Central Única dos Trabalhadores

É preciso permanecer nas ruas para avançar com o impeachment – Daniel Bispo Calazans

11 outubro, segunda-feira, 2021 às 4:50 pm

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Candidatos ao CSE Scania

Candidatos ao CSE Scania

CUT-SP – As manifestações do último sábado, 2 de outubro, foram mais uma forte demonstração da insatisfação da população brasileira com os rumos do país. Na Avenida Paulista, que concentrou o principal ato do dia, mais de 100 mil pessoas foram às ruas defender a urgência do impeachment do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL). 

Apesar da tentativa de apagamento das manifestações por parte da imprensa tradicional, os atos mostraram ser possível a união de diferentes correntes partidárias, centrais sindicais e movimentos do campo progressista em defesa do país e das liberdades. 

Não é novidade que estamos sob um governo desastroso para os trabalhadores e as trabalhadoras, mas que, infelizmente, é aplaudido por uma parcela considerável da população que nutre uma mentalidade escravocrata com a finalidade de manterem seus privilégios. Pessoas dispostas a usarem discursos e práticas de ódio, promoção do preconceito e da discriminação para seguirem explorando a mão de obra da classe trabalhadora. 

Ainda assim, uma outra parte da população, mesmo reconhecendo o erro de ter contribuído com a ascensão de Bolsonaro, ainda busca subterfúgios para justificar a ausência no apoio ao impeachment – uma vez que terão de reconhecer que o povo sempre esteve certo.

A questão é saber o quanto vale essa isenção política, uma vez que milhares de pessoas já estão vivenciando a fome, o aumento do desemprego e a falta de abrigo. Situações de um Brasil desigual que governantes eleitos democraticamente pelo povo deveriam, no mínimo, se envergonharem em mantê-lo! 

Chega a ser estarrecedor pessoas se autointitularem “cidadãos de bem” ou mesmo destacar em suas redes sociais que seguem o cristianismo, enquanto que ameaçam as instituições democráticas, defendem a tortura e a posse de arma para se protegerem, inclusive, do caos social que se avizinha graças à má administração do desgoverno Bolsonaro e seus seguidores fanáticos. 

E nessa toada, não podemos nos esquecer da pandemia de covid-19 que o Brasil ainda sofre devido o não enfrentamento necessário que precisaria ser feito. Afinal, aqui ainda segue sendo uma das nações líderes em mortes diárias pelo vírus, em que grande parte destes ou destas poderiam ter sido evitadas, e, infelizmente, o que se vê é uma triste naturalização desse momento pela mentalidade doentia deste que, na história do país, é o mais inapto governante. Mas, por sorte, a grande maioria da população tem seguido as orientações recomendadas mundialmente e celebram cada dose de vacina recebida. 

Diferente das concentrações bolsonaristas negacionistas, antidemocrática, desrespeitosas, rancorosa e cheio de ódio pela ciência, pela razão e tudo que é belo e honesto, os participantes dos atos encampados pelos movimentos sindicais e populares buscaram respeitar, a todo o momento, as orientações mínimas de segurança sanitária com o uso obrigatório de máscara e tentativa de garantir distanciamento social – guardadas as proporções de ser uma manifestação de massa. 

Há um caminho longo a ser percorrido para alcançar o objetivo comum: a saída de Bolsonaro da cadeira de presidente. Mas, como para nós, para a classe trabalhadora, nenhuma conquista foi fácil de se alcançar, é uma luta que estamos dispostos a enfrentar, seja nos locais de trabalho, nas ruas, ou nas redes sociais, bem como precisamos iniciar a nossa preparação para na eleições de 2022, quando precisaremos eleger uma bancada expressiva de parlamentares que atuem em defesa dos nossos direitos, e que ajude a retomar e implementar o projeto de um  Brasil  soberano, democrático, inclusivo e participativo para todos e todas. 

 

Daniel Bispo Calazans é metalúrgico e secretário-geral da CUT-SP. É formado em Direito pela Faculdade FaPan/Uniesp de São Bernardo do Campo e possui pós-graduação em Economia e Trabalho pela Escola do Dieese de Ciências do Trabalho.

 

Foto: Rossana Lana / SMABC

 

Fonte: CUT-SP