Central Única de Trabalhadores

30 anos de Política de Gênero: a história de luta das mulheres na CUT – Juneia Batista

2 agosto, terça-feira, 2016 às 1:54 pm

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Juneia

Juneia

A história das mulheres na Central Única dos Trabalhadores (CUT) começou junto com a CUT. Desde a sua fundação, em 1983, nós mulheres urbanas, do setor público e privado, e nós mulheres rurais, das águas e das florestas trouxemos contribuições enquanto trabalhadoras para construir um movimento com autonomia e liberdade sindical.

A formalização da organização das mulheres ocorreu com a aprovação da criação da Comissão Nacional Sobre a Questão da Mulher Trabalhadora (CNMT) no 2º Congresso Nacional da CUT (CONCUT), em 1986, a partir da necessidade de enfrentar a realidade e a discriminação no cotidiano no trabalho, na sociedade e no movimento sindical  e de inserir as demandas da mulher trabalhadora na plataforma da Central.

A Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora – SNMT, foi criada no 8º Congresso Nacional da CUT – CONCUT, em 2003, após 17 anos de organização das mulheres no âmbito sindical, por meio da Comissão Nacional sobre a Mulher Trabalhadora – CNMT.

Uma das primeiras campanhas nacionais das mulheres da CUT foi “creche para todos”. A data 12 de outubro foi aprovada pela CUT o Dia Nacional de Luta por creche no I Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora em 1988, quando também definimos que assumiríamos a luta contra todas as formas de discriminação e o fortalecimento da Comissão Nacional e das Comissões Estaduais.

Em 1991,  o 4º CONCUT aprovou a proposta de aprofundar as discussões sobre ações afirmativas como medidas para corrigir as desigualdades entre os sexos no movimento sindical cutista e a decisão sobre cotas de participação das mulheres nos cargos de direção. Na plenária neste mesmo ano foi reconhecida a existência da desigualdade de oportunidade de participação política das mulheres, essa que se expressa dentro da CUT.

A proposta de cota mínima de 30% e máxima de 70% de cada sexo foi aprovada na 6º plenária em 1993. Porém como recomendação e não resolução. Somente em 2008, no 12º plenária, a política de cotas passou a ser uma resolução e integrar o estatuto. Com isso as cotas na direção nas instâncias orgânicas da CUT passaram a ter obrigatoriedade de cumprir cotas de gênero.

Aprovada no 11º Congresso Nacional da CUT (Concut) de 2012, as trabalhadoras conquistam a paridade de gênero na direção central. Assim como aconteceu com a política de cotas, a proposta de discussão de paridade foi aprovada na 13º plenária em 2010.

Como estratégia política, a paridade altera a lógica do exercício do poder representativo nas direções estaduais e nacional da CUT. Essa mudança vai além dos números, e precisa de ações concretas para sua real implementação. É necessário que as mulheres tenham condições objetivas para exercer seus mandatos de forma satisfatória. Isso significa, entre outras questões, garantia de infraestrutura, liberação para desempenhar seu papel político e participação efetiva nas mesas de negociação.

É fazendo política, é estando na militância e dirigindo os sindicatos, dirigindo as centrais, dirigindo importantes ramos e categorias que vamos fazer com que esses 33 anos de acúmulo nos dê a possibilidade de fazer da CUT uma central de trabalhadores e trabalhadoras.

Foi com muita luta das trabalhadoras que as conquistas foram acontecendo.

Quanto mais mulheres estiverem no movimento sindical, mais teremos possibilidade de trazer para dentro do movimento históricas bandeiras das mulheres que só estarão incluídas na pauta geral da classe trabalhadora se nós estivermos presentes.

O aprendizado só é possível a partir da prática, da vivência cotidiana. Temos certeza que há muita luta e muitos desafios pela frente, mas compreendemos que a construção de práticas que reconhecem a importância da igualdade de gênero é imprescindível para a consolidação da democracia e o desenvolvimento econômico com inclusão e justiça social em nosso país e no mundo.

É, portanto, nessa perspectiva que compreendemos que é preciso garantir as condições necessárias para que de fato a igualdade de gênero aconteça no mundo do trabalho e em todos os espaços de representação.

A luta por uma sociedade justa e igualitária passa necessariamente por romper com as desigualdades históricas, inclusive entre homens e mulheres. Em um país que cada vez mais tem mostrado suas marcas de autoritarismo, racismo, homofobia e machismo, a CUT demonstra o seu protagonismo sindical na luta por uma sociedade baseada em valores como solidariedade e igualdade.

Conheça a cronologia da história da organização das mulheres na CUT:

Cronologia – organização das mulheres na CUT

 Data – Atividade

1983 – Fundação da CUT

1986 – Criação da Comissão Nacional sobre a Questão da Mulher Trabalhadora – II CONCUT

1986 – Campanha Nacional Creche para todos

1987 – Implementação da CNQMT (Março)

1988 – I Encontro Nacional sobre a Questão da Mulher Trabalhadora

1988 – Luta contra todas as opressões/discriminações integra concepção e prática sindical – III CONCUT

1991 – II Encontro Nacional sobre a Questão da Mulher Trabalhadora

1991 – Aprovação da proposta de descriminalização e legalização do aborto no IV CONCUT

1993 – Aprovação de cota de gênero (30%) – VI Plenário Nacional

1994 – III Encontro Nacional sobre a Mulher Trabalhadora

1994 – Primeira direção com cota de gênero – V CONCUT

1994 – Coordenadora da CNQSMT passa a integrar a Executiva Nacional

1995 – Campanha pela Igualdade de Oportunidades na Vida, no Trabalho e no Movimento Sindical

1997 – IV Encontro Nacional sobre a Mulher Trabalhadora

2000 – V Encontro Nacional sobre a Mulher Trabalhadora

2003 – VI Encontro Nacional sobre a Mulher Trabalhadora

2003 – Campanha Nacional “Violência contra as Mulheres: tolerância nenhuma”!

2003 – Criação da Secretaria Nacional e das Secretarias Estaduais – VIII CONCUT

2005 – VII Encontro Nacional sobre a Mulher Trabalhadora

2007 – Falecimento da companheira Maria Ednalva Bezerra de Lima

2008 – Relançamento da Campanha pela Igualdade de Oportunidades na Vida, no Trabalho e no Movimento Sindical – XII Plenária Nacional da CUT

2012 – Aprovação da paridade – XI CONCUT

2015 – VIII Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora

2015 – Audiência Pública para a campanha da ratificação da Convenção 156

2015 – Aplicação da paridade na CUT Nacional e nas estaduais – XII CONCUT

 
Junéia Martins Batista é secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT

 

 

 

Fonte: CUT Nacional