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Novo ministro do Trabalho do governo Temer advogou para grandes empresas em causas trabalhistas

10 julho, terça-feira, 2018 às 8:42 pm

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Ministro do Trabalho

Ministro do Trabalho

Depois de um vaivém de nomes desde janeiro, o advogado Caio Vieira de Mello tomou posse nesta terça-feira (10) como ministro do Trabalho. Formalmente, é o quarto ministro neste ano, considerando a nomeação fracassada da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), o interino-efetivo Helton Yomura, afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro tampão por cinco dias Eliseu Padilha e o ex-ministro e deputado federal Ronaldo Nogueira (PTB-RS).

O novo titular é irmão do ministro Luiz Philippe Vieira de Melo Filho, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), um crítico da “reforma” trabalhista e da terceirização.

Advogou para grandes empresas em causas trabalhistas

Nascido em 23 de julho de 1949, no Rio de Janeiro, Caio Luiz de Almeida Vieira de Mello formou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Entre 2008 e 2009, foi vice-presidente judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-3), em Minas. Reportagem do jornal Valor Econômico mostrou que o novo ministro advogou ”para grandes empresas em causas trabalhistas processadas no Supremo Tribunal Federal (STF)”.

Segundo o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, o nome foi uma “escolha pessoal” de Michel Temer. No ato de posse, Temer disse que Vieira de Mello “vai levar adiante a modernização trabalhista e outras transformações que temos promovido em nosso mercado de trabalho, sempre preservando os direitos do trabalhador”. Modernização é como o governo se refere à nova lei.

O novo ministro ingressou na magistratura trabalhista em 2001, em vaga destinada à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Aposentou-se em 2012. Foi substituído pelo desembargador Sércio Peçanha, nomeado por Dilma Rousseff.

Consultor de escritório com assessora do PSDB e esposa de Gilmar Mendes

Seu nome aparece como consultor do tradicional escritório de advocacia Sergio Bermudes, fundado em 1969, com sedes em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre as 15 especialidades do escritório, citadas em sua página na internet, não aparece o Direito do Trabalho. Entre seus clientes, estão empresas como Vale, Bradesco e Odebrecht.

Outra consultora é Elena Landau, ex-analista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de assessora econômica do PSDB e diretora de desestatização do BNDES durante as privatizações da era Fernando Henrique Cardoso. Em evento em janeiro último, ela afirmou que deveria ser “proibido” criar estatais.

A advogada Guiomar Feitosa Lima Mendes é sócia do escritório. Ela é casada com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Professor e juiz eleitoral, Sergio Bermudes foi um dos redatores do projeto de anistia, no final dos anos 1970. E também autor da petição inicial do caso Vladimir Herzog, quando o Judiciário reconheceu a responsabilidade do Estado no assassinato do jornalista, em 1975. Na década passada, trabalhou para o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity.

 

 

Fonte: Rede Brasil Atual (RBA) e Agência Brasil