Central Única de Trabalhadores

Avanço dos bancários favorece todos os trabalhadores – Ivone Silva

15 setembro, sábado, 2018 às 11:26 am

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Ivone2

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Os bancários são uma das únicas categorias com uma CCT nacional, na qual fazem parte cerca de 160 bancos, em uma negociação com uma mesa única representando 480 mil bancários no país, de bancos públicos e privados.

Fizemos uma difícil negociação com os bancos este ano, com as instituições financeiras oferecendo 0,5% de aumento real, sem garantia de direitos para a categoria. Conquistamos, após dez rodadas de negociação, um reajuste de 5% – reposição total da inflação (INPC) mais aumento real de 1,18% – mais manutenção de todos os direitos históricos da CCT, além de novas conquistas.

Barramos alguns itens da nova legislação trabalhista e garantimos direitos, por exemplo, para os hipersuficientes. A lei hoje determina que trabalhadores com nível superior e remuneração a partir de duas vezes o teto de benefícios do INSS poderiam estabelecer suas condições de trabalho diretamente com o patrão, ainda que elas fossem inferiores às previstas em acordo coletivo da categoria. Ou seja, esses bancários (que são cerca de 91 mil na categoria) não estariam resguardados pela CCT. Conquistamos que a CCT fosse válida para todos os trabalhadores dos bancos, independentemente do nível de escolaridade ou da faixa salarial.

Por que a categoria bancária avançou na Campanha em um momento de crise, onde a média dos aumentos reais na economia foi de 0,94%, no segundo semestre?

Primeiro porque acreditamos que só um Sindicato combativo tem força para sentar com o setor patronal para avançar nos direitos dos trabalhadores. Ou você acha que um trabalhador têm condições de sentar de igual para igual com seu patrão e conseguir aumento real? Os bancos recuaram nas propostas iniciais porque sabiam que a categoria não iria aceitar ter sua CCT rasgada, como sugere a nova Reforma Trabalhista.

Avançamos pela união da categoria. Cada bancário se mobilizou nas ruas e redes sociais, reivindicando melhores condições de trabalho. Os banqueiros queriam tirar a PLR integral das mulheres em licença maternidade. Nós, do Comando Nacional dos Bancários, denunciamos e os trabalhadores pressionaram os bancos. No dia seguinte, eles recuaram e mantiveram a proposta integral.

Os bancários têm aumento real há mais de dez anos. O aumento real acumulado entre 2004 e 2019 será de 23,5% nos salários e 44,7% no piso. E esse reajuste não favorece só a categoria bancária: a economia e o país crescem com o trabalhador com dinheiro no bolso. O reajuste de 5% nos salários da categoria bancária representa um acréscimo anual de cerca de R$ 2,5 bilhões na economia. Somando o reajuste nos salários, vales e a PLR total o impacto da campanha salarial dos bancários 2018 será de cerca de R$ 9,922 bilhões.

Nossas conquistas servirão de referência para todas as categorias. Porque não existe só um trabalhador isolado do outro. Não há dúvida que um dos objetivos da Reforma Trabalhista é fragmentar e descentralizar as negociações das relações de trabalho, pois dessa forma o poder econômico do empregador será imposto sobre a parte mais frágil da relação, que é o trabalhador.

Por isso, fortaleça sua entidade de classe. O papel dos Sindicatos é regular, interferir, melhorar as condições de trabalho de seus representados e, ainda num plano mais geral, auxiliar na construção de um modelo de desenvolvimento econômico que favoreça o país.

 

 

 

Ivone Silva é presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

 

 

 

Fonte: Brasil 247