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Painel “Combate às Fake News” aprova Manifesto em Defesa da Verdade, contra Desinformação e pela Democracia

5 junho, quarta-feira, 2019 às 8:39 pm

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Plenário do painel (2)

Plenário do painel (2)

Os participantes do painel Combate às Fake News aprovaram, por aclamação, o Manifesto em Defesa da Verdade, contra a Desinformação e pela Democracia. O texto foi apresentado durante o evento realizado nesta terça-feira (4), no auditório da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre.

O debate foi organizado pelo Comitê Gaúcho do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) com o apoio com o apoio da Fabico, Unisinos, Movimento 3D – Democracia, Diálogo e Diversidade, Associação de Juristas pela Democracia (AJURD) e Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito.

Além de apontar os estragos da desinformação, o texto foi lido pelo advogado e integrante da AJURD Mário Madureira e denuncia as notícias falsas, salientando “a confusão e a desorientação ao debate democrático nas decisões do cidadão-eleitor, interditando o discernimento de grandes parcelas da população em lugar de orientar e esclarecer as ações políticas”.

Madureira (2)

Os organizadores indicam que não basta organizar e participar do evento sobre fake news.  “É necessário um processo contínuo, agregador e participativo e com um propósito claro. Propõe a união de entidades, blogs, mídia independente e pessoas empenhadas em fazer avançar o conhecimento e o enfrentamento à desinformação.”

Por fim, o manifesto aponta “a criação de um movimento de combate às fake news, aberto à participação de todas as entidades, instituições e organizações sociais comprometidas com a luta em defesa da verdade, contra a desinformação, a favor da liberdade de expressão e do direito à informação e pela democracia”.

Confira a integra do manifesto!

MANIFESTO EM DEFESA DA VERDADE, CONTRA A DESINFORMAÇÃO E PELA DEMOCRACIA

A manipulação dos meios de comunicação e o uso massivo e orquestrado das redes sociais para difusão de notícias e informações falsas, marcadas por ódio, intolerância e preconceitos, por meio de tecnologia avançada e com financiamento de grandes grupos econômicos com o claro objetivo de agredir pessoas, partidos e movimentos sociais e enganar a população, tem sido empregado em várias partes do mundo para fraudar o processo eleitoral e a própria construção da opinião pública, deturpando a vontade popular de tal forma e magnitude que tem levado países a se deparar com governos autoritários e com projetos que retiram direitos e que não seriam aprovados nas urnas, sem tais ardis.

Sem propostas políticas para o bem da maioria, acabam abrindo espaço para o simplismo político e o maniqueísmo religioso, dominado, no entanto, por minorias muito ricas, afoitas em aumentar seus privilégios, mesmo que à custa da pauperização da população e do comprometimento do próprio processo civilizatório.

Tudo isso tendo como suporte engrenagens complexas, novas, que lançam mão de tecnologias com capacidade e grau de alcance pouco conhecidos da maioria.

Uma vez que o processo de desinformações (fake news) confunde e desorienta o debate democrático e o processo de decisão do cidadão-eleitor, interditando o discernimento de grandes parcelas da população em lugar de orientar e esclarecer as ações políticas, consideramos:

a) Conhecer o processo e a abrangência dessa máquina de fabricação e propagação de falsas notícias que tem efetivado o avanço desse estado de decadência, de descontrole e de persuasão através da mentira, do preconceito e do ódio;

b) Entender seu funcionamento, pesquisar suas fontes, seu financiamento, fragilidades, para então, buscar normas, leis e demais ferramentas democráticas, capazes de desnudar, conter e desmontar esse processo que adultera a vontade popular;

c) Congregar instituições sociais, associações e coletivos diversos, partidos, universidades, sindicatos, igrejas, meios de comunicação e outros segmentos para enfrentar e resistir de forma organizada e fundamentada às noticias falsas;

d) Estimular a criação de mecanismos que permitam, de forma séria e responsável, romper com esses meios nocivos e reconstruir uma consciência de desenvolvimento com soberania e inclusão social e de resistência aos ataques anticivilizatórios.

Por isso, pretendemos trabalhar em conjunto com as demais iniciativas no sentido de conhecer, entender e enfrentar esse processo tão nefasto. Precisamos agregar conhecimentos, referências e experiências exitosas para, juntos, construirmos a defesa da verdade, a restauração e o fortalecimento da democracia em nosso país.

Não podemos ficar por aqui, satisfeitos em apenas participar deste evento. Será pouco frutífero, se não resultar um processo contínuo, agregador e participativo de ação efetiva, com um propósito claro. E somente será eficiente se conseguirmos um movimento com dimensão nacional.

Há que se juntar entidades, blogs, mídia independente e pessoas empenhadas em fazer avançar o conhecimento e o enfrentamento à desinformação. É preciso organizar atividades e mesmo sistemas de estudo, divulgação da verdade e denúncia das desinformações. Se necessário, será conveniente até institucionalizar a atividade do conjunto amplo e plural de meios de comunicação, universidades e organizações da sociedade civil, dispostos a lutar por uma comunicação verdadeira e democrática.

Propomos a criação de um movimento de combate às fake news, aberto à participação de todas as entidades, instituições e organizações sociais comprometidas com a luta em defesa da verdade, contra a desinformação, a favor da liberdade de expressão e do direito à informação e pela democracia.


Porto Alegre, 4 de junho de 2019.


Comitê Gaúcho do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors)

Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT-RS)

Sindicato dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (Sindsepe-RS)

Conselho Regional de Serviço Social (Cress-RS)   

Movimento 3D – Democracia, Diálogo e Diversidade

Associação de Juristas pela Democracia (AJURD)

Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito 


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Fonte: SINDJORS