Central Única dos Trabalhadores

Movimento sindical deve disputar país que queremos, defende Pochmann

30 novembro, segunda-feira, 2015 às 9:26 am

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Pochmann1

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Diante de uma conjuntura adversa, com economia em recessão e crise política nacional somada à crise internacional, o 10º Congresso da FETEC/CUT-SP aprofundou, na manhã de sexta-feira (27), em Atibaia (SP), o debate em torno da atuação do movimento sindical bancário nos rumos do país. “Precisamos verdadeiramente assumir o papel de liderança na disputa do futuro que queremos para nosso país”. Esse foi o chamado do economista Márcio Pochmann, durante o primeiro painel do 10º Congresso, sobre conjuntura econômica.

O professor da Unicamp e presidente da Fundação Perseu Abramo iniciou sua exposição, abordando as transformações do capitalismo e sua relação com as políticas nacionais. “Até o início da década de 30, o que vigorava era o poder dos mercados, o que tornava a política irrelevante. A partir de 1945, os Estados nacionais passaram se organizar e a regular o capitalismo. Após a década de 70, a nova revolução industrial e as mudanças tecnológicas trouxeram mudanças estruturais, acarretando na expansão do projeto neoliberal, de desregulamentação dos Estados nacionais. Hoje, poucos países conseguem fazer política de forma autônoma”, explicou Pochmann ao vincular o atual momento brasileiro.

“O Brasil assumiu a democracia sem romper com os vícios da ditadura. Hoje vive um impasse, com o esgotamento do ciclo político iniciado com a Nova República e a perda de credibilidade nas instituições nacionais. O que define os nossos representantes é o poder do dinheiro, os ricos nunca são afetados e o povo nunca participa das decisões nacionais, apesar das tentativas dos governos social-democratas, de inverter essa lógica”.

Conforme o professor, nos últimos 13 anos, 40 milhões de miseráveis ascenderam economicamente, no entanto não se tornaram atores políticos. E ainda assumiram valores da direita, baseados no neoliberalismo. “Com isso, o que vemos é uma parcela da sociedade ganhando força para fazer o país retornar ao século XIX, com redução de direitos e a volta da nação exportadora primária”.

Fetec

Segundo Pochmann, o Estado brasileiro precisa de reforma profunda, com defesa da indústria nacional, e ao movimento sindical cabe assumir a liderança nessa batalha. “A estrutura sindical deve representar essa nova classe trabalhadora, cuja produção é de trabalho imaterial, proporcionado pelas novas tecnologias”.

Nos últimos anos, 4/5 dos postos de trabalho criados foram na área tecnológica e de comunicação. “O trabalho hoje é intelectual e pode ser transportado, fazendo com que se misture com a vida pessoal, numa prorrogação contínua de jornada”.

Para o economista, o grande desafio do momento para as entidades sindicais é conhecer esse novo trabalhador, seus anseios e como o trabalho afeta sua vida. “É preciso conhecer a realidade para interagir e mudar”, concluiu Pochmann.

 

Fonte: Fetec-CUT/SP