Central Única de Trabalhadores

O achatamento do mínimo regional no governo Sartori – Claudir Nespolo

28 fevereiro, quarta-feira, 2018 às 6:12 pm

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Claudir falando3

Claudir falando3

Está em andamento no governo Sartori uma política de achatamento do salário mínimo regional, na contramão da valorização do trabalho e da renda do povo gaúcho. A exemplo do ano passado, o governador enviou um projeto de lei para a Assembleia Legislativa no último dia 22, propondo um reajuste de apenas 1,81% para 2018, abaixo do INPC de 2,07% em 2017.

A proposta não atende à reivindicação de 4,5%, feita pelas centrais sindicais, para repor a inflação e resgatar a diferença histórica de 1,28% acima do salário mínimo nacional, quando o chamado piso regional foi criado no governo Olívio Dutra, em 2001.

Sartori optou em seguir a política nefasta do governo Temer, que aplicou o mesmo índice de 1,81% no salário mínimo nacional, em 1º de janeiro, o menor reajuste dos últimos 24 anos. A recuperação dos salários melhorou a renda da classe trabalhadora nos governos Lula e Dilma e ajudou a tirar o Brasil do Mapa da Fome.

A proposta rebaixada do governo do Estado, caso seja aprovada, vai gerar ainda mais concentração de renda para poucos e visa tão somente agradar os empresários, que se opõem ao mínimo regional desde a sua criação. Eles não querem enxergar o ciclo virtuoso desse instrumento de política pública. Salário valorizado é sinônimo de maior poder aquisitivo. E o dinheiro não é gasto em Miami, mas vai direto ao comércio local, ajudando a aquecer a economia gaúcha, incentivando o consumo e a produção.

Além disso, o reajuste aprovado vira um parâmetro para as negociações salariais de diversas categorias ao longo do ano. É um mecanismo eficaz e concreto de combate às gritantes desigualdades de remuneração no Estado..

Essa proposta somente está em sintonia com as pautas retrógradas dos governos de plantão, como parcelamento de salários dos servidores, corte de direitos trabalhistas, reforma da Previdência e privatização de estatais, dentre outras que defendem o estado mínimo para o povo, mas generoso para empresários e corporações internacionais.

O projeto foi encaminhado em regime de urgência, devendo ser votado em plenário até 24 de março, quando passará a trancar a ordem do dia. As centrais sindicais estão procurando deputados e deputadas estaduais para construir uma emenda que evite o achatamento do mínimo regional. É preciso valorizar esse mecanismo de distribuição de renda para cerca de 1,3 milhão de trabalhadores, que recebem os salários mais baixos, e de indução ao crescimento econômico. Não podemos retroceder.

 

Claudir Nespolo é metalúrgico e presidente da CUT-RS

 

Fonte: CUT-RS