Central Única de Trabalhadores

Polícia de Alckmin invade ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em Diadema

12 março, sábado, 2016 às 11:09 am

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A Polícia Militar de São Paulo invadiu na noite desta sexta-feira (11) a subsede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em Diadema. No local, militantes do PT e de movimentos sociais realizavam um ato em protesto contra a ação da PF (Polícia Federal) e Ministério Público Federal contra o ex-presidente Lula e outros dirigentes, entre eles o ex-prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior.

Na ocasião, os PMs tentaram prender militantes que estavam no local e foram impedidos pelos participantes da reunião. Parlamentares do partido, entre eles o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, e os estaduais Teonílio Barba e Luiz Turco, interpelaram os policiais, que estariam comandados por um tenente. “Os policiais teriam então, dito que souberam que estava ocorrendo uma reunião de apoio a Lula e foram até o local averiguar”, contou o deputado Luiz Turco.

Os policiais estavam comandados por oficial da PM. Foto: Divulgação

Os policiais estavam comandados por oficial da PM. Foto: ABCD Maior

“Fomos surpreendidos com a chegada da polícia militar que entrou no prédio do sindicato, sem justificativa, de forma ostensiva, criando um clima de tensão muito grande entre os companheiros presente. Estamos vivendo uma séria ameaça ao Estado de Direito que nos preocupa profundamente. Nossa vida partidária sempre foi pautada em decisões democráticas e transparente, portanto, não precisamos de vigilância”, declarou Barba em sua página no Facebook.

“Houve uma situação que lembrou-nos o período de exceção e reflete o momento que passamos hoje. Ficou-nos claro, foram alí para intimidar. Infelizmente a polícia tucana a serviço da tentativa de golpe”, disse o deputado federal Vicentinho. O deputado federal disse que os PMs entraram no prédio do sindicato armados com metralhadoras. “Parecia uma praça de guerra”, afirmou deputado federal.

Ditadura

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“Não poderiam entrar no Sindicato da maneira que entraram. Identificamos dois P2 (policial do Serviço de Inteligência) no local. Então foi uma ação desastrosa e a PM precisa prestar esclarecimento disso. O Sindicato foi ilhado por policiais fortemente armados. Foi igual ao período da ditadura, no qual eu vivi. A forma da ação pareceu de cunho político”, denunciou o vereador Josa Queiroz, presidente do PT de Diadema.

Para o deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT), que também estava presente na plenária, a situação lembrou o período de exceção e reflete o momento que passamos hoje. “Dois PMs, invadiram a plenária, armados de revolveres e metralhadora, argumentando que queriam saber o que estava acontecendo no local. Logo após chegaram muitas viaturas e PMs armados com metralhadoras e revolveres. Parecia uma praça de guerra do lado de fora”, contou. “Ficou-nos claro, foram ali para intimidar. Infelizmente a polícia tucana a serviço da tentativa de golpe”, concluiu.

De acordo com o deputado Luiz Turco, o prédio do sindicato ficou cercado pelos policiais, que só foram embora depois de anotar documentos dos participantes da reunião. Após a PM se retirar, a plenária prosseguiu normalmente.

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Até o momento, a PM não se pronunciou sobre o assunto.

Nota do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC divulgou nota oficial neste sábado (12) em que reprovou a ação da PM em Diadema, ressaltou o papel dos trabalhadores na construção e aprimoramento da democracia brasileira e lembra ao governo paulista a necessidade de que as forças policiais sejam contidas dentro da legalidade no cumprimento de suas funções.

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Leia a nota:

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, consciente de sua responsabilidade pela manutenção e aprimoramento do Estado Democrático de Direito que, com a intensa e permanente dedicação de todos os seus Membros, ajudou a estabelecer em nosso País, reprova as ações policiais registradas em sua sede de Diadema.

Ressalta que essa entidade sindical coopera para a consecução do bem comum, que abrange a dignidade da pessoa humana, a provisão das necessidades dos indivíduos e a consolidação de uma ordem jurídica justa, estável e segura. Enfatiza que o valor social do trabalhismo e o pluralismo político são fundamentos republicanos (art. 1º, CF).

Como as demais instituições responsáveis pela construção de uma sociedade livre, justa e solidária, busca o desenvolvimento nacional, especialmente com a superação pacífica e racional de crises, visando a erradicação da pobreza, da marginalização, do preconceito e das desigualdades sociais (art. 3º, CF).

São garantias invioláveis de todos os recintos particulares e o direito de reunião das pessoas, até como natural expansão da sociabilidade humana (art. 5º, incs. XI e XVI, CF).

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC reprova os excessos das autoridades policiais que, ferindo o princípio constitucional da proporcionalidade, sem causa devida, violam os direitos e as garantias da intangibilidade dos locais particulares e da reunião das pessoas, colocando em risco a ordem pública, e insta o Poder Executivo Estadual a manter as suas forças policiais nos estritos limites da legalidade, contendo e corrigindo os abusos ocorridos e noticiados pela mídia.


Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

São Bernardo do Campo, 12 de março de 2016

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Fonte: Jornal ABCD Maior e Rede Brasil Atual