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Na véspera do Dia da Consciência Negra, homem negro é morto após ser espancado no Carrefour em Porto Alegre

20 novembro, sexta-feira, 2020 às 11:15 am

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Carrefour

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O homem negro João Alberto Silveira Freitas, o Beto, de 40 anos, foi morto após ser brutalmente espancado no estacionamento do Carrefour, no bairro Passo D’Areia, em Porto Alegre, na noite desta quinta-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra. As circunstâncias do assassinato estão sendo apuradas pela Polícia Civil.

Até o momento, as informações relatam ter havido uma discussão dentro do local, com o homem na sequência agredido e imobilizado por dois homens brancos, um segurança de uma empresa terceirizada e o outro um policial militar. 

A cena vem sendo comparada nas redes sociais ao que aconteceu com Geoge Floyd, que morreu sufocado por policiais brancos nos Estados Unidos, o que motivou o movimento "Vidas negras importam".

Uma manifestação será realizada nesta sexta-feira (20), às 18h, em frente ao Carrefour, como forma de expressar solidariedade à família de Beto e exigir justiça e o fim da violência e do racismo na sociedade. 

"Vamos protestar contra essa barbárie, que ilustra o quanto precisamos de um consciência negra no Brasil para acabar com o genocídio da população preta e garantir respeito e igualdade de direitos", afirma a secretária de Combate ao Racismo da CUT-RS, Isis Garcia. "Vidas negras importam", destaca.

Basta de racismo

Crueldade

O segurança Magno Braz Borges e o policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva foram detidos em flagrante. O policial é lotado no Departamento de Comando e Controle Integrado da Secretaria da Segurança Pública e, no momento, se encontra recolhido no presídio da Brigada Militar. Já o vigilante de uma empresa terceirizada será encaminhado ao Presídio Central. O caso está sendo investigado pela 2ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre.

De acordo com imagens que circulam amplamente nas redes sociais, ele teria sido levado para a entrada da loja e teria, conforme a Polícia Civil, iniciado o conflito. Logo depois, se tornou alvo do espancamento pelos outros dois homens. 

Após uma série de socos e chutes, o homem, desacordado, foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que tentou reanimá-lo, sem sucesso. 

Carrefour tem histórico de violência contra povo negro

Em nota, o Carrefour disse que romperá o contrato com a empresa responsável pelos seguranças que cometeram a “agressão” e informa que o estabelecimento ficará fechado e dará o “suporte necessário” à família da vítima.

“O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento desse inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente”, diz a nota do Carrefour, que completa: “Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como essa aconteçam”.

Entretanto, o supermercado carrega um histórico de violência e descaso envolvendo os clientes e os próprios funcionários.

Em agosto, por exemplo, um promotor de vendas do Carrefour morreu enquanto trabalhava em uma unidade do grupo, em Recife. O corpo de Moisés Santos, de 53 anos, foi coberto com guarda-sóis e cercado por caixas, para que a loja seguisse em funcionamento e permaneceu no local entre 8h e 12h, até ser retirado pelo Instituto Médico Legal (IML).

Outros casos de racismo, violações trabalhistas e agressões contra animais também são episódios ligados ao supermercado.

Policial militar temporário

Também em nota, a Brigada Militar explica ter ter sido acionada para atendimento de ocorrência no Carrefour, tendo prendido os envolvidos, “inclusive o PM temporário, cuja conduta fora do horário de trabalho será avaliada com todos os rigores da lei”.

“Cabe destacar ainda que o PM Temporário não estava em serviço policial, uma vez que suas atribuições são restritas, conforme a legislação, à execução de serviços internos, atividades administrativas e videomonitoramento, e, ainda, mediante convênio ou instrumento congênere, guarda externa de estabelecimentos penais e de prédios públicos”, explica a BM.

 

Fonte: CUT-RS com Sul21 e Brasil de Fato