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Municipários e arquitetos repudiam ação da Prefeitura de Porto Alegre que demoliu prédio da Ocupação Baronesa

19 julho, sexta-feira, 2019 às 2:25 pm

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"O Sindicato do Municipários de Porto Alegre (Simpa) condena a ação higienista, anti-democrática e desumana da Prefeitura Municipal de Porto Alegre que mandou demolir o prédio que abrigava a Ocupação Baronesa, na manhã de 18 de julho.

O prédio abandonado há 10 anos, vinha sendo objeto de luta por famílias em situação de rua que tinham um projeto de moradia para o local, porém, a Prefeitura informou que o Departamento Municipal de Habitação (Demhab) havia solicitado a posse do prédio para um projeto habitacional e executou a demolição, alegando riscos de desabamento.

A Ocupação iniciou no dia 28 de março com um grupo de dez famílias. Parte do grupo que ocupava o prédio eram pessoas que haviam sido despejadas do único abrigo municipal da Prefeitura, ainda em funcionamento.

Com o fechamento dos abrigos da cidade e o encerramento de importantes políticas de assistência social , o número de pessoas em situação de rua aumentou em Porto Alegre.

Segundo nota publicada pela Ocupação Baronesa, o prédio estava localizado no Areal da Baronesa, território ocupado pela população negra na segunda metade do século XIX, e, antes disso, terra Guarani.

O prédio significava o resgate da identidade de um povo que está sempre sendo excluído, dizimado da sociedade e sofrendo sistematicamente o desrespeito do Estado sobre seu direito de morar, seu direito a terra, seu direito de pertencimento a um território.

O Simpa é solidário às famílias que seguirão em resistência na justa luta pela moradia. A Ocupação Baronesa se dava em um prédio público e abandonado que não exercia função social, como previsto na Constituição Federal.

Hoje, mais de 4000 imóveis estão nesta situação, servindo aos interesses privados e especulação imobiliária, ao invés de beneficiar os cidadãos com a criação de uma política habitacional justa em nossa cidade."

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Arquitetos também repudiam

Conforme reportagem do Sul21, o Sindicato dos Arquitetos no Estado do Rio Grande do Sul (Saergs) divulgou nota repudiando a ação da Prefeitura de Porto Alegre na manhã desta quinta-feira  

Segundo a diretora do Saergs, Karla Moroso, “o fato é lamentável visto que o prédio, apesar de não ser inventariado como patrimônio histórico, tem valor arquitetônico pois é um projeto de 1926, executado pela Prefeitura para atender o direito à moradia dos brigadianos, além de fazer parte da memória e da história da capital, em especial daquele território que conta ainda com a presença de quilombos. “O que está em jogo é o direito à moradia para as famílias que habitavam a Baronesa e que agora estão nas ruas, sem lar, destacou.

“Destruir a Baronesa é, acima de tudo, uma inversão de valores”, acrescentou a diretora do sindicato. “É deixar de lado a memória da cidade para violar ainda mais o direito humano à moradia”. A presidente do Saergs, Maria Teresa Peres de Souza, afirmou que o sindicato já havia se manifestado contra o despejo das famílias e, agora, o cenário se agravou de maneira preocupante.

Demolido

Fonte: Simpa e Sul21