Central Única de Trabalhadores

No Senado, CUT e constituintes de 1988 criticam arapuca do golpe do impeachment

11 maio, quarta-feira, 2016 às 10:24 am

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Paim e Graça

Paim e Graça

A CUT e sindicatos filiados à Central estiveram na manhã desta terça-feira (10) numa audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) no Senado,  por iniciativa do senador Paulo Paim (PT-RS), que também preside a CDH. O encontro foi o último de uma série sobre a defesa da democracia e tratou da inconstitucionalidade do impeachment e da participação dos movimentos sociais no combate ao golpe.

Além de representantes da CUT, estiveram presentes lideranças de outras centrais e parlamentares constituintes de 1988, como Haroldo Sabóia e Nelson Friedrich, ambos do PMDB à época.

Um dos responsáveis pela elaboração da Carta Magna, Friedrich criticou o que julga um ataque à democracia na retirada da presidenta Dilma.

“A democracia está em perigo, mas um perigo sofisticado, que não se traduz em armas e quartéis. Estão se apropriando de um discurso democrático para fazer, por exemplo, a retirada de direitos sociais”, afirmou.

Já Sabóia citou como parte desse processo o monopólio da mídia que atua como partido político. “Nunca vivemos um poder de imprensa tão monolítico como hoje. No Estado Novo e também na ditadura, havia uma uma rede de jornais clandestinos e até resistência dentro da grande mídia. Hoje o noticiário é o mesmo.”

Viés trabalhista

Pela CUT, a secretária de Relações de Trabalho, Maria das Graças Costa, apontou que o impeachment veio justamente para interromper um processo de avanço da classe trabalhadora.

“Estávamos no caminho de fortalecimento da democracia e ampliação de direitos. Os trabalhadores estão lutando por trabalho decente,  não vão aceitar a retirada de direitos. Esse golpe é contra os trabalhadores”, disse.

O presidente da Contracs (Confederação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços), Alci Matos, alertou que as bases estão em alerta contra os ataques dos golpistas sobre as conquistas trabalhistas.

“Nós sempre estivemos na trincheira e vamos continuar. Queremos trabalho decente. Nós estaremos na rua hoje e nos próximos dias, fazendo mobilização e conversando com os trabalhadores.”

Diretora Executiva da CUT, Virgínia Berriel lembrou dos prejuízos que a privatização comandada pelos mesmos que tentam assumir o poder agora causaram à classe trabalhadora.

“Essas empresas que hoje demitem, especialmente de telecomunicações, foram privatizadas com dinheiro do BNDES, foram beneficiadas com desoneração e hoje fazem demissão em massa.”

Ela também rebateu a ideia de que a gestão Dilma peca pela imobilidade, como tentam emplacar os golpistas. “Ficamos indignadas quando ouvimos que a Dilma não sabe governar, trabalho doméstico, lei do feminicídio e tantas iniciativas em defesa das mulheres. É um golpe sexista, de gênero, contra todas as mulheres. Por isso vamos às ruas dizer, Dilma fica”, bradou.

 

Fonte: CUT Nacional