Central Única de Trabalhadores

Encontro de solidariedade a Cuba fortalece unidade internacional dos trabalhadores – Ismael José César

25 junho, segunda-feira, 2018 às 12:42 pm

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Ismael

Ismael

Entre os dias 15 e 17 de junho, realizou-se na cidade de Rosário, na Argentina, o Encontro de Solidariedade a Cuba, com a participação de 142 delegados e delegadas de 12 províncias da República Argentina, e mais a representação de delegados e delegadas de Cuba, Bolívia, Venezuela e Brasil. A abertura do Encontro ocorreu no Teatro “La Comedia” e homenageou o aniversário de nascimento do revolucionário Ernesto Che Guevara, que nasceu em Rosário, em 14 de junho de 1928.

O evento contou com uma diversificada representação de partidos políticos, parlamentares, movimentos sociais, centrais sindicais, grêmios estudantis, representação diplomática, e personalidades, como Antônio Guerrero, um dos cinco heróis cubanos que participou da missão preventiva contra ações terroristas de grupos antirevolucionários cubanos instalados em território estadunidense, e Carlos Calica Ferrer que, em 1953, fez a segunda viagem com Che Guevara por vários países da América Latina.

Em nome da Central Única dos Trabalhadores, saudei a importância do Encontro e reafirmei as nossas convicções de continuar lutando pelos direitos dos povos oprimidos em todo o mundo, bem como os valores de solidariedade entre nós e pela autodeterminação de cada nação.

Num mundo cada dia mais globalizado, onde os donos do capital se unem para garantir os seus interesses, é central para a classe trabalhadora buscar a mais ampla unidade em defesa de seus direitos e que, para além de nossas lutas especificas, é necessário manter viva a chama pela construção de um outro mundo.

Defender Cuba e as conquistas da revolução, é um passo importante para a defesa de nossos próprios direitos, contra o capitalismo e todos os males advindos deste sistema.

Denunciei que a ruptura democrática no Brasil, com o advento do golpe contra a Presidente Dilma Roussef, permitiu ataques sem precedentes aos direitos da classe trabalhadora e retrocessos sem limites às conquistas obtidas nos últimos 13 anos dos governos Lula/Dilma. Com isso, conclamei a continuidade da solidariedade internacional pelo restabelecimento democrático no Brasil, e afirmei que isto só será possível com a liberdade imediata do companheiro Lula.

A América Latina continua concentrando o maior índice de riqueza nas mãos de uma minoria, mantendo-se como uma das regiões mais injustas do mundo. Por outro lado, segue a famosa doutrina Monroe: “América para os americanos”, entendendo como americanos os que habitam o norte do Rio Bravo. Para a população do sul do hemisfério é reservado o projeto neo colonial, com a manutenção da exploração de suas riquezas e a intromissão nas questões internas desses países.

No caso de Cuba, que ousou questionar o império, o governo norte-americano mantém o criminoso embargo econômico que já dura 54 anos. Com a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, aumentou as hostilidades contra Cuba, reduzindo ao mínimo o corpo diplomático em Havana sob a alegação de razões de segurança. No mesmo período, aumentaram as barreiras para viagens dos EUA para Cuba e reforçou o bloqueio econômico contra a Ilha rebelde.

Em que pese essa política criminosa, Cuba mantém altos índices de alfabetização e escolaridade, os melhores níveis de educação universitária, uma formação técnica de qualidade, além de engenheiros, médicos e outros profissionais da mais alta qualidade. O pais também desenvolveu-se nas artes e ciências, com inúmeras descobertas cientificas reconhecidas internacionalmente, em particular no campo da Biologia e da Medicina.

Destacou-se, ainda, no universo das artes (ballet, teatro, cinema e outras manifestações), assim como o alto desenvolvimento na área desportiva, graças ao forte apoio do Estado.

Os povos de todo o planeta reconhecem os avanços obtidos pela revolução e admiram, ainda, o profundo lastro de solidariedade da população cubana, que segue compartilhando com outros nações as suas melhores realizações. Atualmente, são mais de 50 mil médicos cubanos exercendo o trabalho humanitário em 62 países espalhados por todo o mundo.

Além disso, Cuba garante o estudo de medicina na Escola Latinoamericana de Medicina (ELAN) para milhares de estudantes oriundos de países do chamado terceiro mundo. Como se não bastasse, ainda mantém o projeto denominado “Operação Milagre” que recupera a visão de pessoas pobres de diversos países, de forma gratuita, seguindo firme no anunciado de José Martí: “Pátria é humanidade”.

Nos debates em grupos e plenárias, houve a constatação de que o processo de unidade e integração (ALBA, Unasur, Celac, Mercosul) sofre sério risco em nossa região. Os ataques do imperialismo desestabilizam os governos que adotaram políticas de maior inclusão social. Métodos distintos das antigas ditaduras militares agora são implementados em nossa região com novas modalidades de intervenção nos governos.

Golpes parlamentares, judiciais e midiáticos, foram iniciados em Honduras, depois Paraguai e chegou ao Brasil para implantar políticas de caráter neoliberal, debilitando as instituições e desmantelando as políticas sociais, trabalhistas e de direitos humanos, com o aumento das forças repressivas e criminalização da política e dos movimentos sociais.

Para enfrentar estes novos tempos de ofensiva imperialista, somente a unidade ampla e internacionalista da classe trabalhadora e a resistência de Cuba é um exemplo a ser seguido.

O que pretendem é a recolonização de nossa América e a instalação de novas formas de exploração, com a complacência mesquinha das oligarquias locais, dos meios de comunicação e agentes de alto escalão dos estados.Por fim o Encontro decidiu importantes resoluções, destaco aqui decisões necessárias e que nos colocam em luta, pelo:

- rechaço ao plano de medidas do governo Trump que retrocedem nas relações com Cuba

- a retirada das base militares de Guantánamo e a devolução desse território a Cuba

- o fim do bloqueio econômico genocida mantido pelo governo dos EUA a Cuba

- o fim das ocupações territoriais e enclaves coloniais nas Ilhas Malvinas e Porto Rico

- o apoio a revolução bolivariana na Venezuela e o fim dos bloqueios econômicos aquele país

- o fim dos ataques do Estado Sionista de Israel contra o povo Palestino, e a devolução dos territórios ocupados

E nos somamos ao apelo do povo brasileiro e de toda América pela liberdade do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva

Portanto, a realização desse Encontro fortalece os laços de solidariedade entre os movimentos, sindicato e partidos políticos para enfrentar o nosso inimigo comum que é o capitalismo.

Sigamos em luta, venceremos.

 

 

Ismael José Cesar é secretário adjunto de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT Nacional

 

 

Fonte: CUT Nacional