Central Única de Trabalhadores

Mulheres gaúchas dialogam com Maria da Penha sobre violência de gênero

14 março, segunda-feira, 2016 às 8:37 pm

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Maria da Penha

Maria da Penha

Representantes da Direção Central do CPERS e dos Núcleos do Sindicato participaram na última sexta-feira (11) do seminário Mulheres Gaúchas Dialogando com Maria da Penha, que abordou a violência contra as mulheres. O evento, que contou com o apoio do CPERS para sua realização, marca os 10 anos da Lei Maria da Penha e faz parte do 8 de Março Unificado, iniciativa que reúne 72 entidades que realizam uma série de ações em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Na ocasião, foi lançada a cartilha “Mulheres, Direitos e Rede de Atendimento”, da Comissão Especial dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa do RS.

A atividade ocorreu no Auditório do Foro Central de Porto Alegre e foi organizado pela Procuradoria Especial da Mulher do Rio Grande do Sul, da Assembleia Legislativa, presidida pela deputada Stela Farias (PT).

Diante de um auditório completamente lotado, Maria da Penha recebeu a medalha de Mérito Farroupilha, considerada a maior honraria do parlamento gaúcho. Sob o olhar atento da plateia, ela afirmou que a Lei 11.340/2006, que leva o seu nome, não tem como objetivo a punição dos homens.

“Esta Lei visa fundamentalmente proteger a mulher dos homens agressores que não sabem amar e respeitar a mãe dos seus filhos. Mas não basta a Lei apenas existir, é preciso tirá-la do papel e criar as medidas protetivas necessárias, assim como aperfeiçoar e atendimento jurídico-social as mulheres vítimas de violência”, destacou.

Mapa da violência

O Brasil ocupa o 5º lugar no mapa mundial da violência contra a mulher. São 13 mulheres mortas por dia, pelo único fato de serem mulheres, 33,2% das vítimas foram mortas pelo parceiro ou ex-parceiro. Os feminicídios de mulheres negras aumentaram 54,2% de 2003 a 2013.

Frente a esses assustadores índices, a diretora do Departamento de Gênero e Diversidade do CPERS, Iris de Carvalho, ressalta a importância de iniciativas como a realizada hoje com a presença de Maria da Penha. “Esses índices são muito significativos e mostram o tamanho do nosso desafio para implementar políticas públicas mais efetivas, além de uma profunda mudança cultural. Tenho certeza de que hoje muitas mulheres ao ouvirem a história da Maria identificaram o que vivem em seu dia a dia”, observou.

Maria da Penha: da dor à luta em defesa de outras vítimas da violência doméstica

Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica e bioquímica, foi vítima de um relacionamento abusivo, sofreu diversas agressões e duas tentativas de homicídio. Na última, o seu então companheiro atirou em suas costas enquanto ela dormia, o que a deixou paraplégica. Maria lutou por sua vida, conseguiu sobreviver e colocar seu agressor na cadeia.

O caso da agressão que sofreu ganhou repercussão e, apesar da morosidade da Justiça, resultou na principal ferramenta jurídica de defesa das mulheres vítimas de violência. A Lei Maria da Penha é a terceira lei de proteção às mulheres mais importante no mundo.

Ter seu nome vinculado à lei não a faz esmorecer. Ela costuma dizer que é preciso haver mais políticas públicas de combate à violência contra a mulher, mais investimentos em delegacias da mulher, centros de referências da mulher, casas-abrigo e juizados especiais. Foram necessários quase 20 anos para que o ex-marido fosse condenado pelo crime que cometeu. Ele ficou preso dez anos e hoje está livre. Da sua dor veio a sede de justiça por outras tantas mulheres que sofriam violência doméstica, e foi onde surgiu a Lei Maria da Penha, em 2006.

11/03/2016 PORTO ALEGRE/RS/BRASIL: Mulheres Gaúchas dialogando com Maria da Penha Foto: Caco Argemi/CPERS


Fonte: Cpers/Sindicato