Central Única de Trabalhadores

Lava Jato: o golpe e a destruição do Brasil – Paulo Cayres

4 agosto, sexta-feira, 2017 às 10:31 pm

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Paulo Cayres1

Paulo Cayres1

Além de ser a vergonhosa data em que 263 deputados impediram a investigação com provas contra o golpista Michel Temer, o dia 2 de agosto de 2017 entrou para a História do Brasil como a prova incontestável de que a Operação Lava Jato é seletiva e partidária e traz como principal consequência o ataque frontal e direto contra a classe trabalhadora e o país.

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) sempre se posicionou a favor do combate à corrupção, mas condenou a forma como a Operação tem sido conduzida, com delações espetacularizadas e sem provas e prisões e condenações seletivas sem efetivo respaldo jurídico. Tudo isso ajudou a derrubar a economia do país.

As recentes críticas vindas de investigadores da própria Polícia Federal sobre as falhas nas delações de executivos da Odebrecht confirmam nossas opiniões sobre a forma como a Lava Jato foi direcionada. Entre as críticas dos investigadores, está justamente a falta de documentos que comprovem o que foi dito nas delações (leia aqui).

Além de ferir de morte o Estado Democrático de Direito, de instalar no país uma crise política sem precedentes, o resultado concreto deste processo viciado de combate à corrupção são três milhões postos de trabalho eliminados diretamente. Este é o indicador mais perverso de toda a Operação, já que não houve o mínimo cuidado em preservar as empresas.

Quando a Lava Jato foi deflagrada, em março de 2014, o IBGE apontava taxa de desemprego de 7,1% no trimestre encerrado naquele mês. Eram 7 milhões de desempregados. Hoje, a taxa em junho chega a 13%, com 13,5 milhões de pessoas sem emprego, grande parte por fruto das políticas recessivas do governo golpista.

Ou seja, desse total, a Lava Jato sozinha é responsável pela metade dos desempregados no período. São postos de trabalho que dificilmente serão recuperados, porque as empresas foram destruídas, como avaliou o economista Marcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas (Unicamp): “A recessão elimina empregos, mas a empresa permanece. Havendo recuperação, o emprego volta. No caso da Lava Jato, é quase uma perda permanente” (leia mais aqui). Vale lembrar que só no ramo metalúrgico, a indústria naval foi praticamente dizimada nesse processo.

Nós, da CNM/CUT, sempre defendemos que, nos processos de apuração de corrupção, se separasse as pessoas físicas das pessoas jurídicas, garantindo o funcionamento das empresas por meio de acordos de leniência. Em qualquer nação séria, esta seria a primeira providência para impedir que os efeitos de ações judiciais não produzissem reflexo na economia e nos direitos dos trabalhadores.

Denunciamos também que outros interesses moviam esta sórdida teia que derrubou a economia, a soberania nacional e o protagonismo internacional do Brasil, os do grande capital internacional, que quer que o Brasil volte a ser seu quintal (ou sua senzala).

O resultado da votação sobre a autorização de investigação das denúncias contra Temer na Câmara dos Deputados mostra isso. Depois de destruir direitos com a reforma trabalhista e a lei da terceirização, de aprovar o teto dos gastos sociais, de aumentar o preço dos combustíveis, agora eles vão querer completar o “serviço”, com a reforma da Previdência e novos arrochos fiscais em nome da “estabilidade econômica” que os golpistas ajudaram a acabar nos últimos três anos.

A nós, metalúrgicos e metalúrgicas da CUT, e à classe trabalhadora cabe a árdua tarefa de não nos dobrar. Vamos continuar lutando em defesa da democracia, contra a aprovação da reforma da Previdência e impedir que a reforma trabalhista seja efetivada.

Às nossas entidades de classe e aos movimentos sociais caberá também a missão de denunciar os golpistas para impedir que sejam reeleitos. Tudo a que estamos assistindo mostra que eles não têm vergonha alguma de atuar com um único objetivo: atender aos interesses próprios e aos do mercado financeiro, arrancando direitos básicos da população para aumentar o lucro das empresas.

Não podemos dar trégua! Vamos lutar dia e noite para resgatar o Brasil para o seu povo!

 

 


Paulo Cayres é trabalhador na Ford e presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM-CUT)

 

 

Fonte: Carta Capital