Central Única de Trabalhadores

Plenária de mobilização da CUT-RS reforça criação de comitês em defesa da democracia, dos direitos e contra o golpe

5 abril, terça-feira, 2016 às 7:01 pm

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A organização de comitês de trabalhadores pelos sindicatos em defesa da democracia, dos direitos sociais e trabalhistas e contra o golpe, integrados aos comitês municipais, foi a principal deliberação da plenária de mobilização da CUT-RS, ocorrida na manhã desta terça-feira (5), no auditório do Cpers Sindicato, no centro de Porto Alegre. O encontro contou com a participação de mais de 60 dirigentes sindicais de vários ramos da capital e do interior gaúcho.

“Temos uma luta de longo prazo pela frente e, para tanto, precisamos intensificar a mobilização contra o golpe, a fim de garantir a democracia e os direitos da classe trabalhadora”, afirmou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

“Nada será antes, independente da votação sobre o impeachment. Em qualquer cenário, os golpistas vão querer emplacar a agenda deles e nós precisamos derrotar o golpe, evitar qualquer retrocesso e empurrar o governo para a esquerda, a fim de mudar a política econômica e colocar em prática o programa eleito pelos 54 milhões de brasileiros”, apontou.

A criação de comitês é uma das iniciativas da Frente Brasil Popular, que vem sendo estruturados em várias entidades sindicais e por movimentos sociais, com o objetivo de esclarecer os trabalhadores e a população sobre o que está em jogo neste momento histórico que o país atravessa. “Orientamos todos os sindicatos filiados à CUT a realizarem plenárias para montar comitês, pois a democracia e os direitos trabalhistas estão mais ameaçados do que nunca”, frisou Claudir.

Além dos comitês, ficou definido a organização de ônibus a Brasília para acompanhar a votação do impeachment na Câmara dos Deputados, cuja data ainda não foi marcada.

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Claudir fez um apelo aos dirigentes sindicais para que acessem diariamente o site e o facebook da CUT-RS, compartilhando notícias e postagens. “As mídias sociais representam um espaço democrático de comunicação, onde podemos divulgar as nossas opiniões e atividades contra o golpe e pela democracia”, salientou.

Houve também a distribuição do novo adesivo da CUT-RS, que tem como chamada “Tirem as garras dos nossos direitos” e “Este impeachment é golpe”.

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Ainda ocorreu a entrega da primeira edição do Jornal da Democracia, elaborado pela Frente Brasil Popular, com o objetivo de esclarecer os trabalhadores e a população. “Quem ganha e quem perde com o golpe do impeachment” é a manchete de capa.

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Clique aqui para acessar o PDF do jornal e reproduza também o material.

Não vai ter golpe, vai ter luta

O coordenador do MST-RS, Cedenir de Oliveira, fez uma análise de conjuntura, destacando que “estamos numa nova etapa da luta política” e que “houve um esgotamento do ciclo iniciado por Lula em 2003, e sem mexer no capital não tem como fazer distribuição de renda”.

Ele lembrou os cenários que antecederam a atual crise política e econômica. “Houve um deslocamento de alguns campos políticos. As manifestações de 2013 levaram setores para as ruas que até então lá não estavam. E no último período o governo federal adotou medidas de ajuste fiscal que não agradaram os trabalhadores”, observou.

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Cedenir avaliou como positivas as iniciativas da Frente Brasil Popular, que aglutinaram diversas entidades e partidos de esquerda, na defesa da democracia. Para ele, a síntese “não vai ter golpe, vai ter luta” mudou o debate na sociedade.

“O processo de mobilização das ruas nós ganhamos, depois da reação que tivemos. Um exemplo disso é que agora a Rede Globo tem que se explicar. Querem convencer que impeachment não é golpe, mas está claro que este processo é golpista sim. E, além disso, a população está percebendo que, se a Dilma sair, assume o Michel Temer ou até mesmo o Eduardo Cunha. Já está se criando o consenso de que isso não é o melhor para o Brasil”, disse.

Para Cedenir, o impeachment começa a não ter eco. “Saímos da defensiva e fomos para a ofensiva”, frisou. “Ser contra o impeachment não é ser a favor de tudo o que o governo está fazendo”, alertou.

Carimbo de golpistas

A diretora executiva da CUT Nacional, Mara Feltes, avaliou também positivamente as manifestações realizadas nos dias 13, 18 e 31 de março, em Porto Alegre. “Ou a gente ia para as ruas ou a gente ia para as ruas, não tinha plano B”, disse.“Não tenho dúvidas de que fomos bem sucedidos. Colamos o carimbo de golpistas em quem pede o impeachment da presidente Dilma e denunciamos o golpe que está em curso”.

De acordo com ela, já estão sendo planejadas novas atividades e manifestações. Mara destacou o encontro com a presidenta Dilma nesta quinta-feira (7), às 11h, para expressar solidariedade diante da última capa e reportagem machista e mentirosa da revista IstoÉ, e a assembleia popular a ser realizada no próximo sábado (9), no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.

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“Mais do que nunca, precisamos potencializar a comunicação com a nossa base e os sindicatos. Vamos seguir constrangendo os setores que pedem o impeachment e que querem penalizar a classe trabalhadora”, ressaltou a dirigente da CUT Nacional.

PMDB é a ponte para o Brasil se tornar o RS

O deputado estadual Adão Villaverde (PT), presente no início da plenária, também destacou que “pegou neles o carimbo de golpistas”. Segundo o parlamentar, “eles tentaram nos marcar como corruptos, mas nós os carimbamos como golpistas e estão incomodados. Isso originou um momento de bastante politização, pois as pessoas estão indo atrás de informações, buscando entender o que está acontecendo e o que está em jogo”, salientou.

Villaverde frisou a importância dos jornais dos sindicatos, citando a última edição do jornal Sineta, do Cpers, onde a entidade dos educadores se opõe ao golpe e denuncia que “o programa nacional do PMDB é a ponte para o Brasil se tornar o Rio Grande do Sul” numa alusão à chamada “Ponte para o futuro”.

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“O trabalho de uma entidade sindical comprometida com os direitos é esclarecer os trabalhadores, denunciar o golpismo e atuar fortemente na defesa da democracia”, enfatizou o deputado.

Ele ainda destacou que os movimentos sociais tiveram papel decisivo para deslocar vários segmentos sociais que estavam sendo cooptados pelos golpistas. “Os golpistas estavam sozinhos nas ruas, mas já começamos a reequilibrar o jogo e nós temos que colocar também o governo Sartori no centro do debate”, defendeu. Villaverde alertou que os grupos que apoiam o impeachment “não são voluntários” e que são financiados por poderosos grupos econômicos.

Mobilização na Capital e no Interior

Durante a plenária, diversos participantes relataram o sucesso das manifestações do dia 31 de março na capital e no interior do Rio Grande do Sul. Também informaram sobre a criação de diversos comitês em defesa da democracia, dos direitos e contra o golpe.

A secretária da Juventude da CUT-RS, Letícia Radaatz, destacou a importância dos atos ocorridos em Santa Rosa e em Santo Ângelo, mostrando que existe grande potencial para mobilizar os trabalhadores, os estudantes e a população em geral pela democracia e contra os golpistas.

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O secretário de Meio Ambiente da CUT-RS, Paulo Farias, aproveitou para alertar sobre a seletividade das investigações de setores do Ministério Público, do Judiciário e da Polícia Federal. “A Lava Jato não vai pegar todo mundo. É a versão atualizada do Doi-Codi. É pra pegar o PT e os movimentos sociais”.

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A secretária de Políticas Sociais da CUT-RS, Cleonice Back, salientou que “ainda temos muitos sindicatos entocados”, pois nem todos estão dialogando com os trabalhadores e mostrando que os direitos sociais e trabalhistas estão correndo risco por causa da agenda neoliberal dos golpistas.

 

Fonte: CUT-RS