Central Única dos Trabalhadores

Pais, alunos e professores se mobilizam contra fechamento de escola estadual em Porto Alegre

23 dezembro, quarta-feira, 2015 às 6:17 pm

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Foi a partir de uma mensagem de uma colega professora estadual que Vânia Tavares ficou sabendo que a escola onde sua filha estuda fecharia. Quando informou a filha, a jovem Lorenza, que vai para o oitavo ano em 2016, ainda não sabia que a Escola Estadual de Ensino Fundamental Rio Grande do Sul fecharia as portas em uma semana. Já os professores da instituição foram informados nesta segunda-feira (21), em reunião com a Secretaria de Educação, que seriam transferidos para outra escola no próximo ano letivo.

Contrários à decisão e à forma como foram avisados, professores, alunos, ex-alunos, pais e mães se reuniram em frente ao colégio nesta quarta-feira (23) para protestar e exigir explicações. “Nós não fomos comunicados, ficamos sabendo pelo boca a boca. Estão transferindo nossos filhos para uma escola que não conhecemos, que não sabemos como é”, criticou Sandra Paim, cuja filha estuda no local desde o primeiro ano e agora iria para o quinto.

A escola abriga cerca de 400 alunos de Ensino Fundamental e Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e 40 professores. “A escola é ótima em termos de comunicação com os pais, cuidado com as crianças. Tem estrutura, é um bom colégio”, afirmou Sandra. “Simplesmente nos disseram que dia 30 vão colocar um cadeado na escola e é isso”, completou o professor Jacson Schwengber, que ensina História.

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Pais, alunos e professores se reuniram em frente à escola nesta quarta-feira | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Ele relatou que os professores foram chamados para uma reunião sem saber do que se tratava e foram surpreendidos pela notícia. “Eles disseram que fizeram um estudo que apontou que seria possível sermos transferidos para a escola Leopolda Barnewitz, mas não nos mostraram”, criticou Jacson, que disse ainda que os professores foram orientados a não avisar os pais sobre a decisão. O professor também destacou a questão da segurança, visto que muitos estudantes vão a pé sozinhos para a escola, na Washington Luiz, e seria mais perigoso irem até a Leopolda, na Loureiro da Silva.

Uma decisão como essa precisaria partir de um diálogo com a comunidade escolar, na opinião dos professores. “Não nos consultaram e não respeitaram a comunidade”, opinou Pablo Kmohan, professor de Português. Para realizar o fechamento, o governo teria a obrigação de justificar os motivos e demonstrar a viabilidade, segundo Jacson, que relatou ter pesquisado sobre o assunto. “A comunidade precisaria concordar, a partir de uma reunião registrada em ata com o Círculo de Pais e Mestres, mas isso não aconteceu. Nos informaram como algo já decidido”, contou.

Cerca de cinco ex-alunas e apoiadoras movimentavam o ato, batendo em panelas e cantando músicas criticando o fechamento da escola. “A minha irmã está no primeiro ano, convocaram uma reunião de pais muito em cima da hora ontem e eu vim participar. Falaram que iam fechar por causa do município, mas não explicaram nada”, relatou Vitória Leonara, que estudou na escola do quinto ao nono ano e agora cursa o Ensino Médio.

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Ex-alunas movimentaram o protesto com panelas e música | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Havia ainda a presença de ex-alunos mais antigos, como César Grass, que estudou na instituição nos anos 1990 e pretendia que seu filho seguisse seus passos. “Eu me mudei para o Centro há pouco tempo e pretendia que meu filho, que está indo para o sexto ano, estudasse aqui. A gente tem uma ligação grande entre os ex-alunos daqui e por isso ficamos sabendo. Foi muito complicada a forma como foi feito isso, sem informar ninguém”, afirmou. Por se tratar de uma escola relativamente pequena, o local preserva uma relação próxima entre funcionários, estudantes, pais e professores.

Esse foi um dos motivos que fez com que Vânia quisesse que Lorenza fosse para a escola. “Eu gosto por ser pequena, tem essa proximidade”, aponta. Até o ano passado, a menina estudava no Instituto de Educação, mas a mãe ouviu falar que a escola fecharia para reformas, por isso, se adiantou e já a trocou de colégio. “Trocamos justamente por causa de um possível fechamento, e agora isso”, lamenta ela, que dá aulas no Porto Seco e mora no Centro com a filha. “Eu estava gostando da escola, achei muito boa”, conta Lorenza.

A Secretaria de Educação informou, por meio da assessoria de imprensa, que o fechamento foi necessário devido a um acordo com a Secretaria Municipal. O prédio precisaria ser reformado devido a uma infiltração e a Prefeitura se dispôs a recuperá-lo e transformá-lo em escola de Educação Infantil. Os alunos, professores e funcionários serão transferidos para a Leopolda Barnewitz. O secretário Vieira da Cunha se reúne esta noite com os pais para tratar do assunto.

Veja mais fotos:

Foto: Guilherme Santos/Sul21

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23/12/2015 - PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - Funcionários, alunos, professores e pais protestam contra o fechamento da Escola de Ensino Fundamental Estado do Rio Grande do Sul. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

 

Fonte: Sul21