Central Única de Trabalhadores

Reforma da Previdência – Paulo Chitolina

26 fevereiro, terça-feira, 2019 às 5:22 pm

Comentários    Print Friendly and PDF

chitolina

chitolina

A recente Reforma Trabalhista tem causado precarização, rebaixamento de salários e debandada ao trabalho informal. Ora, pois, se o cenário passa a se moldar desta forma – menos direitos para ser contratado – qual a perspectiva dos trabalhadores em investir em suas aposentadorias?

À categoria metalúrgica, onde muitos atuam em condições insalubres e recorrem à aposentadoria especial, a PEC da Previdência configura imenso descaso com a saúde. Não bastando 25 anos de atuação em ambiente insalubre, agora exige-se uma soma de tempo de contribuição e idade. E qual o sentido de aumentar a exposição se o objetivo era justamente reduzir os danos e proteger a saúde do trabalhador?

Às mulheres, o aumento da idade mínima tanto no setor urbano quanto no rural, comprova o viés machista desta PEC, que desconsidera qualquer luta ou princípio de igualdade de gênero. Aos idosos de baixa renda, o aumento da idade mínima para o requerimento do BPC demostra perversidade com os menos assistidos. Aos trabalhadores de forma geral, a estipulação de 40 anos de atividade para requerer 100% do benefício é o fim da aposentadoria integral.

Na apresentação do governo, ricos e pobres irão se aposentar com a mesma idade. E é a partir desta visão, simplista e desonesta, que querem construir um sistema igualitário e justo. No entanto, sabemos que igualdade e justiça partem de um olhar atento aos menos favorecidos, da consideração social e histórica em relação ao gênero e das oportunidades até aqui lançadas. O Brasil, em sua imensa desigualdade, caminha com esta proposta ao aprofundamento de suas mazelas.

 

 

Paulo Chitolina é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita

 

 

Fonte: Diário de Canoas