, como toda crise revela seu lado positivo, a ofensiva golpista no Brasil desencadeou uma reação igualmente intensa, de resistência democrática e de mobilização popular como há muito não se via por aqui. Os partidos de esquerda e os movimentos sociais em constante marcha em defesa do Estado democrático de direito evidenciam que a unificação constitui elemento fundamental ao enfrentamento das investidas nefastas de um (des)governo fascista que já nasce ilegítimo. A admissibilidade do impedimento da presidenta Dilma reforça o caráter obscurantista, direitista, reacionário e profundamente desumano das forças políticas que se uniram para duramente golpear nossa democracia.

O que estamos vivenciando agora nos coloca frente-a-frente com a face mais desumana da política. Desumana por desconsiderar o imenso avanço verificado nas vidas das pessoas que integram as mais baixas camadas sociais do país.  Desumana por mostrar que o incomodo maior que os governos democráticos populares provocaram nessa elite inescrupulosa foi exatamente o de dar ao nosso multicolorido povo as reais possibilidades de existir. Sim, esse é o maior incomodo que Dilma causou: ela enxergou gente no lugar de apenas números e  estatísticas.

Mais uma vez Dilma é brutalmente violentada. O fato de ser física ou psicológica, não diminui a intensidade da tortura. A única diferença é que, agora, nós, os/as mais de 54 milhões de brasileiros e brasileiras estamos sendo igualmente torturados e alijados de nossos direitos. Considero essa diferença fundamental para nos nutrir de toda convicção que necessitamos para afirmar que não daremos trégua aos golpistas e que sabemos bem a tarefa que nos impõe a defesa de nossa dignidade e de nosso país.

Faremos com que a narrativa utilizada pelos golpistas fique cada dia mais difícil de ser aceita pela classe média, pelos pobres e pela classe trabalhadora desse país.

Ficou evidenciado nesse amplo e intenso processo de resistência democrática dos últimos meses o papel fundamental das mulheres e da juventude nesse momento de imprimir um rumo novo à luta. Assim como a reorganização das esquerdas, tudo isso nos reanimou. Ganhamos fôlego. Temos um olhar de confiança ao olharmos nossas organizações políticas e sociais e, com isso, vontade e decisão política de enfrentar os novos desafios.

Temos convicção que já estamos em frontal oposição a esse (des)governo, pois um governo oriundo de um golpe e de um atentado à Constituição não terá legitimidade e não governará. Estaremos de costas para os golpistas usurpadores da Constituição. O caminho que escolhemos é o da justiça e do progresso social e nossa consciência democrática nos ajudará a escrever as páginas que merecem ser escritas na história de nosso país.

Estamos dispostos/as a cumprir nosso papel no enfrentamento a essas representações políticas que já provaram mais de uma vez que não convivem com a democracia nem com os avanços sociais capazes de fazer a filha do agricultor virar doutora. Sem sombra de dúvidas a elite não suporta ver os mais de 40% de negros e negras ocuparem as vagas das melhores universidades do país.

“Desistir… eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça.” Cora Coralina.

 

Carmen Foro é vice-presidenta nacional da CUT.

 

Fonte: CUT Nacional