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O complexo de vira-latas de Temer e da elite brasileira assaltam a democracia – Maria Julia Nogueira

9 setembro, sexta-feira, 2016 às 10:02 pm

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Maria Julia

Maria Julia

Os golpistas de plantão, os entreguistas derrotados por um projeto democrático e popular em quatro pleitos sucessivos, os subservientes ao capital internacional e aos interesses dos Estados Unidos da América conseguiram, em conluio com setores internos no país,  derrotar a democracia para retomada do projeto neoliberal.

Não dava para esperar as eleições presidenciais de 2018, pois corriam o risco de mais uma vez serem derrotados pela vontade do povo brasileiro expressa nas urnas.

O papel de liderança assumido pelo Brasil na América Latina através do Mercosul e a parceria com outros parceiros comerciais, a exemplo do Brics, soou como afronta aos EUA.

A recente soberania do país era incompatível com o papel subserviente defendido por aqueles que se espelham em Wall Street e que quando à frente do governo brasileiro sempre se curvaram aos interesses de Washington colocando o Brasil de joelhos frente ao capital internacional.

Nos 13 anos do projeto democrático e popular, o capital e os banqueiros, assim como a elite brasileira não perderam absolutamente nada de suas benesses, ainda assim, o que estes não aceitaram e continuam sem aceitar é que setores historicamente marginalizados em nossa sociedade passem a ter políticas públicas inclusivas para a maioria da população.

A minoria representada pela elite sempre se beneficiou da discriminação e da exclusão da maioria do povo e se utilizou do estado brasileiro para assegurar que este estivesse a serviço dos interesses privados.

Pensar o estado brasileiro para acolher aqueles e aquelas que no dia-a-dia com suor, lágrimas e sangue constroem a riqueza do país não fazia parte do script até 2003.

A democracia brasileira sempre sofreu interrupções, este foi o período mais longo que pudemos experimentá-la no Brasil, cerca de 30 anos. Todas as vezes em que a democracia foi interrompida no país a justificativa sempre foi a mesma: corrupção.

Derrotada a democracia em todos os casos: Getulio Vargas, João Goulart, Juscelino Kubitschek e agora Dilma Roussef, o combate à essa praga denominada corrupção conveniente sai de cena, pois, diferente do que se apresenta na mídia golpista os verdadeiros corruptos do país vivem encastelados no poder desde o descobrimento do Brasil.

O circo armado pela mídia, parlamento e o judiciário brasileiro no último dia 31 de agosto de 2016 entrou para a história como a data fatídica do assalto à democracia.

Ser honesto e sem  comprovação de crime de responsabilidade não serviu de argumentos para impedir que os golpistas sucessivamente derrotados nas urnas assumissem o governo através de um golpe midiático, parlamentar e jurídico.

Os partidos PMDB, PSDB  e o DEM comprovaram o que já sabíamos: o parlamento brasileiro, com exceção de alguns partidos é o retrato fiel de um balcão de negócios onde os interesses da sociedade são colocados de lado para que prospere as negociatas dos interesses pessoais dos congressistas.

Depôs do governo uma presidenta legitimamente eleita. Em seu lugar assumiu um legítimo representante dos interesses dos derrotados nas quatro últimas eleições e com a responsabilidade de evitar os avanços e ascensões, dos setores populares no país e implantar medidas aprovadas via o congresso com o objetivo de retirar e restringir direitos duramente conquistados nas últimas décadas.

A nossa responsabilidade e o nosso desafio é não permitir que nenhum direito seja retirado e não dar trégua ao governo golpista e Temerário.

Nenhum direito a menos!

Fora Temer!

 

 

Maria Julia Nogueira é secretária de Combate ao Racismo da CUT

 

 

Fonte: CUT Nacional