Central Única dos Trabalhadores

Morre o coronel Ulstra, principal nome da repressão durante a ditadura

15 outubro, quinta-feira, 2015 às 12:22 pm

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Ustra

O coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra morreu na madrugada desta quinta-feira (15), aos 83 anos, em um hospital de Brasília. Um dos principais nomes da repressão durante a ditadura de 1964, Ustra fazia tratamento contra um câncer. A causa da morte não foi informada.

Ustra foi chefe do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), do II Exército, em São Paulo, entre 1970 e 1974. Em 2008, a Justiça declarou Ustra culpado por casos de tortura e, em 2012, foi condenado a pagar indenização a família do jornalista Luiz Eduardo Merlino, morto nas dependências do DOI-Codi.

Segundo o projeto “Brasil: Nunca Mais”, 502 pessoas teriam sido torturadas no DOI-Codi no período em que o órgão era comandado por Ustra. Em 2014, o nome do coronel aparece no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, apoiado em documentos que registram a morte e desaparecimento de pelo menos 45 pessoas. Em depoimento à comissão, o coronel negou os casos de tortura, disse ter a “consciência tranquila”, e alegou que defendia o país contra a implantação da suposta “ditadura do proletariado”.

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No mesmo ano, ele foi denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) pela morte do militante político Hélcio Pereira Fortes, em 1972. Em julho deste ano, o MPF entrou com denúncia contra o coronel, responsável pela prisão, tortura e morte do operário Carlos Nicolau Danielli, em 1972, ambos os casos ocorridos nos porões do órgão de repressão que comandava.

Em abril de 2015, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, suspendeu uma das ações penais contra Ustra, que tramitava na Justiça Federal em São Paulo. Atendendo pedido feito pela defesa do militar, a ministra disse, na decisão, que suspendeu a ação, pois era necessário aguardar o julgamento da Lei de Anistia, pela própria Corte.

 

Fonte: Rede Brasil Atual