Central Única de Trabalhadores

Negociação específica com Banrisul não avança e bancários apontam mobilização

23 setembro, quarta-feira, 2015 às 10:30 pm

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Banrisul negocia 2309

Os representantes da diretoria do Banrisul na terceira mesa de negociação com o Comando Nacional dos Banrisulenses repetiram nesta quarta-feira, dia 23, aquilo que fizeram nas outras duas reuniões. Tentaram cevar dirigentes sindicais, reclamando do contexto de crise, trouxeram argumentos sobre os limites financeiros do Banrisul e, em muitos momentos, utilizaram um tom de provocação. Toda essa conversa para, durante três horas, no auditório da Casa dos Bancários, em Porto Alegre, dizer NÃO, NÃO e NÃO, à pauta de reivindicações dos funcionários.

Depois de repetir a palavra NÃO para as reivindicações das cláusulas de valorização profissional, prêmios e auxílios e democratização do banco e trabalho de terceiros, o Banco não deixou outra alternativa aos banrisulenses do que ampliar a mobilização e construir a GREVE. Chegou a hora de os bancários mostrarem que estão dispostos a defender o Banrisul e partir com tudo para a mobilização.

A frase que resume o contexto das negativas do banco deve ser entendida a partir de como os representantes da diretoria pintam o cenário. Segundo superintendente Executivo da Unidade de Gestão de Pessoas, Gaspar Saikoski, vivemos um “cenário desgraçado”, sem perspectivas de melhoras.  “Não vamos avançar além do que temos hoje. Já praticamos um nível de gratificação e remuneração acima da média. Não vamos avançar”, repetiu Gaspar.

De “não vamos avançar” em “não vamos avançar”, de “cenário desgraçado” em “cenário desgraçado”, os banrisulenses não podem esperar. Diante do discurso de crise na mesa, tarifaço e de precarização do banco (a redução do número de caixas e aumento de filas é apenas um exemplo prático disso), só restará aos trabalhadores do banco público dos gaúchos a GREVE para avançar.

E o primeiro ato da construção da GREVE dos banrisulenses será nesta sexta-feira, dia 25. A partir das 11h, vamos iniciar uma concentração na Praça da Alfândega, em frente à Agência Central do Banrisul, no Centro Histórico de Porto Alegre. Com alegria e disposição para a luta, precisamos fazer pressão sobre a diretoria e mostrar que o banriulense cansou de ouvir NÃO.

Vamos dizer SIM aos nossos direitos. Vai ter show, vai ter carro de som e vai ter o almoço coletivo tradicional das nossas GREVES. É tempo de carregar as baterias e fortalecer a mobilização.

“O Banrisul disse que vai esperar a proposta da Fenaban (nesta sexta, dia 25) para avaliar se pode ou não fazer uma proposta. Até agora não houve nenhuma garantia de atendimento a qualquer cláusula econômica. Nem nas cláusulas que não envolvem dinheiro, há disposição para sinalizar avanço. O banco não se dispõe a conversar sobre estabelecer critérios de promoção. Não fala em valorizar a PLR. E ainda por cima vem com  ameaças sobre as dificuldades do Estado. Os resultados estão aí para mostrar. Todos os bancos lucraram muito com esta crise. O lucro do Banrisul cresceu mais de 60% no primeiro semestre. O banco está levando os banrisulenses à GREVE”, destacou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Antes ou durante a GREVE

O diretor da Fetrafi-RS, Carlos Augusto Rocha, desafiou os representantes da diretoria a apresentar uma proposta antes da Fenaban para as cláusulas econômicas da pauta específica dos Banrisulenses.

“A Fenaban deve consultar vocês. Quando vocês dizem que vão esperar a Fenaban, não acredito que vocês não saibam nada de proposta. Há questões que vamos ter que avançar antes da GREVE ou durante a GREVE. Não acredito que vocês não tenham feito simulações para prever o impacto do índice da nossa pauta nacional de reivindicações”, disse Rocha.

A diretora de comunicação do SindBancários, Ana Guimaraens, ponderou questões relacionadas à GMD (Gestão de Metas e Despesas) do banco. Ela apresentou exemplos sobre a utilização que a diretoria faz das metas para pressionar trabalhadores e usar como critério de promoções e fechamento de postos de trabalho.

“O banco precisa é de mais caixas nas agências. Porque tem agência que, em dia de 40 graus de calor, está com ar-condicionado desligado. A GMD não pode fazer o banco queimar o filme com a população”, defendeu Ana Guimaraens.

Para a diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa, os colegas estão mobilizados para buscar avanços em direitos. Mas a mobilização precisa ser ampliada para que possamos construir uma GREVE forte.

“O banco tem que ter critérios claros de avaliação, análise de perfil para poder realizar um processo de seleção interna realmente representantivo e democrático. Nós entendemos que o Plano de Carreira ajudaria muito nisso, mas vocês não aceitam nem discutir. Plataformistas, Operadores de Negócios (ONs,), colegas da TI, os escriturários, call-center, todos nós, banrisulenses, precisamos de proteção e sermos valorizados. Vocês falam o tempo todo em crise e não estão demonstrando interesse em atacar esta crise. Valorizar os funcionários é a melhor maneira de motivar e enfrentar qualquer crise”, disse Denise.

De olho na Fenaban e na Assembleia

Nesta sexta-feira,  em São Paulo, a expectativa do Comando Nacional dos Bancários é que a Fenaban irá apresentar proposta de índice de reajuste nas verbas salariais e no piso na quinta rodada de negociação.

Os bancários querem reajuste de 16%, cerca de 5,7% de aumento real nas verbas salariais e no piso. Caso a proposta seja considerada insuficiente pelo Comando, o SindBancários, assim como todos os sindicatos de bancários do país, irá chamar assembleia para decidirmos se aceitamos a proposta ou vamos à GREVE nacional.

Pauta específica do Banrisul

> Fim das metas abusivas.

> Retorno das férias antiguidade.

> Mais contratações.

> Não às terceirizações.

> Retorno do anuênio.

> Novo Plano de Carreira.

> Fim do achatamento na carreira e cortes de letras.

> Fim da redução do número de caixas na GMD e dos ONs pela nova resolução.

> O Banrisul se compromete a igualar a remuneração dos escriturários da DG com os analistas comissionados, incluindo o quadro de TI.

> Gratificação de caixa de R$ 1.126,20 e de R$ 492,68 como abono de caixa, ressalvando o direit5o daqueles que já recebem valores mais elevados. Caixa que desempenhar função de tesoureiro receberá valor adicional de R$ 1.260,00, se não for comissionado.

> Gratificação mensal de R$ 1.260,00 para funcionários do Call-Center, Operadores de Negócio (ONs) e plataformistas que não exerçam as funções de caixa e ONs.

> Criação de uma remuneração variável (RV), com a formação de um fundo mensal, que será dividido entre os plataformistas.

> Negociação permanente sobre todo e qualquer assunto relacionado com os objetivos de produtividade do Banrisul.

> Criação de remuneração complementar a partir da distribuição de percentual de 10% do total da venda de todos os produtos financeiros e 5% dos serviços prestados e distribuídos linearmente a todos os empregados.

> Reposição especial de R$ 776,62 para o quadro de TI-II e um incentivo de Vantagem de Nível para funcionários do Quadro A que exerçam atividades de TI nas unidades de TI.

> Pagamento aos Banrisulenses que trabalham com vendas de produtos dos mesmos 1% pagos aos correspondentes imobiliários.

> Reformulação do artigo 59 do Regulamento de Pessoal para tornar perene o Plano Desempenho, com pagamento de metade no primeiro semestre e metade no segundo.

> 13ª Cesta Alimentação no valor de R$ 1.425,00.

> Isenção de pagamentos de tarifas pelo Banrisulenses em empréstimos e taxas de juros abaixo do mercado extensiva ao cheque especial e ao crédito consignado.

>Pagamento pelo Banco a todos os Banrisulenses das perdas salariais de 1999 e 2000 pelo não cumprimento de acordo com a Fenaban.

> PLR Banrisul de 4% sobre o lucro líquido e distribuição linear.

 

 

Fonte:  SindBancários