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Para Dieese, Bolsonaro inibe crescimento com salário mínimo sem aumento real e abaixo da inflação

13 janeiro, segunda-feira, 2020 às 4:16 pm

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Carteira e dinheiro2 (2)

Carteira e dinheiro2 (2)

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou na semana passada os resultados da Cesta Básica de 2019. Nas 16 das 17 capitais pesquisadas foram registrados aumentos que variaram de 4,85% a 23,64%, sendo todas as variações ficaram acima da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE (4,48%) no período. A cesta básica de Porto Alegre subiu 8,95% em 2019, o dobro do INPC.

Esse aumento afeta principalmente a população de menor renda, já que proporcionalmente o peso da alimentação no orçamento dessas famílias é maior. Quem ganhou salário mínimo (R$ 998,00 = valor líquido de R$ 918,16) em dezembro de 2019 gastou mais da metade do seu salário (55%) somente com a compra dos itens básicos da alimentação (R$ 506,30), sobrando muito pouco para os demais itens do orçamento.

Mensalmente o Dieese calcula o salário mínimo necessário para atender uma família de quatro pessoas, levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Inflação (2)

Em dezembro de 2019, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 4.342,57 ou 4,35 vezes o mínimo de R$ 998,00. Vale observar que esse valor refere-se ao mínimo e não ao ideal.

Então, segundo o Dieese, é preciso olhar com cuidado para esses aumentos e pensar políticas que aumentem o poder de compra do salário, para que essas famílias não sejam tão prejudicadas, pois são itens essenciais no orçamento.

Nos últimos dois meses do ano tivemos a alta expressiva da carne, item de maior peso na cesta (cerca de 43% do gasto mensal) e que teve o preço majorado em mais de 30% por conta do aumento das exportações para a China, entressafra e maior custo de reposição dos bezerros, além da alta dos produtos in natura (como tomate e batata) que tiveram oferta afetada por conta do clima e redução da área plantada.

Reajuste do salário mínimo abaixo da inflação

Cumpre dizer que o governo Bolsonaro ao anunciar em 31 de dezembro o reajuste de 4,11% para o salário mínimo em 2020, passando o valor de R$ 998,00 para R$ 1.039 sequer cumpre a inflação do período (INPC de 4,48%), bem como não garante a distribuição do crescimento da economia (PIB de 2018 foi de 1,3%), corroendo o poder de compra de 49 milhões de pessoas (os que menos ganham), deixando pelo caminho uma esperança de melhora das condições de vida de no mínimo ¼ da população brasileira.

Se fosse seguida a política de valorização do salário mínimo (INPC + PIB), implantada no governo Lula após negociação com as centrais sindicais, o novo valor deveria ser de R$ 1.053,00.

Para o Dieese, o governo inibe o crescimento econômico e a justiça social com salário mínimo sem aumento real e sem a inflação, agravando ainda mais a desigualdade social e econômica no país.

 

Fonte: CUT-RS com Dieese