Central Única de Trabalhadores

Março: nós, trabalhadoras, estaremos em luta todos os dias deste mês – Carmen Foro

6 março, terça-feira, 2018 às 11:34 pm

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Carmen Foro

Carmen Foro

“Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida”.  

Simone de Beauvoir

Estamos iniciando mais um período de resistência cotidiana, com a perseverança característica das mulheres lutadoras, que trabalham, cuidam de suas famílias e participam da luta por melhores condições de vida e trabalho, pela cidadania e liberdade plenas, pela democracia, pela justiça, inclusão social e contra o preconceito e a discriminação, da mesma forma que tantas companheiras veem fazendo desde o século XIX.

Estamos iniciando o mês de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher no dia 8, e aqui no Brasil, como protagonistas de um processo de resistência que, nos últimos três anos liderou várias batalhas contra o golpe de Estado que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita por mais de 54 milhões de brasileiros e brasileiras, temos uma enorme tarefa em todos os dias deste mês a nós dedicado.

Precisamos aumentar ainda mais a mobilização e conscientização de todas as brasileiras, dialogando, debatendo, conversando em todos os espaços que frequentamos para que todas entendam que o objetivo real do golpe é restringir ou exterminar conquistas sociais e trabalhistas que lutamos tanto para implementar em nosso País.

Precisamos organizar e mobilizar todas as mulheres que conseguirmos para que continuemos ocupando as ruas para denunciar os ataques neoliberais às políticas sociais tão duramente conquistadas e que estavam contribuindo para melhorar a vida de milhões de mulheres em todo o Brasil.

A luta feminista por direitos é histórica e nós, que nas últimas décadas firmamos fortes alianças com os movimentos feministas, sindical, sociais e de mulheres, não desistiremos do nosso projeto de uma Nação justa e inclusiva, com igualdade entre mulheres e homens e com o rompimento da abominável ordem patriarcal.

Aqui no Brasil, fomos nós, mulheres organizadas e combativas, que trouxemos de volta para a agenda pública temas relacionados aos problemas que enfrentamos e que, em geral, são ignorados pelas autoridades que estão no poder. Na maioria dos casos, homens de uma certa idade, como o golpista e ilegítimo Michel Temer, que considera que a função da mulher é cuidar da casa e dos filhos. Quem não lembra o que ele aprontou no Dia da Mulher do ano passado? Eu jamais esquecerei e relembro aqui para as companheiras.

Em uma cerimônia oficial, Temer disse que o papel das mulheres na economia é serem astutas seguidoras do orçamento doméstico, capazes de notar as flutuações de preços. Ele ressaltou também que as mulheres, “além de cuidar dos afazeres domésticos” e serem as responsáveis pela educação dos filhos, ganham “cada vez mais espaço” no mercado de trabalho.

Não, Temer, nosso papel não é o que você pensa. Nosso papel é estar aonde a gente quiser, é ocupar a função para qual nos prepararmos para ocupar, é fazer o que nos der na telha, inclusive tirar você da presidência e colocar uma mulher competente e honesta no seu lugar.

Lutamos por isso nossa vida inteira. Temos direito a uma vida com autonomia, integridade, direito a proteção de viver. Uma vida sem violência doméstica e assédio moral, sexual e estupro no mundo do trabalho e na sociedade. Uma vida aonde ocupemos os cargos que quisermos e estivermos preparadas para ocupar. Uma vida onde cada uma seja dona do seu corpo e como dizia lá na minha cidade “do seu nariz”.

É por tudo isso que conclamo todas as mulheres brasileiras a se unir a essa luta por espaço, direitos e respeito, aumentando a nossa resistência para enfrentar os retrocessos que veem acontecendo no Brasil desde o golpe de 2016, que vem afetando, em particular, as mulheres, as maiores vítimas dos ataques dos golpistas em todas as áreas, tanto no que diz respeito à manutenção e novas oportunidades de emprego decente quanto ao acesso à saúde e à educação de qualidade.

Podia ficar horas escrevendo sobre os retrocessos, mas vou lembrar aqui alguns que mais afetam as mulheres, como o desmonte da Secretaria de Políticas para as Mulheres e das políticas e programas de enfretamento e combate à violência contra as mulheres, o congelamento dos investimentos públicos por 20 anos, que afetam em especial as áreas de educação, saúde e assistências sociais, e a reforma Trabalhista e a terceirização.

Neste mês de março vamos reforçar a certeza de que o nosso destino é caminhar, mobilizar e lutar sempre. Não há outro caminho para nós, mulheres brasileiras e de todo o mundo, que não seja a luta e nada mais adequado do que ampliar essa luta neste mês que é de muita resistência e onde poderemos discutir estratégias para os próximos passos na luta pelo que nos é de direito. Nada mais do que isso.

Nesse mês de março a nossa casa será as ruas. Vamos fazer mobilizações em todo o país, seja nas comunidades rurais, nas periferias, nos morros, seja nos locais de trabalho ou na igreja. Em cada cantinho desse país, uma mulher estará protestando, conscientizando, dialogando, construindo estratégias de defesa dos direitos e contra qualquer tipo de violência.

 

 

Carmen Foro é vice-presidenta nacional da CUT

 

 

Fonte: CUT Nacional