Central Única de Trabalhadores

Petroleiros respondem à truculência da Petrobrás com novas adesões à greve

3 novembro, terça-feira, 2015 às 5:29 pm

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Petroleiros em greve

Petroleiros em greve

A greve dos petroleiros entrou nesta terça-feira (3) em seu terceiro dia, com novas adesões dos trabalhadores. As ações truculentas dos gestores da Petrobrás para tentar desmobilizar a categoria está sendo respondida nas bases, com uma greve que se fortalece a cada instante. Segundo levantamento da FUP e de seus sindicatos, o impacto na produção é de pelo menos 450 mil barris diárias de óleo.

Na Transpetro, os petroleiros dos terminais de  Duque de Caxias, do Rio Grande do Sul, do Paraná e de Santa Catarina somaram-se ao movimento nesta terça. Nas refinarias e outras unidades operacionais, a greve também está sendo ampliada, com a adesão dos trabalhadores da manutenção e dos terceirizados, além do administrativo.

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Nas refinarias de Duque de Caxias (Reduc), Minas Gerais (Regap), Paraná (Repar), Paulínia (Replan) e Mauá (Recap), os movimentos sociais realizaram atos de apoio aos petroleiros, com grande participação dos trabalhadores que retornaram do feriado e aderiram à greve, permanecendo de fora das unidades.

Os sindicatos seguem denunciando as ilegalidades cometidas pelas gerências, como a permanência nas refinarias, plataformas e terminais de equipes de contingências despreparadas, que colocam em risco a vida dos trabalhadores e a integridade das plantas. Na Bahia, a truculência da Gerência Geral da Rlam chegou ao ponto de mandar prender arbitrariamente o representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás.

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Terceiro dia de greve

Norte Fluminense - subiu para  45 o número de plataformas que aderiram à greve. Destas, 25 estão totalmente paradas, oito estão com restrição de produção e outras nove foram passadas para as equipes de contingência. O Terminal de Cabiúnas segue sem rendição de turno. O Parque de Carregamento do terminal foi ocupado nesta terça-feira pelos trabalhadores.

Bahia - Rlam e terminais da Transpetro permanecem sem troca de turno e tiveram nesta terça-feira a adesão dos trabalhadores do administrativo e terceirizados. Fafen segue parada e as unidades de termoelétrica e de usina de biocombustível estão sem rendição nos turnos. Nos campos de produção terrestre, alguns poços estão paralisados.

Espírito Santo - os trabalhadores do administrativo e terceirizados aderiram à greve no Terminal de Barra do Riacho, na Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC), no Terminal Norte Capixaba (TNC) e no Terminal Aquaviário de Vitória, que está paralisado. Nas plataformas, a greve segue com 100% de adesão na P-58 e P-57, que foram entregues às equipes de contingência, com forte impacto na produção.

Rio Grande do Norte - nas plataformas marítimas, a produção foi interrompida em 13 unidades. Nos campos terrestres, diversos poços e estações coletoras estão sendo fechados. No Polo de Guamaré, a unidade de processamento de gás opera com carga mínima. Estão paralisadas a estação de injeção de água e a unidade de produção de querosene de aviação. A Refinaria Clara Camarão também está com a produção parada e a usina termoelétrica de Assu foi entregue para a equipe de contingência.

Unificado de São Paulo - a Recap e na Replan, a greve segue com 100% de adesão dos trabalhadores do turno. Hoje pela manhã, os trabalhadores terceirizados e administrativo atrasaram em três horas a entrada, aderindo aos atos de apoio à greve, com participação dos movimentos sociais. Ambas as refinarias foram entregues para as equipes de contingência. Os trabalhadores da UTE de Mato Grosso também seguem firmes na greve, cortando a rendição do turno.

Duque de Caxias - os trabalhadores do Terminal de Campos Elíseos aderiram à greve nesta terça-feira, assim como parte do administrativo da Reduc e da Termoelétrica, que permanecem sem troca de turnos.

Minas Gerais - parte dos trabalhadores do administrativo e da manutenção da Regap e da Termoelétrica somou-se à greve. Não há troca de turnos nessas unidades.

Pernambuco e Paraíba - os trabalhadores do administrativo e terceirizados aderiram massivamente à greve no Terminal de Suape, que permanece sem troca de turno, assim como a Refinaria Abreu e Lima.

Amazonas - na Reman e nos Terminais de Coari e Solimões, os trabalhadores do administrativo e terceirizados somaram-se à greve. As unidades permanecem sem troca de turno.

Ceará - os trabalhadores do administrativo somaram-se à greve na Lubnor, que segue sem rendição de turno. Na TermoCeará, os petroleiros também aderiram 100% à greve. No Terminal de Pecém, a operação foi entregue para as equipes de contingência e os trabalhadores administrativo e da manutenção não entraram para trabalhar. No Terminal de Maracanaú, a adesão é de 90%. Na Usina de Biodiesel, os trabalhadores continuam impedidos de deixar a unidade, o que configura cárcere privado.

Rio Grande do Sul - os trabalhadores dos terminais da Transpetro (Tedut, Terig e Tenit) aderiram à greve nesta terça-feira. Na Refap, os trabalhadores do administrativo também somaram-se ao movimento, com 60% de adesão. Na Termoelétrica Sepé Tiaraju, os trabalhadores seguem sem trocas de turno, com adesão também de 60% do administrativo.

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Paraná e Santa Catarina - nesta terça-feira, a greve foi ampliada com a entrada dos trabalhadores da Transpetro (Temirim/Guaramirim, Teguaçu/Biguaçu, Tejaí/Itajaí – estes em Santa Catarina – e Tepar/Paranaguá, no Paraná. Na Repar e na Usina do Xisto (SIX), não há troca de turno e as unidades seguem sendo mantidas por equipes de contingência. Na Fafen, a produção da unidade continua paralisada.

Truculência, arbitrariedade e prática antissindical na Bahia

A Gerência Geral da Refinaria Landulfo Alves (Rlam) cometeu na madrugada desta terça-feira um atentado contra a organização sindical petroleira. Com o objetivo de intimidar e de deter a greve da categoria, o gerente mandou prender o representante dos petroleiros no Conselho de Administração da Petrobrás, Deyvid Bacelar, que é também coordenador do Sindipetro Bahia.

A prisão arbitrária e ilegal ocorreu na refinaria, onde várias ações intimidatórias e truculentas estão ocorrendo. Desta vez, o alvo a ser atingido era o conselheiro eleito. Sob orientação do gerente da Rlam, que identificou  Deyvid entre os trabalhadores e militantes que estavam no local conduzindo a greve, a Polícia Militar, que ocupa a refinaria desde domingo, partiu para a truculência, jogando as viaturas contra os petroleiros.

Deyvid e outros dirigentes do Sindicato tentaram resolver o conflito, quando foram surpreendidos pelos policiais, que acusaram os sindicalistas de desacato, numa clara armação para deter o representante dos petroleiros no CA da Petrobrás. Os policiais deram voz de prisão para os trabalhadores e também prenderam o fotógrafo, que registrava a arbitrariedade e teve seu equipamento apreendido.

Eles foram levados para a delegacia de São Francisco do Conde, onde não havia delegado de plantão, e foram liberados, após ficar evidente a arbitrariedade e ilegalidade da prisão. Deyvid e os outros dois trabalhadores se dirigiram para uma outra delegacia, onde prestaram queixa contra a armação dos policiais, que, a mando da gerência da Rlam, chegaram a agredir o conselheiro eleito e danificaram a máquina do fotógrafo.

Prisão de petroleiro

A gravidade desses acontecimentos remete aos tempos da ditadura militar. Além de atentar contra a liberdade sindical, a arbitrariedade ocorrida na Rlam é mais uma prova de que as gerências da Petrobrás agem como bem querem, sem qualquer preocupação com a lei. A prisão do conselheiro eleito pelos trabalhadores só demonstra o despreparo dos representantes da empresa para lidar com situações de conflito. Os que combatem a greve com ações truculentas são os mesmos que estão à frente do processo de negociação. Arbitrariedades e práticas antissindicais não serão toleradas pelos petroleiros. A resposta da categoria é intensificar a greve.

 

Fonte: FUP