Central Única de Trabalhadores

As vitórias do Simpa e da cidade – Adroaldo Bauer Corrêa

14 novembro, terça-feira, 2017 às 4:52 pm

Comentários    Print Friendly and PDF

Adroaldo

Adroaldo1

A Brava Gente Municipária vai terminando o ano em luta constante, iniciada já em 2016, no imediato pós-eleição, acumulando vitórias, entre alguns perdas.

A principal delas é o isolamento do prefeito e a redução acelerada do apoio na Câmara Municipal e mesmo entre os escassos eleitores. O Simpa afirma os direitos dos servidores e serviços públicos de qualidade devidos à população, em defesa da cidade.

Marchezan perdeu em dezembro de 2016 a batalha da antecipação do IPTU, conquistada pela categoria mobilizada pelo Simpa para pagamento em dia do salário de dezembro e do décimo-terceiro.

Enviou à câmara e obrigou-se a retirar sem maioria parlamentar a licença para pecar que significava o PL que instituía o postergamento do salário mensal da data limite do último dia útil do mês e pretendia garantia legal de parcelamento dos vencimentos.

O Simpa foi atuante na defesa dos direitos da categoria na Câmara e conquistou na Justiça a ilegalidade do parcelamento com fixação por sentença de multa em dinheiro a cada atraso ocorrido, que se verifica já desde julho.

Impôs administrativamente a mudança do padrão pedagógico antes constituído democraticamente com a participação da comunidade escolar, retirando tempo de aula dos alunos da rede municipal de ensino e tempo dos professores de avaliação coletiva dos procedimentos escolares, apesar do parecer contrário por unanimidade do Conselho Municipal de Ensino.

Agora em novembro, o Simpa conquista o apoio da Câmara Municipal, com 22 assinaturas em documento apregoado em plenário a maioria quase absoluta dos vereadores de diversas bancadas se colocaram contrários a perdas de direitos dos servidores públicos municipais.

Nesse ambiente limite, Marchezan percebe a derrota de seu projeto absolutista de desconstituir as carreiras dos servidores públicos e arrochar os salários da categoria municipária.

Medida de emergência pouco austera no quadro de alegada crise, no momento crucial da Greve Geral dos Municipários em que nega diálogo com o Sindicato para a negociação sequer da data-base de maio, reposição inflacionária não realizada, Marchezan viaja ao Peru para palestra sobre modelo de gestão e por 11 dias à Europa, sem agenda especificada, deixando a cidade à deriva.

Comissão especial instituída no Legislativo para estudo dos projetos do prefeito não concluirá trabalhos em 2017, o que significa na prática o trancamento do projeto ultraliberal do prefeito Marchezan de desconstituição dos serviços e venda do patrimônio público, a privatização do DMAE, rechaçada por ampla maioria do pensamento político e técnico da cidade, entre estes objetivos nunca antes anunciados.

Mais uma ação vitoriosa coordenada pelo Simpa com a inteligência e a maioria do povo da cidade.

Na iminência de mais uma acachapante derrota, Marchezan retira de tramitação o PL 11, o pior de todos os monstrengos inventados em um laboratório de sandices.

O prefeito também acumula derrotas na frente Judiciária.

Foi obrigado pela justiça a mandar embora a pouco talentosa empresa de assessoria que desembarcou do PSDB, o partido do prefeito, direto no Paço Municipal, que se utilizava de recursos públicos para apresentar projetos de dilapidação dos recursos públicos.

Perdeu mais de uma vez recursos sobre a legalidade da greve e ainda a concepção de “greve sem grevistas”, que pretendia do judiciário amparo à tese de que em Saúde, Abastecimento, Saneamento e Coleta do Lixo houvesse presença de 100% de funcionários para funcionamento de 100% dos serviços.

A decisão liminar que ainda vige foi de que a greve é legal em razão do parcelamento dos salários e determina presença de 50% dos servidores para funcionamento de 100% das atividades essenciais.

Considere-se que, mesmo sem greve, a prefeitura nunca dispõe de 100% dos recursos humanos previstos nas áreas citadas, seja pela precarização das condições operacionais e não realização de concursos para reposição de pessoal especializado de áreas-fins, férias, licenças de saúde ou sucateamento das condições de prestação dos serviços.

Marchezan ainda perdeu 14 assessores nomeados do primeiro e segundo escalões, secretários ou diretores, pelas mais diversas razões, a principal delas a dificuldade de trato inteligente com pessoas.

Gestor sofrível, o prefeito ainda não mostrou à cidade porque, ainda que eleito, pretendeu o cargo.

É o mais forte candidato ao título de pior prefeito de Porto Alegre em todos os tempos.

 
Adroaldo Bauer Corrêa é diretor do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do sul (Sindjors)

 

 

Fonte: CUT-RS