Central Única de Trabalhadores

É golpe! A juventude sabe – Letícia Raddatz

19 agosto, sexta-feira, 2016 às 7:01 pm

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Letícia

Semana passada, no dia 12 de agosto, comemoramos o Dia Internacional da Juventude. A data foi instituída em 1999 pela ONU para dar visibilidade aos problemas e reconhecimento às pautas específicas. Para a juventude trabalhadora desse nosso Brasil golpeado, em luto e na luta pela democracia, a data traz consigo uma carga maior de angústias e um clima especial de responsabilidade, expectativa e esperança.

A angústia se justifica porque, a partir do golpe, várias medidas de retirada de direitos impactam diretamente a juventude. Mesmo com os avanços que tivemos nos últimos anos, a juventude trabalhadora ainda sofre muito com a entrada precoce no mercado de trabalho em condições indecentes. Mais informalidade, precarização, rotatividade, baixos salários e piores condições de trabalho. Os cortes nos programas sociais, os retrocessos no acesso ao ensino e a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários certamente nos coloca numa situação ainda mais difícil, forçando-nos a entrar nesse mercado ainda mais cedo e de forma mais fragilizada, com a expectativa de aposentadoria cada vez mais distante.

Mas a esperança reside no fato de que os movimentos de resistência a essa conjuntura tão adversa tem sido protagonizados em grande medida por uma juventude consciente e politizada, que não se restringe à militância organizada dos movimentos. Se meses atrás nos angustiávamos porque víamos a necessidade do povo sair às ruas pela manutenção da democracia, atualmente as mobilizações protagonizadas pela juventude têm um colorido diferente, que aponta para um período de reascenço das lutas sociais.

Temos diversas pautas para reivindicar. Trabalho decente, acesso à cultura, participação nos espaços de decisão, mais saúde, mais educação, mais oportunidades. No entanto, os golpistas nos querem quietos. Submissos ou presos. Para além de criminalizar as lutas e, geral, buscam criminalizar a nossa própria existência, aquilo que nos caracteriza, a nossa essência crítica e contestadora.

Foi golpe sim! Mais um golpe da burguesia contra a classe trabalhadora, contra os nossos direitos sociais, em nome da manutenção do velho lucro do grande capital, bem do jeitinho que Marx descreveu. Foi muito parecido com o golpe militar de 1964 e tantos outros. Nós, jovens, sabemos disso.

Só que mais do que querer a democracia de volta, nós vivemos a democracia. Nas nossas relações, no nosso modo de ser e pensar, somos democráticos. Nós aprofundamos e ressignificamos a democracia a cada momento. Basta um olhar atento para perceber que a luta que protagonizamos agora parte de um outro patamar de acúmulo histórico em relação às gerações que nos antecederam. Isso não pode ser ignorado porque influencia a conjuntura política de modo muito favorável.

Os golpistas que nos achacam hoje em breve tempo ocuparão o seu lugar de direito na história: a lata do lixo. O tempo não parou, não parará, e tenho dito que ele está do nosso lado. Todos os dias serão os nossos dias, os dias da juventude que trabalha e luta por um mundo melhor, mais justo, mais igualitário, mais humano e radicalmente democrático.

 

 

Letícia Raddatz é secretária de Juventude da CUT-RS

 

 

Fonte: CUT-RS