Central Única de Trabalhadores

100 anos depois… A Luta Continua! Nenhum Direito a Menos! – Julio Turra

30 abril, domingo, 2017 às 8:49 pm

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Julio Turra

CUT 100 anos

A CUT convoca a realização de atos de 1º de Maio em todo o país após a realização da Greve Geral em 28 de abril por “Nenhum Direito a Menos!”

Os atos do Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora deste ano serão, assim, uma continuidade da luta contra o desmonte da Previdência e da legislação trabalhista, contra a terceirização ilimitada, ataques promovidos pelo governo Temer que, como a CUT sempre alertou, são o conteúdo do golpe que o levou ao poder de forma ilegítima.

Não é casual que nas assembleias e mobilizações que prepararam o sucesso da Greve Geral de 28 de abril, inclusive nas bases de sindicatos filiados a outras centrais sindicais, o grito de “Fora Temer!” apareceu de forma natural como decorrência da violência dos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários de seu governo e base parlamentar, a serviço dos interesses dos banqueiros e empresários interessados em aumentar a exploração da classe trabalhadora!

Os atos de 1º de Maio vão reafirmar a vontade de todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil de prosseguir ainda com maior energia a luta  para derrotar as contrarreformas em curso, no momento em que a trabalhista vai ao Senado e a da Previdência inicia sua tramitação na Câmara.

Sim, pois ninguém quer perder direitos duramente conquistados pelas gerações anteriores. “Direitos não se negociam, se ampliam”, como sempre disse a CUT.

Há 100 anos…

A luta continua por nenhum direito a menos, 100 anos depois da primeira Greve Geral realizada no Brasil que, começando em São Paulo, desdobrou-se em outros pontos do país, como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul.

Em 1917 a questão social para os governos da “República Velha” (1889-1930) era “um caso de polícia”. As lutas por reivindicações da jovem classe operária que se formava no Brasil -  constituída em larga medida por imigrantes italianos, espanhóis e portugueses que traziam de seus países de origem uma experiência de luta sindical – eram tratadas na base da pura e simples repressão.

O mundo estava em plena 1ª Guerra Mundial (1914-18) e o ano de 1917 começava com a eclosão da Revolução Russa, que será vitoriosa em outubro com a instalação de um governo de operários e camponeses. As condições de vida dos trabalhadores e setores populares no Brasil eram afetadas pela alta dos preços, que não eram acompanhados pelos salários, que veio somar-se a jornadas de trabalho de até 12 horas, inexistência de leis trabalhistas e proteção social, utilização maciça de trabalho infantil e de mulheres em condições insalubres.

A Greve Geral de 1917 em São Paulo, começou na região onde hoje está a sede nacional da CUT, quando em 9 de julho, diante de uma fábrica têxtil, é assassinado pela polícia o jovem anarquista José Martinez. Uma multidão tomou a rua Caetano Pinto no Brás, de onde saiu o seu féretro em direção ao cemitério Araçá, na maior mobilização já vista na capital paulista.

Em três dia já eram 70 mil trabalhadores em greve, e havia sido constituído um Comitê de Defesa Proletária que comandava o movimento que tomou conta da cidade por quase trinta dias (o governo municipal abandonou a capital).

A força do movimento levou os patrões e o governo a abrir negociações com os representantes dos grevistas, algo impensável para a elite da época, que obtiveram parte de suas reivindicações:   liberdade de todas as pessoas detidas por motivo de greve;  respeito ao direito de associação para os trabalhadores; não dispensa de qualquer operário por participação no movimento grevista; abolição do trabalho de menores de 14 anos nas fábricas; abolição do trabalho noturno de mulheres e de menores de 18 anos; aumentos salariais  variando de 25% a 30% segundo o tamanho das empresas.

Na pauta da Greve Geral havia ainda a exigência de jornada de 8 horas, de 50% de acréscimo por horas extra de trabalho, garantia de trabalho permanente, entre outras reivindicações que passaram a fazer parte das pautas de todas as lutas que sucederam a Greve Geral de 1917, até serem conquistadas e transformadas em lei.

Foi através da luta e da Greve Geral que os primeiros direitos trabalhistas foram arrancados! Será através de muita luta e da Greve Geral que vamos defender os nossos direitos trabalhistas e previdenciários da destruição!

Viva o 1º de Maio!

Viva a luta da classe trabalhadora pelos seus direitos!

 

 

Júlio Turra é diretor executivo da CUT Nacional

 

 

Fonte: CUT Nacional